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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

Alguém disse sobre mim: " - RIcardo, tu nasceste depois do teu tempo! És de uma época passada e caíste aqui , neste mundo, onde ninguém te entende ...
ANDORINHA A Andorinha esquece o dia Vai cansada de voar
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ANDORINHA A Andorinha esquece o dia Vai cansada de voar Porque o sonho que perdia Era ir além do mar. Tanta vida por viver Tanta rota por passar E o que irá acontecer Já não pensa em voar. Nessa hora em que sofria Pelo Céu silêncio e água A Andorinha esquece o dia Nos beirais da minha mágoa. Ai que triste, amargurada Já não voa, pobrezinha Negra como a madrugada Voa, voa Andorinha.

VAGA INQUIETAÇÃO A noite era o silêncio dos teus passos Tu não vinhas e era já de madrugada
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VAGA INQUIETAÇÃO A noite era o silêncio dos teus passos Tu não vinhas e era já de madrugada A inquietude era o silêncio sem abraços E afinal à minha porta não há nada. Era o sonho de sonhar e de querer ver-te Esperança vaga numa vaga inquietação Quanto dói ao lembrar e ao saber-te Lá longe tão distante em solidão. És mais frio que a frieza que há na rua Sou mais triste que a tristeza que me dás Teu olhar vem do silêncio que há na Lua Ou talvez da solidão que o vento traz. Não encontro outro caminho além de ti Não me sinto no calor dos teus abraços Adeus que já não te quero como quis Quando a noite era o silêncio dos teus passos.

DOIS CAMINHOS Vesti meu corpo de poesia Quando na sina ma puseram
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DOIS CAMINHOS Vesti meu corpo de poesia Quando na sina ma puseram E dei à vida mais vida À triste vida que me deram. E deram-me dois caminhos Um de rosas e um de dores Mas nenhum desses destinos No caminho tinha amores. E vivi sem ter vontade Num mundo que não existe Casei depois com a saudade De quem tive um filho triste. E o Poeta é tão frio E as flores tão espinhosas Em mim só páira o vazio Que há nos versos e nas rosas.

SAUDADES Saudades ... ... da alegria que me davas
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SAUDADES Saudades ... ... da alegria que me davas de quando me dizias de quando me falavas daquilo que sentias ... Saudades ... ... trago-as aos molhos escorrendo pelo rosto Caindo-me dos olhos deslizando pelo corpo! Saudades ... muitas ... tantas, como pedras, como lousas, ocas, frias como campas ...

PALAVRAS INQUIETAS Há palavras inquietas A bailar na minha mente
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PALAVRAS INQUIETAS Há palavras inquietas A bailar na minha mente É o sangue dos Poetas Minha terra, minha gente. Bailam versos nos meus dedos Tempestade que me acalma O que sinto é meu segredo Bailam rimas na minh'Alma. Eu não sei o que me prende Ao desejo de te amar A minh'Alma não entende Se há-de rir, se há-de chorar. E como baila a solidão Há palavras inquietas! Porque bailam sem razão Nas Almas dos Poetas?!

NINGUÉM VIU Há saudades nos meus dedos De quem passou sem ter passado
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NINGUÉM VIU Há saudades nos meus dedos De quem passou sem ter passado Trago dores e segredos Em silêncios magoados. Como a ave que partiu Pra lugares além da vida Fui tão só que ninguém viu Que passei de Alma perdida. Tenho as mãos presas ao vento Como o vento preso ao mar Como a vida presa ao tempo Como o amor preso ao penar. E agora as mãos fechadas Trazem noites, trazem Lua Trazem pássaros sem asas Trazem sombras pela rua.

HÁ UMA SEDE EM MIM QUE NÃO ENTENDO Há uma sede em mim Que não entendo!...
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HÁ UMA SEDE EM MIM QUE NÃO ENTENDO Há uma sede em mim Que não entendo!... Como se pudesse sentir Toda a secura das fontes O grito amargo dos poços O choro triste das pontes E tantos, tantos remorsos! Há uma sede em mim Que não entendo!... Sede imensa sem destino Cujo o destino é dar-me sede Uma sede que me turva Que me impele no caminho E me esbate em cada curva! Há uma sede em mim Que não entendo!... É uma sede de infinito É uma sede de verdade Uma sede que vou sofrendo Uma sede de saudade Que no fundo não entendo!