Desatinadora
Guardou-me o tempo meio as trevas,
minha dita poesia,
ditada por tal alegria,
qual consumia dor em noite fria,
fizera-se em canção,
por entre migalhas morte logrou,
qual glória desbotou-se em jazigos,
ceifada vida desfez,
levadas em cantigas sem dó nem ré...
Não impeças de sorrir
Respeitável mundo louco;
venho até vós;
vos pedir em bizarrices mais amor;
estou perdido e comovido;
falta-me clamor;
pois agora altissonante brado;
flagelas essas flores;
em meu solo;
só por lágrimas em pó;
lhe peço e lhe digo;
perpétuo serás teu nó;
confundem minh'alma;
por tais choram;
aquele tempo embromado;
aos ventos me arrependo;
qual me levas;
dentre as horas espero;
que meu palpitar se encerre.
Sabia noite que aquebranta dores e aqueces corações; tão machucados que estejam; ao encontrar o ser amado se cortejam; nasce; enfim; as chamas do amor; levemente engessados; medos mais não sentem; jamais se conterá; o carinho e a ternura se fundem no qual; romance astral... Amar és combater; és algo tão belo; quanto ser o mais normal dentre os normais...
No calar do tempo
Aquele amor escoou;
pelas fendas da vidraça;
carrega chuva minhas lástimas;
levas ao isento minhas palavras;
jamais desfaças;
aquele amor juvenil;
largo e raso entre apagados;
lembranças na estrada;
nossos acalentados beijos;
soubera voar feito borboleta;
no nosso pequeno;
abrasador espaço;
sou vil e sereno;
no rasgar relâmpagos me apago;
no teu colo bela ninfa;
curadora dos flagelos;
levas infinito; desfaz embargo.