Acolha tuas águas
reconheça tua história, ancestralidade
conheça tuas correntezas
Aceite suas marés
Guarda tua alma, seu interior
na doce magia daquele luminoso céu de sabedoria, abundante de amor
te ensina a se agradar, se abraçar em primeiro lugar contemplar a si mesmo
Dona De Si
Ela é furacão de emoções
Viramundo através de suas formas
Fogo, ar, terra e água
Independente!
Insubmissa!
Destemida!
Deusa mulher
Dona de si
Toques das mil faces
dos segredos de si
soberana, que enaltecem os olhos
Invadem a alma
É vento que sopra fogo
libera os desejos
É poder, lua de mistérios
Quem ousaria
decifrar!
Griô
E sons dos atabaques penetravam em todos os voos do silêncio
Brotavam cantos do eterno continente
Não cessavam nunca
Inspiravam o velho griô
Aqueciam o Quilombo
Faziam-nos felizes
Ecos do Amanhecer
Ecoam palavras no tempo,
ressoam na profundeza do ser,
em uma sinfonia intensa de amor,
sob cantos e ritos de atabaques,
guardiãs do amanhecer, dos sonhos,
da liberdade.
Maré Ancestral
O quilombo é mar aberto,
profundo e vivo
roda acesa de memórias, de tempos:
os ecos dos ancestrais ressoam,
guiando o povo
na maré da história
e da luta contínua que navega mesmo em tempestade.
Nas encruzilhadas das águas,
entre travessias, cantos e tambores,
seguem,
celebrando a vida,
a força do coletivo.