Soa
Uma amada vira patroa
O marido logo enjoa
E a relação destoa
O amor agora magoa,
Toda a alegria voa
Trazendo dor que ecoa
Tomada a sua coroa
Seu lar já não abençoa,
Pelo contrário, amaldiçoa
Esta alma linda e boa
Passa comer, semelhante a leitoa,
E no banho não se ensaboa
Transtornada, essa pessoa
Torna-se feroz leoa
E sai à caça, à toa
Contra o ex, apregoa
Vingança e não perdoa
Mesmo que, interna, se corroa
Solitária como canoa
Ela, ao primeiro, se doa
Que belas palavras entoa
Mas a doença ainda agrilhoa
Afogando-a numa lagoa,
De tristeza que tanto escoa.
Rodemir 230919
Vem
Vamos em frente, atrás vem gente
Vamos embora, está na hora
Vamos de lado, está atrasado
Vamos entrando, está fechando
Vamos junto, resolver o assunto
Quem fica parado é poste,
Então vamos, mesmo que não goste.
celulose
sou apenas de almaço ou sulfite
onde se escreve, o pobre e a elite,
usando impressão, caneta ou grafite.
não posso dar palpite,
este conto jamais é bipartite
e para papel também há limite.
não participo de casamento ou desquite,
sou apenas aquele que transmite
uma história, um texto ou o convite.
desejo que você acredite
e se possível me facilite,
apenas viva, escreva ou digite.
se errar, não se irrite,
tenha calma não grite.
apague, reescreva, reedite.
se amassar e rasgar, não hesite
lembre-se e evite.
venho da celulose e não da celulite.