O tempo Ainda que eu viva cem anos, não serão suficientes Para eu aprender a razão do meu ser.
Continuar lendo
O tempo Ainda que eu viva cem anos, não serão suficientes Para eu aprender a razão do meu ser. Mesmo que passe uma vida inteira em busca de um sonho Mesmo assim, ficaria surpresa, que, ao chegar lá bem no final, Nada fosse encontrado, nem sonhos, nem paredes Nem uma flor sequer. Só um vazio constante Daqueles que perfura a alma com tanta quietude Que arremessa para longe qualquer possibilidade De aceitação ou de recusa de si mesmo. É como dor que não cessa, mas que dela precisamos Para nos sentirmos vivos, inteiros, mesmo que no momento Estejamos em cacos. Dilacera esse maldito tempo, pois ele mesmo dá o tempo de criar e recriar De nascer e de morrer, de ter e de perder, como uma efêmera estação Que passa para dar lugar a outra que se inicia. Ou ainda como a noite que termina e o sol nasce no horizonte, que este pode ser aqui Ou acolá, depende das horas e do lugar. Porém continuo sem tempo, de viver, de amar Porque perco tempo em não estar em lugar algum pelo simples fato de não existir.