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Frases de Raniere Gonçalves

506 frases

Mas é isso mesmo, não? Estamos todos fadados ao apego desmedido. Nos esquecemos que a vida é efêmera e para voar precisamos de ventos e de velocidade. Esses sapatos de chumbo teimam em nos firmar: instintos de sobrevivência desnecessários em tempos de abastança.
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Mas é isso mesmo, não? Estamos todos fadados ao apego desmedido. Nos esquecemos que a vida é efêmera e para voar precisamos de ventos e de velocidade. Esses sapatos de chumbo teimam em nos firmar: instintos de sobrevivência desnecessários em tempos de abastança. Também tenho pensado e repensado tudo. O tempo urge, a vida escoa... Olho no espelho e tenho apenas vinte anos. Parece bobagem mas eternizar passados às vezes não passa de nostalgias recorrentes. Fiquei sabendo de planos que já ficaram para o outro ano. Pena. Os trens têm horários rígidos. E passam de tempos em tempos por nosso presente. É preciso coragem para embarcar. E também para as necessárias despedidas do que ficará pra trás. No fundo tudo se ajeita. Escolhas são sempre traumáticas mas imprescindíveis e inevitáveis. Não escolher já é uma escolha...

Ela me disse: vaca "aqui em casa é somente a pele esticada no chão da sala". Eu retruquei que é assim mesmo, que vivemos só um pouquinho.
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Ela me disse: vaca "aqui em casa é somente a pele esticada no chão da sala". Eu retruquei que é assim mesmo, que vivemos só um pouquinho. Mas antes do açougue, ou do cortume, ela bem que deve ter pastado nalguma baixada, nalguma vargem maciosa. Deve ter bebido água limpinha dalgum ribeirão e deve ter tido o sossego dalguma sombra frondosa no meio da pastaria. Seus olhos de entardecer nunca vão junto. Eles são hereditários, eternos. E eu os vejo todos os dias.

Nem bem começo a encher o balaio e a vacada vem correndo me rodear. Assim é todos os dias: vou distribuindo balaiadas e mais balaiadas pras minhas mimosas. Elas adoram mascar mangas. Comum, coquinha, sabina. Elas nem se importam muito. Só ficam lá mascando e me olhando com aquele…
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Nem bem começo a encher o balaio e a vacada vem correndo me rodear. Assim é todos os dias: vou distribuindo balaiadas e mais balaiadas pras minhas mimosas. Elas adoram mascar mangas. Comum, coquinha, sabina. Elas nem se importam muito. Só ficam lá mascando e me olhando com aqueles olhares ternos e distantes. Todas elas menos Shanti, o bezerrinho baio que comprei da minha prima. Ele ainda está arredio na nova morada. Lindo e receoso com aquele seu lençol de barbela. Converso com ele mas nada: olha para os lados, suspeitoso... É preciso vagar com a lida. No dilatado do tempo tudo se encaminha. Dia desses ele aprende a mascar mangas, dia desses ele vira mansinho. Vida rural: horizontes alongados!

O importante não é o que pensamos ser importante... Pensar nunca diz nada. O melhor,
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O importante não é o que pensamos ser importante... Pensar nunca diz nada. O melhor, o que realmente importa, é o que sentimos. Coisas como sabores, como sons ou arrepios ... Sentir vale muito mais que valores. Valores que nosso pensar nos teima em dizer... Nossa percepção abraça o que ninguém quer saber... mas lembre-se: Isso, essa certeza, ... é o que realmente importa...

Tempo que cura e mata. Tempo que enruga tudo. Tempo que nos faz olhar pra trás
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Tempo que cura e mata. Tempo que enruga tudo. Tempo que nos faz olhar pra trás quando já é tarde. E vem o tempo que tudo leva e tudo consome. Até mesmo deuses e reinos celestiais. E assim simbolismo e mitos vão tombando desfalecidos a cada ano que fica para trás. Tempo que nos ensina a impermanência do mundo, dos homens, das ações e de todas as coisas criadas. ('')

. Um lamento de saudades daqueles guarda-chuvas
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. Um lamento de saudades daqueles guarda-chuvas que ficaram perdidos pelos cantos da vida ecoa na minha lembrança. Novembro chove! Gotas com cheiros de musgo e de passado. Metrópoles molhadas nostálgicas de minha presença. Minha imaginação passeia enquanto a água para o café borbulha lá na cozinha.

Mais ou menos. É... Parece que foi mesmo uma pá de cal. Acho que toda aquela magia entre a gente acabou
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Mais ou menos. É... Parece que foi mesmo uma pá de cal. Acho que toda aquela magia entre a gente acabou pra sempre. Daquela última vez que você esteve por aqui eu já tinha sentido um gostinho assim de café requentado, ou de vulcão extinto, ou de cumplicidade abalada. Não sei. Parece que você mudou comigo. Ou talvez você tenha mudado pra mim. Não me sinto mais tão seu como antigamente. Isso tudo que escrevo não tem nada de triste. É assim mesmo: os caminhos se cruzam e depois se separam. Meu coração agora está melancólico e vazio. Sinto que será difícil encontrar um outro alguém como você que é assim tão parecida comigo, assim tão importante pra mim. Mas a vida segue e talvez ela nos seja generosa de novo. Porque você é uma figura especial. Apareça quando você quiser. Me experimente, me tente quando você tiver vontade. Mas acho que nada será mais como antes. Nós, agora, somos outros.