De algum modo ele dava jeito de colocar piada no meio do sofrimento que narrava.
Frases de Sabrina Niehues
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O conto dos dois caminhos Eu estava perdida em sofrimento, solidão e agonia. Desejava tanto a morte quanto a luz do dia. Já não sabia se amava mais a vida ou se desejava mais a morte. Só que eu era covarde. Tão covarde que eu não sabia viver e nem morrer. Tinha medo da vida e da…
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O conto dos dois caminhos Eu estava perdida em sofrimento, solidão e agonia. Desejava tanto a morte quanto a luz do dia. Já não sabia se amava mais a vida ou se desejava mais a morte. Só que eu era covarde. Tão covarde que eu não sabia viver e nem morrer. Tinha medo da vida e da morte. E eu vivia vazia, parada nessa encruzilhada. Olhava para os dois caminhos, sem saber qual seguir. Então peguei a direita, o caminho da vida. Fiquei tão apreensiva que eu chegava a subir nos barrancos da vida, só para não entrar de cabeça nessa estrada. Olhava para todos os cantos, todas as sombras... Eu prossegui pelo caminho da vida solitariamente. Durante algum tempo... Mas, ao decorrer desse, eu encontrei outras pessoas nesse caminho. Pessoas como eu. Que também haviam parado na encruzilhada e que também haviam ficado indecisas. Conheci um senhor que havia dito que havia conhecido um homem sofredor, como nós dois. Esse homem optou pelo caminho da esquerda, o da morte. E o senhor me disse que não sabia por quê. E eu lhe disse que também não sabia. Então nós rimos, aquele riso triste. E então o senhor começou a narrar-me sua história de vida. Disse-me que, quando tinha a minha idade, também havia chegado na primeira encruzilhada. Nesse instante, arregalei os olhos. E o senhor entendeu porquê. E ele disse-me para não me assustar, pois no decorrer deste caminho eu hei de encontrar mais encruzilhadas como essa primeira. E eu perguntei-lhe como ele sabia disso, sendo que nós dois estávamos apenas no início do caminho da vida. Ele me disse que ele já não estrava mais no início. Disse-me que havia nascido, prosseguido feliz e chegado à primeira das encruzilhadas. Disse-me que passou pela vida e que a seguiu até encontrar outras tantas encruzilhadas, iguais à primeira. E disse-me que, como eu podia observar, ele havia optado sempre pela vida, mesmo desejando também a morte. Ele me disse que a única certeza que tinha nessa vida era que um dia ele teria de seguir o caminho da morte, mesmo querendo ou não. E então ele me disse que não havia porque em apressar o fim, já que ele viria de qualquer jeito. Ele me disse, então, que optou pela vida porque queria saber mais sobre ela. Queria encontrar, no fim disso tudo, mais uma vez a alegria que sentia ao ser criança. Perguntei como ele sabia que a encontraria. Ele me disse que não sabia. Perguntei, então, se ele havia encontrado. Ele me disse que sim, mas que já à havia perdido. Ao me ver com um olhar desentendido, ele disse à mim que havia encontrado o amor. E então eu perguntei a ele por que ele havia voltado. Ele me disse que não tinha mais o que viver. Que sua vida já estava no fim e que jamais encontraria felicidade nessa, já que seu grande amor se fora. Ele me disse que optou por voltar, apenas para narrar aos outros, como eu, suas histórias. Disse também que queria terminar no início. Que gostaria de morrer na primeira encruzilhada. Que esperaria pela morte ali mesmo. Disse-me que estava apenas voltando no tempo. E disse-me também que queria prosseguir, antes que esse já não o deixasse mais fazê-lo. Assim, o velho me disse um adeus e se foi. E eu prossegui meu caminho, desejando, lá no fundo, encontrar a alegria. Prossegui. Após um tempo, encontrei um garotinho. Estava escondido no meio do mato que crescia pelo barranco em que eu andava. Ele se escondia da vida, mas ela não o deixava. Perguntei a ele por que se escondia. Ele me disse que era a vida quem se escondia dele, e não o contrário. Ele me disse que a vida é que não quis ser gentil com ele. Ele era tão pobre com um rato. Era sujo e imundo. Olhei para ele e disse-lhe que a vida também não me é gentil, mas eu não desisti de conquista-la. Disse à ele para prosseguir que um dia daria certo. Dei então um abraço bem forte no garoto sujo e prossegui. Ao olhar para trás, vi que ele sorria. Eu continuei andando. O tempo passou. Encontrei pelo caminho água, comida e ar fresco. Encontrei o necessário para continuar vivendo. Mas não encontrei a alegria que, lá atrás, aquele velho senhor dizia ter encontrado. Eu, hoje, sou tão velha quanto ele. Estou tão cansada que resolvi parar na próxima encruzilhada que me vier. E farei a mesma coisa que fez aquele velho. Vou ficar parada na encruzilhada, pensando na vida e na morte. Esperando-a chegar. Pensando em como fui feliz antes da primeira encruzilhada. Tudo porque eu tinha conhecido a alegria que um dia aquele velho sentiu. Eu só não dei a sorte que ele deu. Eu apenas vi a alegria andando ao longe, já o velho pode abraça-la. Ele pode amar e ser amado. Já eu, parei na primeira parte, na primeira encruzilhada.
Talvez escrever seja isto. Um delírio, um sonho, uma ilusão.
Se não há loucura, não há vida.
A única certeza que eu tenho mesmo é que um dia eu vou morrer.
Eram dois garotos inteligentes demais para a pouca idade que lhes era dado. Eram amigos, também. Ambos eram bem namoradores. E o mais impressionante: nenhum deles acreditavam no verdadeiro amor. Eu ficava abismada com isso. Eu sempre fui tão fascinada por esse sentimento que dize…
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Eram dois garotos inteligentes demais para a pouca idade que lhes era dado. Eram amigos, também. Ambos eram bem namoradores. E o mais impressionante: nenhum deles acreditavam no verdadeiro amor. Eu ficava abismada com isso. Eu sempre fui tão fascinada por esse sentimento que dizer ser o amor... E eu me perguntava como dois seres tão inteligentes não acreditavam nisso. Talvez por serem racionais demais e eu sentimental à beça? Deve ser. Mas eu sempre pensei que era impossível viver sem alguém. Será que os inteligentes não concordaria que a solidão não basta? Na verdade, um deles me diz que o problema não é o verdadeiro amor, mas sim as falsas pessoas que não sabem amar.
Eu vivo buscando uma explicação para tudo. Principalmente para o amor. Então me pergunto: como posso estar buscando uma explicação racional para um sentimento? Acredito, agora, que isso seja quase impossível. Acho que pode-se tentar, pode-se comparar uma coisa à outra, mas não ex…
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Eu vivo buscando uma explicação para tudo. Principalmente para o amor. Então me pergunto: como posso estar buscando uma explicação racional para um sentimento? Acredito, agora, que isso seja quase impossível. Acho que pode-se tentar, pode-se comparar uma coisa à outra, mas não explicar de um modo exato. Explicar o amor seria quase como tentar fazer um mudo falar.
Eu gosto da bebida por causa do efeito que ela tem sobre mim. Gosto disso porque minha mente funciona mais lentamente. É que eu não gosto muito de estar sóbria. Minha mente costuma me causar um grande estrago.
Todos se perguntam qual foi o motivo disso tudo. Ela parecia tão feliz. Tanto na vida real quanto nas redes sociais. Estava sempre alegre. Agora todos pensam que ela fez isso apenas para "se mostrar". Nada sabem eles sobre os conflitos que ela tinha consigo mesma. Nada sabem eles…
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Todos se perguntam qual foi o motivo disso tudo. Ela parecia tão feliz. Tanto na vida real quanto nas redes sociais. Estava sempre alegre. Agora todos pensam que ela fez isso apenas para "se mostrar". Nada sabem eles sobre os conflitos que ela tinha consigo mesma. Nada sabem eles o que ela sofria e quais os motivos que a levaram ao suicídio.
Eu não posso ignorar os meus problemas. Seria como ignorar a minha vida. Não posso ignorar a dor. Eu estaria ignorando a mim mesma. Essa sou eu. A dor. Essa é minha vida. Um sofrimento.
Eu gostaria de saber demonstrar o tanto que sinto.
Carta para meu pai Você se aproxima tão amável. E mesmo dopada de calmantes e antidepressivos, eu ainda não consigo ser gentil, nem com você que eu tanto amo e que também me ama. Eu só tinha feito uma pergunta. Não queria lhe magoar, pai. Eu nunca quis. Eu sempre me sinto mal qu…
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Carta para meu pai Você se aproxima tão amável. E mesmo dopada de calmantes e antidepressivos, eu ainda não consigo ser gentil, nem com você que eu tanto amo e que também me ama. Eu só tinha feito uma pergunta. Não queria lhe magoar, pai. Eu nunca quis. Eu sempre me sinto mal quando a gente se desentende. E eu não sei como estou conseguindo digitar isso aqui com lágrimas nos olhos. Eu só precisava dizer que eu lhe amo, pai. E eu me sinto horrível quando nos desentendemos. Eu nunca me sinto tão mal quanto nesses poucos momentos. Eu só queria entender por quê eu sou assim. Eu não queria ser. Eu sei que sou um demônio, como diz minha mãe. Eu não sei por quê ela me diz isso sabendo que eu me sinto mal. Às vezes eu penso que ela não me ama. E se ama, não ama tanto quanto você, pai. Você me ama de um jeito lindo e sábio. E um dia eu quero amar assim como você. Eu lhe amo, pai. Você é só e tudo o que tenho. Por favor, não me abandona.
Penso nos jovens sorrindo feito bobos... Por que eles riem, quando há tanto sofrimento nesse mundo? Por que não estão todos chorando, se descabelando e se desesperando? Eu faço isso, às vezes. Faço isso quando penso em mim e nos outros. Mas não sou igual aos outros. E não sei se…
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Penso nos jovens sorrindo feito bobos... Por que eles riem, quando há tanto sofrimento nesse mundo? Por que não estão todos chorando, se descabelando e se desesperando? Eu faço isso, às vezes. Faço isso quando penso em mim e nos outros. Mas não sou igual aos outros. E não sei se eles são egoístas demais ou eu que sou louca. Não sei de nada. Ou melhor, nada é a única coisa que eu conheço bem.
Não sei de nada. Ou melhor, nada é a única coisa que eu conheço bem.
Queria poder ser tão livre quanto um pássaro.
Penso que somos todos pessoas cansadas da vida tentando consolar uns aos outros e ao mesmo tempo não querendo fazer isso por falta de força. Queremos ver os outros felizes e queremos ajudar nisso, mas não temos mais forças nem para nós mesmos.
Sei que eu deveria ser mais maleável, mas ela não me deixa outra escolha. Eu só consigo retribuir o que ela me dá. E eu me lembro de quantas coisas horríveis ela me disse... O que eu faço à ela não chega nada perto do que ela já me fez...
Se vocês dizem que me amam tanto, por que não tentam me entender ao invés de me criticar?
- Se você não quer me dar seu amor, me diga como faço para lhe esquecer. - Sei lá. Que tal você observar melhor meus defeitos? Ou tentar me odiar? - Já tentei lhe odiar. E já observei todos os seus defeitos, mas só consigo admirá-los. Tudo em você me encanta. Tudo.
Eu tento fazer rimas, já não consigo mais. Eu tento reclamar da vida, e já não dá. Eu tento fazer o que já fiz, mas não consigo mais ser feliz.
O verdadeiro amor deve transmitir tranquilidade e paz, e não medo e insegurança.
Eu não poderia dizer que a culpa é toda dela. Jamais diria isso. Mas eu devo afirmar que ela teve uma grande contribuição para a minha depressão. Quando eu mais precisei dela, ela estava ali, mas para piorar ainda mais a minha situação. Quando precisei de suas palavras amigas, só…
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Eu não poderia dizer que a culpa é toda dela. Jamais diria isso. Mas eu devo afirmar que ela teve uma grande contribuição para a minha depressão. Quando eu mais precisei dela, ela estava ali, mas para piorar ainda mais a minha situação. Quando precisei de suas palavras amigas, só recebi suas palavras inimigas. Quando precisei de seus abraços, ganhei seus tabefes. Quando precisei de uma mãe, eu recebi uma inimiga.
Mas a vida é essa: a gente tem que dar a cara pra bater se quiser ser feliz.
O pirulito virou cigarro. O nescau virou vodca. A balinha de morango virou LSD. As bicicletas agora são motos. O esconde-esconde e o pega-pega já não são mais brincadeiras. O medo da velocidade agora é um prazer. A escuridão, antes assustadora, é agora confortante. A família, que…
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O pirulito virou cigarro. O nescau virou vodca. A balinha de morango virou LSD. As bicicletas agora são motos. O esconde-esconde e o pega-pega já não são mais brincadeiras. O medo da velocidade agora é um prazer. A escuridão, antes assustadora, é agora confortante. A família, que no passado era acolhedora, agora é insuportável. Os amigos, anteriormente felizes, agora estão tentando o suicídio. A vida, antes bela, é agora um inferno.