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POBRES CRIANÇAS
Tantas caminhando sem rumo, sem futuro,
vítimas dos absurdos, herdeiras da ignorância.
Pequenos anjos, aparando sonhos em pás,
derramando lágrimas de ônix ,
Trabalhadores nos carvoeiros, escravos da fome,
do dinheiro..
Crianças das faces vermelhas, escravas nas olarias,
outras queimadas pelo sol, quebrando pedras, com
a alma pesada...
Anjos descalços, a vida é uma labuta na agricultura,
manejam espadas, não são de neon, ferem, cortam
o coração..
..
Pequenas meninas esquecidas na poeira do chão,
Amputadas, circuncidadas, sem vontades e opinião,
degradante tradição.
Pobres meninos aviõezinhos, o pó que carregam,
não é de pirlimpimpim,, provoca medo, anestesiados
e abandonados adormecem no relento, gelados no
cimento.
Tristes meninas, mulheres pequeninas,violentadas
e trocadas como mercadorias...
Outras tantas das faces marcadas pelo ácido da rebeldia,
confinadas escodem as cicatrizes na alma
Os pequenos desaprendem a brincar de bonecas, bolas e ,
carrinhos,
Tão pequeninos condicionam os dedinhos, apertam pequenos
botões, acionam seus brinquedinhos, ocupam o tempo, sempre
estão sozinhos, o amor de fato fica ao descaso, na mesma rotina.
Fetos cor de rosa, vivem horas contadas, sacrificadas para o azul
ser o orgulho, essencial para perpetuar a história,crueldade sem
igual. molestadas em lares de horrores.
Pobres crianças fogem das guerras que não são santas...
Empunham armas pesadas, os pipas não conseguem alcançar,
rodopiam no ar, e nas águas do mar, sentem a vida findar..
Pobres anjos sem sonhos para sonhar..
Almas pequeninas, conhecedoras da dor desde criancinhas,
são estrelas miudinhas que o céu estão a iluminar...