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Frases de Sandra Guerreiro

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⁠Olhei pela minha janela e vi, Levava os cabelos compridos molhados. Um andar compassado e rápido, ritmado ao som da música que trazia no walkman pelos seus fones.
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⁠Olhei pela minha janela e vi, Levava os cabelos compridos molhados. Um andar compassado e rápido, ritmado ao som da música que trazia no walkman pelos seus fones. Aquela música devia ser com um ritmo alucinante pela forma que os cabelos pendiam de um lado para o outro naquele andar acelerado. Tem o ar de quem não saber, nos seus jeans rasgados, nas botas de salto. Não lhe vi o rosto, mas parecia arrogante, no seu andar e jeito de ser. Parecia que o seu olhar não cruzava com o de ninguém a subir a avenida. Quase a virar, onde os meus olhos deixariam de a ver, parou. Debrucei-me mais um pouco para ver a que se devia aquela paragem súbita. Uma criança tivera caído. Subitamente aquela adolescente que parecia desalmada estava de joelhos a passar o seu lenço numa ferida no joelho do asfalto. Os fones pendiam no seu pescoço e falava a sorrir num tom tranquilizador, assim parecia. A criança levantou-se e sorriu, ela fez-lhe uma festa pelos seus caracóis. Seguiram ambos os seus caminhos, a criança continuou a correr com o seu lenço amarrado no joelho, enquanto a sua sombra desaparecia na curva no mesmo passo compassado e ar despreocupado, assim parecia, assim parece. Abri a janela e vi a distância que trinta anos trouxeram. Uma imensidade de lenços e de sorrisos no coração que nem todos vêm e que não se faz questão disso. Num ar despreocupado, de coração cheio, onde ainda teima que o mundo tem espaço para ouvir sua voz. Levava os cabelos compridos e molhados, ainda os levo até hoje.