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Frases de Risomar Sírley da Silva

341 frases

⁠⁠O espírito, quando exausto, torna-se um rio sem correnteza. E que água parada pode saciar a sede alheia? É duro estender as mãos aos outros quando a própria alma carrega o peso dos oceanos...
⁠ROSA, ESPINHO E RAIZ Rosa, teu nome é um verso antigo que o tempo não soube decifrar. Teu corpo, um mapa de cansaços dobrados em silêncio. Cada ruga, um caminho que não escolheste. Os dias te escorrem pelos dedos como areia grossa, e ainda assim, seguras o peso do mundo nas cos…
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⁠ROSA, ESPINHO E RAIZ Rosa, teu nome é um verso antigo que o tempo não soube decifrar. Teu corpo, um mapa de cansaços dobrados em silêncio. Cada ruga, um caminho que não escolheste. Os dias te escorrem pelos dedos como areia grossa, e ainda assim, seguras o peso do mundo nas costas curvadas. Erraste como quem planta em terra seca, mas regaste com lágrimas o que a vida insistiu em queimar. Nada muda, mãe. Os anos passam e te deixam a mesma dor, só que mais quieta, mais funda, como um copo quebrado colado com saliva... Os teus filhos - esses estranhos de teu próprio sangue - não veem que o desprezo é uma faca sem cabo: fere as mãos de quem a segura. Eles não sabem, Rosa, que um dia a solidão baterá à porta deles também, e trará o mesmo sabor amargo que tu engoles há décadas. Choras às escondidas, esfregando no avental manchado as lágrimas que ninguém merece ver. O espelho já não te devolve o rosto que um dia foi jardim; agora só mostra os espinhos que cresceram por dentro, enquanto teu sorriso murcha devagar, como flor esquecida no vaso... Mas oh, mãe ferida, tua raiz ainda segura a terra. Mesmo quando o vento sopra forte e os frutos caem podres aos teus pés. Há uma luz trêmula em ti que nenhum abandono apagou. Talvez porque o amor, quando é de mãe, seja o único fogo que queima sem consumir. Rosa, eu te vejo. Se os outros não olham, eu escrevo teu nome na parede escura desta história. Não serás apenas a que sofreu. Serás a que resiste, mesmo quando o mundo te diz que já não há razão. E no teu peito partido, lateja um verso que ninguém ouviu: Eu era forte, e ninguém perguntou...

⁠'A VIDA QUE SONHEI...' Não é fuga, é escolha. A cidade, aquele emaranhado distante, um rumor confuso,
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⁠'A VIDA QUE SONHEI...' Não é fuga, é escolha. A cidade, aquele emaranhado distante, um rumor confuso, onda que quebra noutra praia que nao é a minha... Aqui, o canto dos pássaros, as 4h da manhã, é pontual como o sol, notícia clara do dia que se abre [anunciando]... O vento, esse sim, fala baixinho, corre nos ramos e no pomar, refresca a nuca, leva poeira que não é de asfalto... O rio [TAPAJÓS]. Esse não pede licença nem estrada, corta a terra como quer, sem margem que o contenha verdadeiramente. Água que brinca com a luz, corre só porque existe, é esplêndido sem dono... A sombra da Castanheira no quinta não é refúgio, é casa. Tetos de folhas que filtram o sol em manchas dançantes, piso de terra macia, fresco. Silêncio que preenche, não esvazia... E nas mãos, o peso bom da terra: fruta colhida no pé, gosto que vem da raiz profunda, açai que tinge os lábios de roxo, cupuaçu que derrete doce-amargo na língua, cheiro de coisas que nasceram aqui, sem pressa... Só parece solidão para quem não contempla o vento, não sente o cheiro da raiz, do balançar das redes, não conhece a paz de estar inteiro no lugar certo do mundo, ou num pedacinho que é só seu... --- Risomar [Sirley] Silva --- No sítio