A esperança do sertão As vezes me lembro da última chuva A maninha ainda tava na barriga da mamãe
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A esperança do sertão As vezes me lembro da última chuva A maninha ainda tava na barriga da mamãe Conseguia ver o sorriso de painho em seu rosto Agradecíamos a Deus por cada gota de água que nos abençoava Ainda tínhamos esperança Gostava dessa época Acordávamos bem antes do galo cantar Miguel sempre resmungava das longas caminhadas até o poço Ajudávamos papai até nossas mãos se enxerem de calos Eu nem ligava, o importante era que nós estávamos juntos Ainda tínhamos esperança Depois que partimos de lá Não se falava mais com vovô Tentava chamá-lo, mas ele não respondia Mamãe rezava mais uma Ave Maria, com os olhos cheios de saudade Ainda tínhamos esperança? Muito tempo se passou e a chuva no sertão não volta atrás Olhando para baixo, vejo os registros das pessoas que já passaram por aqui Olhando para frente, vejo a seca assombrar cada pedaço de vida desse nosso interior Olhando para o lado, vejo a face de todos se apagando lentamente Não temos mais esperança