Fogo: Da fagulha e cultivo Há algo no fogo que agita seus dentros.
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Fogo: Da fagulha e cultivo Há algo no fogo que agita seus dentros. Algo fundamental, elemental. Ecos primitivos. Anamneses fossilizados. Inscritos em rupestre e/ou cuneiforme, no mais profundo do nosso âmago. … Ainda que soterrado, seu cérebro reptiliano ainda tem aquele rolo de fita magnética em preto e branco dos causos de seu tatatatatatatatata… tataravô. Aqueles que, quando jovem, lhe capturavam a atenção ante a fogueira. A brava luta contra um tigre na savana; a emboscada contra um mamute duro na queda; ou como a tribo sobreviveu ao ataque surpresa de uma tribo inimiga, em uma fatídica noite. … Há sempre algo de familiar no fogo. Talvez isso se deva ao seu caráter duplo. E o duplo, se sabe, reverbera conosco sempre a níveis profundos, irremediáveis. Isqueiros, caixas de fósforo e fogareiros elétricos nos tiraram a trabalhosa e prazerosa arte de se iniciar o fogo. Não se busca mais faíscas, pois podemos simplesmente acioná-las através de algum dispositivo. Quedas de energia e até mesmo blackouts viraram nossos grandes momentos. Eis, então, o momento para o restabelecimento de laços, o momento para as conversas necessárias, para ver o que se sobra quando smartphones e televisores param de ocupar nossos vazios. Eis a hora de se virar. Gastar duas caixas de fósforos e meio litro de álcool, a fim de trazer uma sobrevida à fagulha restante.