SINTO SAUDADE Sinto saudades do que fui outrora, Rapariga alegre, feliz e descuidada
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SINTO SAUDADE Sinto saudades do que fui outrora, Rapariga alegre, feliz e descuidada De alma sã, crente e acostumada, Aos pobres socorrer, aos tristes consolar, Verdadeira antítese do que sou agora. Nem quero crer, sequer, que possa ser Aquela desumana e fria criatura Irónica, descrente e imperturbável Com o sofrimento alheio. Pois sou EU! Meu outro EU! Aquela que o Destino adverso em mim criou Aquela que o Desprezo tem alimentado, Aquela, que o meu verdadeiro EU matou! P'ra que hei-de Eu ser Humana, e dar meu coração?! Se em troca só encontro Cinismo... Ingratidão!... Porque hei-de Eu chorar a Dor que não é minha?! Se a minha propria Dor, lhes é indiferente!... P'ra que hei-de Eu confortar os estranhos prontamente Se as minhas tristezas as conforto Eu, sozinha?! Não! Eu quero ser quem sou agora... E se algum dia, no decorrer da Vida Meu Eu, voltar, dir-lhe-ei ainda dessa vez, Que me deixe... Que se vá embora! _ Mas quanto mais o tempo vai passando Mais a saudade do que fui, me invade! A mascara cai, da minha falsidade... E ao recordar quem fui... MEUS DEUS! Fico chorando.