VARAL ESTENDIDO
Lençóis estendidos, debelados de apontamentos.
Somam um bocado de biografias estendidas
Colorindo os dias no balanço do vento
Presos no varal estendido...
Cravejados de perfumes, percepção de júbilo.
Marcas deixadas no encantamento dos dias
O sol contempla na sombra dos reflexos preenchidos
Esvoaçando em breves movimentos
Um passado interligado ao presente, junção ao futuro...
Peças contemplativas no espaço escolhido
Esperas de momentos vindouros que não findou
Saudades latejantes de um coração - amor
Estendidas no varal colorindo o mundo ao redor
Sem vendavais, aguaceiro ou torós.
Somente unindo os lençóis – recordação
Sentidos e vividos na choupana da emoção...
SEGREDOS DESNUDOS
Existe versos que nos tocam
Com a mesma intensamente se tivesse boca.
Palavras de ternura, de espera...
De enorme amor, de promessa louca.
Expressões despidas que roçam
Qual a noite que invade meu rosto
Por vezes se recusam
Sem deixar um desgosto
De repente avivadas
Entre vocábulos sem cor
Anunciadas repentinas
Como a inspiração ou o amor.
Palavras que nos conduzem
Aonde a crepúsculo é mais forte
Ao segredo dos amantes
Abraçados sem norte...
FLERTANDO MINHA ALMA
Na imensidão do meu ser
Fiz morada num castelo de sonhos
Revertia em meus olhos um encontro solitário
Capaz de mensurar as necessidades interiores
Gritando e clamando por um minuto de atenção
Flertei a minha alma, como se flerte um amor à primeira vista.
Deixei fluir a essência de sentimentos contidos
Um namoro entre o corpo com alma
Flertei de leve sem medo de toca-la apalpando suavemente
Buscando entender a complexidade das formas
O corpo entrelaçou a alma e fizeram um bailar de momentos
Esquecidos, apagados e lembrados a cada passo dado.
Deste flerte minha alma fixou um ponto de apoio
Olhei na profundidade conforme o meu alcance
Vislumbrando a vida de outra forma
Onde o corpo esvanece enquanto a alma floresce...
Assim, flertei minha alma...
CANÇÃO MATINAL...
Recitas em meus ouvidos uma canção matinal...
Ergues a taça para um brinde de encontros...
Desencontros na contramão da vida...
Suspiros e sorrisos de contemplação
O dia enaltece... Um rouxinol voejando
Nos arbustos da imaginação/momento...
Dissipa os nevoeiros da saudade que inflamam
Dos lábios que não se tocam...
Dos corpos que não se ajustam...
Dos olhos que não sabem o seu fulgor
Um amor que nunca penetrou em minha concupiscência
Nem deixou seu perfume, nos poros de minha epiderme
Colidem nas barreiras de um tempo de outrora
Nas relvas distantes... De um encontro que ainda não nasceu...
Aguardando uma canção matinal...
Admirável é o poeta
O abstrato transforma em vida.
Rompe o sol, descortinando paisagens.
Seus olhos refletem luz
Sabedoria de vidas
Explicações para dores...
Saudades...
Assim, é o poeta...
O vento de leve acariciava meus cabelos dourados.
Meu coração alado, viajou entre o pôr do sol na visão além dos olhos físicos, pura contemplação da alma com calma.
Plainavam entre os pássaros nas proximidades da colina
Uma profundidade interior avassaladora, me arrebatava entre o mundo que descortinava
Longe das agitações urbanas do vai e vem veloz do passar das horas
Apreciava o belo, direcionando meu pensamento para alguma coisa diferente sem ser superficial
Assim, corria meu coração alado voava no mar de luz e o sol permaneceu em mim.
Percebia a Luz Divina, é ali que a alma pode volitar e ao mesmo tempo onde se desenvolve, olhando, amando e conhecendo quem foi o Criador.
Arquiteto das mais belas pinceladas de perfeição, senti que quando a alma se converte num coração alado, poderá conhecer o que procuro no conhecimento lendo o Livro da Existência.
Quando desenvolvemos o dom de amar com os olhos da simplicidade, podemos abraçar as coisas intangíveis e compreender a grandeza de estar em constante harmonia com a nossa natureza e a que deixamos de admirar todos os dias.
Meu coração alado, voejou por flores solitárias que são regados pela chuva e regressou sem cansaço das peregrinações que se permitiu num domingo qualquer, ser banhado de luz na compreensão de ver além do que observo e sentir de onde eu venho e retornarei...
Esta angústia de encontrar
Os outros em nós
A descobrir o nosso gesto
Esta angústia de não ser xérox
Segunda-mão do desconhecido
Esta angústia faz-me mais só
Num mundo dúbio
A vida é um contínuo movimento. Nada é estático.
Naveguei no cais dos sonâmbulos, nas fulgurantes crinas da angústia...
Barco de vidro...
No eco da minha alma no espelho, observo distâncias dissolvidas nos voos
CONFIDÊNCIAS A DRUMMOND
“No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho”.
Não julgue meu caminho por ter uma pedra
Peguei um atalho no desatino
Nasci na sombra dos esquecidos
Tenho fome de amor, de pão e de carinho
Descanso no teu colo poeta, no meio do caminho
Entre a fumaça e o cachimbo
Tem uma pedra no meu caminho...
Sou alvo do descaso, sem esperança no teu colo cochilo
São dias e noites fadigados neste corpo franzino
No meio do caminho tem uma pedra, desta pedra perdi todo o meu caminho...
PENÚRIA
Marcas definidas pelo cansaço
É a penúria transpirando a cada dia
Não deixando faltar o sustento à família
Olhos lagrimejam pelo sofrimento do descaso de ser humilde
Desde o amanhecer ao anoitecer suas mãos calejadas suplicam um pouco de paz
Há sossego em suas noites com o corpo fadigado pelo sol escaldante
Na rede estendida
Batalhando para sobreviver, reza com fé.
Agradece com o coração em lamúrias
Sabendo que lá do alto tem um por que
São vidas que se arrastam na humildade e expiação
Aceitando a realidade dura
Na pele dorida, mãos em feridas, rosto enrugado de agonia.
Expressão de angústia nos olhos
Retratando um semblante cansado da própria vida...
A Lua refletindo seu brilho nas ondas do mar
Bordado prateado, alegoria natural.
Lucidez de obra divina
Enredo de embalos de ninar
Estrelas a brincar
Vislumbro este magnífico reluzir
Sou a lucidez do olhar
Fitando o brilho enfeitiçando a noite
Meus cabelos voam com a brisa
O frescor da aragem permite reviver momentos
Lembrar alegrias, vividas e sonhadas...
São castelos que se constroem com o tempo...
Petrifica em areias à beira mar
Lucidez de construção sem alicerce
A espera de uma onda a quebrar
Derrubando a cegueira e lucidez
Num abismo de enganos...
O coração de um poeta é uma mistura de variados ritmos
Vai do tango ao samba
Em passos miudinhos
Na boa ginga manda o recado
Que parceria é essa, compadre
Deixa qualquer romântica sem fôlego
Tiro o chapéu por sua maestria
Samba miudinho no teu compasso
Neste passo de bom sambista
No amor és afinado e requintado
Faz de mim a bailarina de sonhos
Segura estou em teus braços
Entrelaçada neste abraço
Se me perco ou me acho
Neste compasso...
De amor, alma e parceria
Não brinque com este coração
Parceiro
Depois que o Amor se instala
No coração quer abrigo
No teu colo descansar
Deixando as horas soltas
Nos desejos e na ânsia de te amar...
Vai que dá um samba, sabe lá.
GIRA(SOL)
Viajo solta entre os pensamentos
Deleito nos anseios que caem em pequenas gotinhas do mar, entre o Sol a nascer e teu olhar.
Mergulho nas ondas a quedar na praia, ressurgindo com a brisa soprando de leve meu corpo nudez.
Navego nas brumas num torpor de delírios com os arremessos dos teus beijos.
Dispersos com o vento na minha direção
Atravessando o oceano
Acenando e beijando meus lábios
Na ternura de um dia de Sol...
Gira(sol)
VOEJAR...
Refugiei meu olhar num lugar distante...
Livre das ambições humanas
Vislumbrava paisagens inarráveis
Iluminando minha retina
Que retina, as emoções de um coração alado
Voejava entre as colinas, riachos e por toda a natureza
Livre das amarras, que nos enlaçam neste cotidiano nebuloso
Entreolhei o lugar, as cores avivadas
Uma aquarela de cores de puro encanto
Na liberdade de sentir, pisar descalça entre a terra e o mar...
Na linha do horizonte, havia um bailado de cores
Eram o arco-íris aplaudindo a sinfonia cantada pelos anjos
Brindei a vida com um Tim... Tim...
Retornei ao meu mundo de reflexão
Na compreensão, o que era voar além de mim...
UM FLOREJAR BALSÂMICO
Plantei meu corpo num campo florido
Brotei com gerânios, alfazemas...
O frescor da natureza miscigena a alma
Levantei com raízes profundas
Amanhecendo com o florejar balsâmico
Lá encontro a paz, harmonia em meus dias...
Vasto é o recolhimento no silêncio
Parte de mim nasce...
Refugia-se das turbulentas agitações cotidianas
Florescem pensamentos, atitudes, um bem estar indescritível.
Recarrego energias perdidas
Chuvisco de gotas caindo do céu
Lavam meu corpo por fora e por dentro
Limpeza de vestígios de momentos instintivos
Recolhimento interior de profundas aspirações
Poesias, poemas, contos...
Cantos e melodias escutadas na sinfonia da harpa
Magistral e celestial que acalenta
As noites enluaradas no sol que em mim aquece
Os olhos debruçam no sono profundo
Acordando com os pássaros em sinfonia
Neste amanhecer de mais um dia...
DIVINO ROSEIRAL
Distancie-me sobrevoando os jardins do infinito
Emoções gotejavam no balanço no meu voo solitário
Arqueava minhas asas na imensidão de um horizonte
Aquietando-me no silêncio de noites serenas
Buscando no interior de minhas entranhas
Suspiros esquecidos...
Mãos entrelaçadas...
Sorrisos contagiantes...
Olhos brilhantes...
Amigos distantes...
Retornei aos poucos entre os labirintos
Pairei entre os ninhos, caminhos...
Arrebatamentos longínquos num espaço de tempo interminável
Sobressaltei entre os galhos de um amanhã
Senti a plumagem perfeita, refeita e aromal.
Descansando nos recantos de um divino roseiral...
Na vida há os rasgos de desenganos
Foram dando espaço e tricotei com fios brilhantes os caminhos da Vida...
Se tirar o V, teremos só a ida...
Tecendo e bordando
Colori a túnica humana emprestada...
Com luzes a saltitar
Acolhedoras de dias ensolarados e cinéreos
Um contraste que há no tempo...
Colorindo os dias...
Adornado as noites com estrelas a brilhar...
Na vida há os rasgos de desenganos
Definindo as alternativas por nós escolhidas
Neste instante é que entrelaço minhas mãos
Que rezam sem terço...
Palavras que sobem aos céus
Levadas pelos anjos e arcanjos do Infinito
A carta entoada por mim
Em que Deus lê...
Minhas emoções, meus receios, minha oração sem palavras decoradas
Aprendendo a conviver com tantas túnicas humanas
Em que a lição, não é agravar
Somente, ser mais uma semente
No jardim que irei plantar...
Entre os colibris e as borboletas a bailar
Seguindo nesta túnica humana
Na humildade de evoluir e melhorar...
DES(VELA)DOS
Quantas valas...
Quantos choros...
Quantas saudades...
Retrato do cenário atual
Luto e lágrimas
Seguem sem despedidas
Tumuladas em sinfonias funestas
Os clarins ecoam no Universo
Imediatistas, cáusticas, escárnios
De comprometimentos sem compromisso
Des(vela)dos
Sem velas, sem nada
Desnudos de amor, compaixão e respeito
Urge dores ecoadas pelo mundo
Orações proferidas dos variados Credos
Ouvidas nos corredores de muitos abismos
Doendo no coração da gente...
O que te dói nesse momento?
As cenas que encenas?
As máscaras que não caem?
Escolho as mãos que entrelaçam por um caminho mais ameno, compartilhando do mesmo pão
A vida estava com muita pressa, e sem prece...
Persiste na contramão da esperança
Em que a guerra não adveio do ódio dos homens
Aconteceu do misterioso invisível que punge nos arredores da Terra
Unindo os povos em prol da solidariedade
Do mesmo modo, seguem os nossos Des(vela)dos....
Sem o respeito devido, em suas tumbas frias
Aguardando respostas das autoridades...
O POETA E O VERBO AMAR...
O amor que a poesia ilustra
O poeta é o figurante do verbo amar
Um dia foi bater à porta do céu
Conversar com Criador
Por favor, Senhor
Tire a venda dos olhos de gente feia
Com aparência de bonita
Abra a porta da felicidade, retirando as lágrimas dos olhos de quem grita
São pequenos sussurros que ecoam do outro lado do mundo
Sente a palidez dos rostos desfigurados
Seria este o amor que o poeta escreve?
Ou a perda de um amado
Fugitivo que se esconde num recanto feito um pássaro alado...
O poeta vislumbra o belo
O amado, o esfomeado, o desesperado, o alucinado...
Sem esquecer que há o luar, sem amar
Há vida, sem sentido
Há repouso, sem sono
Uma lição que vem dos firmamentos...
Em forma de bênção ou de assossego...
O poeta conjuga o verbo amar
Em que ama o abstrato
Sem toques e mágicas
Vem d’alma este Amor
Nas entrelinhas que escreve.
Sente que há amor em cada linha escrita
Um amor perfumado
Que exala entre seus dedos e da própria vida
Este é dom mais sublime que há
Amar, amando o Amor que há de ser eterno...
Nas linhas que o lápis dança a valsa do escritor...
Conjuntado o verbo em busca do Amor...
O poeta não precisa de barco para navegar
Do mar para mergulhar
Da luz para ver a claridade
Do amor para ter um par
Dos braços para um abraço
Da boca para beijar