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Frases de Risomar Sírley da Silva

341 frases

'Sou //Mudo// //Mundo//
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'Sou //Mudo// //Mundo// //Confuso// //Patético// //Hermético// //Concomitante// //Escuridão// //Horizonte// //Imensidão// ...'

'CASAMENTO' Era magro como os arbustos secos. Olhos turvos.
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'CASAMENTO' Era magro como os arbustos secos. Olhos turvos. Sorriso deformado no caule. Pele escura queimada ao sol. Desprezível na altura. Camisa de botões aberta acima até embaixo, surrada. Na parte de baixo, vestira algo como um bermudão maior do que lhe coubera, amarrado com uns cipós enfraquecidos. Facão enferrujado, andar distorcido... Morava nas matas, sentia-se dono. Receoso de diálogos. Mãos calejadas e aspecto casando. José plantava moisaicos, cozia na lenha molhada. Asfixiava peixes com as mãos. Engolia banho de rios. Pouco insinuava na terra seca que morava. Colhia o que lhe davam, tinha poucos afetos... Intacto na linha do tempo, José não tera casamentos, conjugou-se com as quimeras, chapéus de palhas. Vivera a vida acaçapado, perdidos entre matas. Cantando entre pássaros, criando melodias de uma 'vista perdida'. Lá no fundo, não afirma ser feliz ou se a vida é um tédio. Sabe-se que tem nome forte, e uma ostentação no respiro, nada cotidiano visto por fora...

'ESTRANGULA-TE' Molha teus pés nas praias desertas. Elas te esperam medonhas,
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'ESTRANGULA-TE' Molha teus pés nas praias desertas. Elas te esperam medonhas, curvando calor, chuva, vazão. Pede morada nas pequenas cabanas, enche-as de relíquias, adormece. Estrangula-te enquanto há tempo.... Cobri-te de vaga-lumes, corre de encontro aos rebentos, paredes de afagos. Submerge a cabeça nas águas passageiras. Suspira-as. Engole o que te inflama olhando teu reflexo extraordinário, repentino... Donde vai tão mesquinho? Sufoca-te e vê as neblinas até onde te sustentam. Devora as flores que te contornam sentindo os contratempos nas hemácias!. Celebra a vida com jeito de criança e a credulidade de quem dorme, rescendendo montanhas, terras molhadas...

'AMOR MACRÓBIO' Sinto o amor de uma forma tão errônea, tão moldada,
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'AMOR MACRÓBIO' Sinto o amor de uma forma tão errônea, tão moldada, tão sonhada, tão tristonha. O amor que outrora voou. Outros estão florescendo. Não cabem no peito da dor! Mas sinto-o das formas tão variadas. Redondo, quadrado, túmido, medonho. Ah amor! Sinto-te ainda sepultado. Fulgente nas estrelas! Antiquado nos enamorados. Quero-te amigo, opoente, dormindo, acordado! Tônico e dormente. Hesitando as tantas moradas em mim...

‘ÁLCOOL’ Às cegas, a cozinha definha. Sozinho, a madrugada consome.
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‘ÁLCOOL’ Às cegas, a cozinha definha. Sozinho, a madrugada consome. O gosto de vodca tem fome. Paredes anunciam rotinas. No estômago, a água declina. Desequilíbrio a cabeça tortura. Na vida, tudo amargura. Vulneráveis pernas toxinas. Metafísica a cadeira suporta. Reflexos viajam no fardo. Não atendera vozes de portas, Ou sentimentos desesperados. O vazio fingiu-se, desbota. O álcool ficara calado!

'PAIXÃO' Quando noites viram alvoradas, e os dias crepúsculos.
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'PAIXÃO' Quando noites viram alvoradas, e os dias crepúsculos. Trilhas encontram-se sem planos, corações colidem acelerados. A harmonia da felicidade escorre pela face. Reciprocidade no primeiro encontro, nada forçado... Quando os olhos discursam uma língua a dois. E a vontade do abraço denota alimento. Suspiros transformam-se delirantemente. São paixões criando novos casulos, sementes. É a tortura dos enamorados à flor da pele, sedentos na ausência do outro, inseguros nos passos... A paixão cria hifens, ansiedades. Terras inexploradas. Mãos amparadas, incessantes por juras de amor. É a imaginação flutuando nos corações até então desconhecidos, criando trama de futuros já traçados. Quem sabe vidas, novos escritos...

'ESPERA' Mãos cruzadas e o olhar breve não vira a noite passageira, desnorteada.
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'ESPERA' Mãos cruzadas e o olhar breve não vira a noite passageira, desnorteada. Ainda respiro a escrivaninha que não perdura. Olhos intrigam as paixões que rodeiam. Sou grito, aflição. Melodia sem compasso, noites sem luar... Mergulho expectativas sombrias, avulsas. Permuto passos que conspiram a ação do tempo. Abraço palavras duradouras, persistentes. Tenho excelência pelo azul da aurora. Relógios que não andam, aguardos... Tudo passa tão velozmente. O coração imóvel ainda pulsa tua espera, solidão. Sou criança nas circunstâncias do tempo. Respiro sequelas. Murmuro abraços. Dilacero interrupções, proteção... por Risomar Silva.

'BARCO' Mundo sem continentes, Fumaças de verbos.
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'BARCO' Mundo sem continentes, Fumaças de verbos. O barco veleja sem linha de chegada. Ventos sopram abrigos inexistentes, Embriagando direções, Satirizando lágrimas, Velas chamuscadas... Navegações sob escombros, Tempo cerrado. Razão devastada no entardecer. À procura de tantos mares, Terras submersas. Sem tempo presente, Sentidos microscópicos... E o barco navega perpetuamente, Sempre desvairado. Levando os poucos homens solventes, Sem almas, Já cansados. Á procura de abraços, Uma ilha qualquer...

'SER PROFESSOR' Ser professor, é ser gigante.
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'SER PROFESSOR' Ser professor, é ser gigante. Daqueles mirantes que veem o por do sol no infinito. Força descomunal nos mares escaldantes. Ensaios vários nos quadrângulos. Investigador da essência dos homens. Transformador de mundos... Ser professor, é ser explorador de mananciais a serem moldados. Indagador das naturezas. Na dor, é um excepcional 'super humano'. Com suas dormências, melancolias... Ser professor é ter passos largos, talvez limitados. Mas sempre em movimentos. Poço de boas ações rigorosas e flamejantes. Sorriso no rosto, trabalho árduo, Plantando vidas futuras...

'SER...' Sou rima, lençol,
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'SER...' Sou rima, lençol, pecado... Semente esparramado, seca, freático... Soldado ferido, insensato, solitário... Calabouço, místico, para-raios... Perdido em multidões, nuvens, bárbaros... Embatucado, solstício, açoitado... Sou pedras, lanças, armaduras... Loucuras, ferraduras, homem de aço...

'FALANDO DE AMOR...' És sublime, tornando-te árvores de ambições,
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'FALANDO DE AMOR...' És sublime, tornando-te árvores de ambições, sensações, almas. Metamorfose na rotina infindável. Chama nas incontáveis tempestades, magias... Custoso falar de amor. Centenas de ramificações, definições. Como expressar o que tentamos definir por toda uma vida? Inacabável na alma, incitando poetas, artigos, poesias...

'JOSÉ ERA SINOPSE' José era sinopse, linhas vazias,
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'JOSÉ ERA SINOPSE' José era sinopse, linhas vazias, extinção. Apanhara estrelas, sonhos avulsos. Jogara com o destino. Equilibrou partidas. Abandonou-as. Caiu, levantou-se... José era sinopse Imbuíra melancólicas pressuposições, caminhos tortuosos, veredas. Correra de encontro aos ventos, equilibrando-se em cordas, fumaredas. Sem orações, abraços, ou reiterações... José era sinopse, mas transformou-se é compêndio, documentários. Fixou amor, caracteres, permanência. Redige a própria história. Com seus conglomerados temas, tenta haurir reflexões, escrever trajetórias, poemas...

'SOMOS ARTISTAS...' A vida pendurada na janela. Avenidas em molduras,
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'SOMOS ARTISTAS...' A vida pendurada na janela. Avenidas em molduras, martelos. Antes a paisagem fosse risonha, cantada à beira-mar, neblinas suaves, amplificadas. A vida sempre ecoa, mistérios, limoeiros, marteladas... Pequenos e grandes passos se vão, agora nevoeiros, escadarias. Matéria diluída, sem paradeiro, saguão. Deixar-nos-emos saudades. Eis o retrato da vida: passageiro como trem! Bela arte, invenção...

'DECODIFICAR' Nas margens do rio Tapajós, na ribanceira,
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'DECODIFICAR' Nas margens do rio Tapajós, na ribanceira, a casa de taipa, coberta de palha e uma paisagem deslumbrante à frente. O rio enorme provocara admiração. As casas eram próximas uma das outras. O acesso dava-se por uma trilha, onde, na escuridão, dificilmente se saía dele... Nas noites de lua cheia, sempre nos reuníamos, sentados à frente da paisagem para ovacionar aqueles reflexos que batia na face. O retrato ainda é real e intrigante. Sentados em 'rodas', ficávamos a cantar em coro com a ajuda de um velho violão abatido. Nas tardes frias e cinzentas, gostávamos do frescor dos ventos. Eles falavam uma linguagem que só agora, depois de muito tempo, começamos a decodificar....

'ANO POLÍTICO' Tempo de cidadania, dos indecentes.
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'ANO POLÍTICO' Tempo de cidadania, dos indecentes. Das escolhas dos representantes, do 'NADA SERÁ COMO ANTES'. Dos reflexos que não mudam, mudas que não brotam em meio a tantos fertilizantes, terra boa para plantar, cultivar... Elegemos nossos reflexos. Elegantes estampados na tribuna, triunfantes. Roedores sem identidade? Que nada! Fazemos parte! Há muito da nossa cultura no palanque, cultura irritante... É também o ano das equivalências, cidadãos plantando esperanças em meio ao sol. Dos que tentam transformar o desequilíbrio das formas. O céu não transmudará repentinamente, já é tarde! Esperarmo-lo ei há tantos anos. A 'identidade' já estar enraizada em naufrágios, sufrágios, símbolos covardes...

'OUTUBRO' Há multidões em ruas coloridas, betumes.
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'OUTUBRO' Há multidões em ruas coloridas, betumes. Fogos e tantos fungicidas, artifícios. Representa-se 'partidos', 'fatias'. Céus de esperanças, exageradas mudanças... País de adornos, adereços desabrasileirados. Ilusão paraense, paulistano, nordestino. Covis Inter-raciais disputando palanques, qualidades, personagens, discursos. Mistura embaída, bandeiras coloridas... Subsiste-se eloquente até a data prevista. Impetuosos nas pranchas de sonhos, anseios. Todavia, são balões que esvai-se no espaço. Tácitos desesperados, agora desalentos, brasileiros, utopias...

'HIPERTEXTO' Absorvo cliques secretos, cursor entre páginas,
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'HIPERTEXTO' Absorvo cliques secretos, cursor entre páginas, colunas. Anônimo sem eco. Virtual, visceral, subscrito... Ausento realces, linhas, endereços. Incógnito 'fontes', cobertores, diálogos. Plagio códigos, bibliotecas... Ratifico o abandono, trilho embaraçado. Invento faces, ego gelado. Sou impressão nos dias de chuva, 'Web matéria', punhados de agravos...

'MURO' Tenho uma casa com algumas janelas. Mas tenho em especial uma janela. É através dessa que observo profundo e genuíno as pequenas e grandes coisas da vida. Sentado ou reclinado, a vista parece imensa. Vejo mares, rios, lagos, grutas. Porém, na maioria das vezes, avisto uma…
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'MURO' Tenho uma casa com algumas janelas. Mas tenho em especial uma janela. É através dessa que observo profundo e genuíno as pequenas e grandes coisas da vida. Sentado ou reclinado, a vista parece imensa. Vejo mares, rios, lagos, grutas. Porém, na maioria das vezes, avisto uma parede de concreto. A parede é mesmo concreta! Já as tantas águas, eu as aprecio, coloco sobreposições para deixar os dias mais insinuantes e deleitáveis. Mas a 'parede', essa é diária. Tenho vontade de derrubá-la, pô-la ao chão. Comer alguns pedaços de tijolos. Esmiuçar o cimento inerente à minha visão limitada. Mas não tenho impulso, tampouco robustez para colocar uma parede tão bem acertada ao chão... Mas hoje, meu olhar quotidiano divisou uma aprazente neblina e por trás dela, uma nuvem carregando pingos d'águas. As paredes do muro ficaram encharcadas. Pensei: - já que não tenho marretas, talvez um martelo resolva! E assim o fiz. O muro fragilizado, em poucos minutos transformara-se numa grande ruptura e destroços. A partir de então, pude ver através do mesmo que, havia um outro muro a ser quebrado. E levantando mais a visão, compreendi que havia dezenas de muros para serem derrubados. Foi então que cuspi alguns pedaços de tijolos e voltei novamente para minha visão, já embaçada por tantos muros, mas que agora, precisaria de um tsunami para que êxito eu tivesse nas minhas tantas derrubadas...

'SOLO' Levanto o olhar e não avisto as frondosas árvores de outrora. Apenas máquinas e homens subalternos.
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'SOLO' Levanto o olhar e não avisto as frondosas árvores de outrora. Apenas máquinas e homens subalternos. Traçando suas trilhas sob o solo que os sustentam. Dementes por destruição. Com suas minas e pás causando tragédia, catástrofes do homem ambição... Sopeado por milhares de pessoas, o cheiro da terra é infértil. Estampando ser capazes de escolhas, mas na verdade são apenas traços, criados por uma cultura inventada e uma Terra transformada, latente... Um homem distorcido tenta se formar na tentativa que o equilíbrio retorne, generoso como antes, pré-histórico. Porém, no asfalto, esboços brotam calor, igual a um pedaço do inferno, que fecunda a cada geração. O solo já não é o mesmo, respiramos evolução, e o bordão são ciclos modificados, mal arados, sem deuses para proteção...

'CALAFRIOS' Permaneces aí prostrado, herói.
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'CALAFRIOS' Permaneces aí prostrado, herói. Imortal tal qual meus poemas dormentes. Anacrônico, fiz setenta semana passada. Fantasiando abraços, crenças. Destinos grisalhos, sombra molhada... Estrelas aportam teus fascínios. Porém, caem sem que percebamos, devorando terras prometidas, paralisadas! Enérgico, seguras meros destinos com as mãos. Impelindo sonhos, fincando o divã do alvorecer... És letal, ainda não sei! Mas tenho calafrios na espinha dorsal. E falo de amor usual aos tantos órgãos fatigados. Recitando canções diurnas, sou breve poema. Épico paradisíaco. Infernal...

'SONHOS' Nas noites veementes, tenho você p'ra segurar-me à cama,
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'SONHOS' Nas noites veementes, tenho você p'ra segurar-me à cama, enroscando caminhos traçados, novos atalhos... Tudo será suavizado, quando ampara-me aos teus braços,, e as palavras sôfregas flutuarem, cultivando metáforas... Sonho letargias à amada invenção, e tantos outros axiomas. Descabidos devaneios, ter-se tempo à uma nova paixão? Não sei! Tudo dura tão pouco. Talvez - crianças roucas, amores em vão! Debruço o paisagismo na velha cama acolchoada, e a alma, já cansada, retangular... Quer imensidão, Novos amplexos. Arraigar o concreto. Despertar...

FELICIDADE?[2] Minha Mãe perguntou o que é felicidade e eu tentei responder: Felicidade é uma caixinha de surpresa mãe!
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FELICIDADE?[2] Minha Mãe perguntou o que é felicidade e eu tentei responder: Felicidade é uma caixinha de surpresa mãe! Não tem hora de chegada. Ela pode estar num abraço apertado. Num sorriso prazeroso. Às vezes reflete um amigo ausente que apareceu inesperado. Na troca de olhares sincero entre as pessoas. Felicidade pela sua simplicidade, ultrapassa o entendimento dos homens que a complicam ao extremo. Felicidade é saber que temos pessoas que se preocupam com a nossa felicidade. Pode estar distante, mas na maioria das vezes, está ao nosso lado e não percebemos...