RUA DOS JUDEUS
Pelo chão daquela rua
Passa um trilho de trem.
Casarios bem antigos
A ruela também tem.
Do passado holandês
A sinagoga se fez
Pro judeu rezar amém.
(Homenagem à Rua do Bom Jesus, a antiga Rua dos Judeus, no centro do Recife, onde judeus se estabeleceram durante o domínio holandês em Pernambuco no século XVII).
PAI E FILHO
Ei, papai, estou bem alto,
para o céu eu vou voando,
como um super-herói,
que o mundo vai salvando.
Um dia vou te ensinar
como se faz pra voar,
e vai aprender brincando.
A vida é como um eco
Que ressoa da montanha.
Se alguém agride e bate,
No revide só apanha.
Mas quando pratica o bem,
Sem ter que olhar a quem,
Nunca perde e só ganha.
CIDADE DO FREVO
Recife é a cidade
Da cultura popular
Onde se dança o frevo
Que consiste em pular
Segurando a sombrinha
Ouvindo o Vassourinhas
No carnaval a tocar
CÉU NUBLADO
Se o tempo já fechou
E a chuva vai chegar
Se proteja nesse dia
Logo tudo vai passar
Céu nublado e dia frio
Recife sombrio
O mistério está no ar
O COELHO
Vivo de orelha em pé,
Curioso a espirar,
Forço a pata traseira,
Dando impulso pra saltar,
Eu adoro uma lavoura,
Onde há muita cenoura
Para eu saborear.
Mas veio o bicho-homem
E se pôs a me caçar.
Queria um prato novo:
Coelho ao molho no jantar,
Então fico no arbusto
Para não levar um susto
De um humano me matar.
AMIGOS ETERNOS
Muita gente já passou
Ao longo da caminhada,
Um colega de trabalho,
Um vizinho de estada.
Mas amigo para mim
É quem fica até o fim
De toda nossa jornada.
O ARQUIPÉLAGO
Viajei pelo Atlântico
No meu barco a navegar
Encontrei uma bela ilha
Que passei a explorar
O lugar é um paraíso
Por isso o meu juízo
Foi pra sempre ficar lá
CASTELO ZÉ DOS MONTES
O castelo Zé dos Montes,
Situado em Sítio Novo,
Bem no sertão potiguar,
É obra que é do povo.
Faz um grande labirinto,
Acredite pois não minto,
Lá feliz eu me comovo.
A CASINHA
Bem no meio da floresta
A casinha isolada
A luz é do vagalume
O som é da bicharada
Da terra vem a sustância
Do rio água para a estância
Natureza abençoada
LGBTQIA+
Lutam pra ver seus direitos
Garantidos pelo Estado.
Brigam contra intolerância,
Tentam ser acreditados.
Querem o fim de tanta dor,
Imploram por mais amor,
Anseiam ser respeitados.
RIO ADENTRO
Até breve, meu amor,
vou seguir o rio adentro,
buscar peixe pra pescar,
garantir nosso fomento.
Vou sem hora pra voltar,
só pensando em retornar,
para ter nosso momento.
A CHAPADA
Quero sempre olhar o mundo
Como quem está na chapada.
Lá do alto dá pra ver
Se há perigo de emboscada.
Também posso dar a mão
E ajudar o meu irmão
A subir na escalada.
NAMORADOS
Andei muito solitário
antes de te encontrar.
No frio da madrugada,
eu vivia a vagar.
Então você apareceu
de mansinho, amor meu,
me fazendo despertar.
Pimenta no olho alheio
não é para ser refresco.
Muita gente agora passa
sofrimento gigantesco.
Um gesto de humanidade
independe de idade
e também de parentesco.
O GUANACO
É parente do camelo,
Uns pequenos, outros grandes,
Come a relva da estepe,
Lá na região dos Andes.
Mas não chegue muito perto
Pra não levar coice certo,
Deixe que eles vão e andem.
O COQUEIRO
Ele fugiu dos irmãos
para conhecer o mar.
Numa pedra encravou
e não conseguiu voltar.
Por toda eternidade,
na areia da saudade,
o coqueiro irá ficar.
VACINA
O momento é de emoção
quando a gente se vacina.
Mas ainda não é tempo
de retomar a rotina.
Falta a segunda dose,
que não é uma overdose,
assim diz a medicina.
(Poesia em homenagem ao programa de vacinação para combater a pandemia de coronavírus, que fez muitas vítimas fatais no país e no mundo).
Recife, 14 de junho de 2021.
A saudade é um bichinho
Que só faz incomodar.
É zumbido de mosquito
No ouvido a chiar.
Se tiver muito carente,
Use logo o repelente,
Vá pra perto namorar!
DICIONÁRIO DE PERNAMBUQUÊS II
Apressado é "avexado"
Peso leve é "maneiro"
Pivete é "maloqueiro"
Preocupado é "aperreado"
Tolo é "abilolado"
Rir dos outros é "mangar"
Discutir é "arengar"
Palhaçada é "munganga"
Feio é "cão chupando manga"
Ir embora é "lavrar"
O PARQUE
Em meio a tanto concreto,
Prédios, carros e asfalto,
Mais parece um oásis
O parque arborizado.
Gosto de correr por lá,
Alguns vão só caminhar
Com a natureza ao lado.
CINEMA EM CASA
Nunca passei tanto tempo,
horas na televisão.
Mas até que um filminho
traz cultura e diversão.
Se na rua tem problema,
faço em casa meu cinema,
com pipoca e telão.
Já pensou se certa feita,
num futuro não distante,
em um mundo inconstante,
não tiver mais natureza,
sem riacho e correnteza?
E se todo rio secar?
E se água acabar?
O que você vai beber?
A do mar não vai poder.
Só nos resta preservar.