Mesmo eu que nunca
olhei tão longe...
Sei dos medos,
dos arrepios que
o passado trás.
Parece que perdemos
coisas.
Ou deixamos de
carregar conosco
aquilo que parecia
tão precioso, antes,
tão necessário, agora.
Havia um tempo
onde o espelho
nada significava.
Remorsos que não
cabem num reflexo...
E isso é ...
e temos que levar
tudo olhando
pra frente.
Porque nada
volta e
o que se repete
nunca é exatamente
como foi antes...
Saudades
que sinto...
Mesmo sabendo que
o que se amontoa
nas minhas gavetas
são apenas
lembranças...
Cessou a chuva, ficou o silêncio.
Um sossego cego de sentido.
Ficaram molhadas todas as ruas dos meus olhos.
Lembranças dos teus pálidos dedos delicados.
Da ausência funda dos teus beijos.
Ando ridico de palavras,
escravo de mesmices.
Fico triste de domingos vazios.
De pequenas lamparinas
que iluminam mas não aquecem.
Assim sigo tomando os mesmos venenos,
vomitando as mesmas bobagens.
Enquanto o alfange da morte não
ceifar os meus suspiros.
Enquanto os seus olhos ainda teimarem
em não me ver.
Translúcida a pedrinha derretendo
no amarelo líquido.
Lampejos ocras pulam da minha retina.
O relógio de parede me diz
que é tempo de cazuzear.
Lá vou eu,
já vou eu
tirar o pano que cobre as estrelas.
Garimpar sorrisos na água turva de mesmices.
Procurar alguma mágica
na bacia das almas desesperadas.
Trarei alguém comigo pra medir
o tamanho da minha solidão,
pra doar uma metade
do meu viscoelástico.
Um franguinho com milho verde. Pimentinha cheirosa, curtida. Acompanhamentos deleitantes...
Almocei como um padre!
Agora, com o note acomodado no meu colo,
vejo as novidades sociais da net,
ruminando no aconchego da rede.
O vento sopra vagaroso,
desviando o som dos canários do reino.
Outro domingão dentro dos meus domínios.
Antes das atribulações segundeiras,
antes das preocupações inevitáveis
que janeiro trás.
51
Precisaremos recriar novos tempos
tão bons quanto aqueles
em que os sorrisos não deixavam
nossos lábios.
Até que é uma boa ideia
essa aguardente dos anos.
Inebriar-se de lembranças,
beber amigos,
emprestar felicidades liquidas.
Abraços meus eu te deixo.
Eletrônicos e eletrificados de sentimentos.
Outros eu mesmo os darei,
em pessoa,
logo.
Algum de torniquete
pra fundir saudades,
pra suspender o tempo.
Joyeux anniversaire charmante demoiselle!!!!
Indelicada?!
Foi não.
Vivemos assim mesmo: nesse
emaranhado de novelos, nesse
samsara cotidiano.
Você é um doce sim.
Muito, sempre.
Eu que não ando
de alegrias.
Mas vai passar.
Tudo passa, não?!
Vou lá na cozinha
temperar meus olhos,
espantar minha fome.
Depois volto de novo
para inebriar meu senso
nesse ópio eletrônico.
Vou tocando a lida,
seguindo a vida.
O gado tem de comer e eu
empurro minhas tristezas
pra debaixo do tapete dos dias.
Já é quase nada.
Amanhã esqueço.
Nunca havia pensado por esse lado.
Morte nunca havia estado na minha pauta.
Até agora,
até anteontem.
Talvez daqui por diante eu aprenda a valorizar mais
o que realmente importa.
Ou talvez tudo volte a ser como antes
com o cotidiano me engolindo até que ela,
a morte,
me espreite (ou me leve) de novo.
Que as velas se encham com os ventos da mudança
e me levem a um incerto indefinido
mais leve de ser vivido.
Ando um pouco doente. A garganta em flamas.
Tive um pouquinho de febre mas já passou.
As injeções só não me tiraram a tristeza.
Recorrências.
É assim mesmo. O mundo abarca a gente.
Ficamos prisioneiros.
Cativos das mesmices,
dos vórtices concêntricos
de nossa inexpugnável redoma.
O que você precisa não cabe nas minhas
palavras escritas.
Ademais foram duas viagens.
Uma mundo afora,
outra mundo adentro.
Eu tenho pequenos rabiscos apontados que
não dizem mais nada.
São recortes que ficaram perdidos no tempo.
Mas se você ainda quiser eu te contarei
lembranças.
Imagens que resistiram aos anos,
aromas fugazes, sobreviventes a tantos outros.
...
Um dia antes da morte.
Ou mesmo quando seu destino
se aproximar do meu.
Apenas penso
que o sentido da natureza
humana (e das coisas, e de tudo)
está na impermanência.
Mesmo nossas vidas
são temporárias.
Estamos só de passagem
pelo mundo
e pelo mundo das pessoas.
O átimo da felicidade
é o desconhecido.
Quando a chama da surpresa
se apaga,
também finda
o amor.
Assim simples.
Você pode até tentar prender
o seu coração
numa relação monogâmica.
Pode até dar certo por algum tempo
e haver felicidade.
Mas não é da natureza humana.
Os corações não têm amarras.
Quando aprisionados
entristecem.