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Já, já vou indo...
Por aqui:
Coisas e marasmos.
Marasmos mineiros,
ondas bovinas,
poeira verde
nas ventas.
Saudades daí,
sinto.
Da pressa dos carros
e dos passantes.
Dos sorrisos esquálidos,
dos projetos risíveis,
indizíveis.
Vontades minhas,
gastronômicas,
da padaria da esquina.
Da Liberdade.
De andar por ruas
e pelas vinhetas sonoras, daí...
Bobagens que recolherei,
logo,
logo,
abraçando vocês.
Antes de agosto findar.
A gosto meu estarei
por aí.
Só falta um pouco de vento.
.
.
Agora tusso
como um basset asmático.
Mas é assim mesmo.
Logo passará
e eu voltarei ainda outra vez
aos mesmos venenos.
A vida é um círculo de vícios necessários.
Samsara.
Prazeres e, depois,
lágrimas pseudo-arrependidas.
Nos enganamos o tempo todo.
No fundo pensamos que nós somos os outros
a quem podemos iludir.
Tem gente que até consegue.
Vislumbres do irremediável.
E quem quer a verdade?
Melhor sonhar,
melhor o êxtase!
.
.
Você sabe... Eu vou indo assim
como se não fosse...
Mesmos desfechos com copos
diferentes...
Quando o ano vai acabando
eu me sinto triste:
Parece que não conquistei
todos os territórios que
me pertenciam por direito.
Meu cavalo anda troteando em refugos.
Não sei... Novembro chove. Gotas com cheiros
de musgo e de passado.
Minha mochila está pronta de novo. Perambular
me faz enxergar meu umbigo.
Bobagens, outras, bobagens...
.
«
O vento da tarde me penteava os cabelos
Eu seguia pelas veredas sinuosas da vargem do Piancó.
Monjolos, juás e malícias me afastavam
do pensar no gado.
Pragas invencíveis, sobreviventes às enxadas e venenos..
O suor escorria inundando todos os meus olhos.
O sol de fogo cozinhando meus miolos.
Divagava pelos anos passados sob meus pés:
Vacas e novilhas nascidas, vendidas;
Bezerrada desmamada, marcada, descornada...
Eu olhava minhas botinas velhas e seguia adiante.
Mais um pouco pra antiga sede.
Uma pinguela de aroeira caída sobre
O córrego, umas braças mais de quintal.
Virei menino nesse sendeiro.
Fui buscar uma foice emprestada..
Emprestei também pedaços de
Passado. E nuvens de lembranças das
Curvas da vida.
«
Baleado. Fogos de artifício me tiraram do sono dizendo que é chegada a hora dos jogos dominicais. Meus olhos perscrutam o teto. Tem um imã na cama que impede meu esqueleto de deixá-la. Elucubro. As ressacas se agigantam com os anos.. Repasso lembranças de balcão com meu coração retumbando melancolias. Dores de cabeça e um gosto acre de cabo de guarda-chuva na minha boca. Preciso urdir coisas, mas mesmo meus pensamentos são doloridos, entristecidos, cinzas.. Outro domingo aprisionado na gaiola dos sonhos macabros, outro olhar de soslaio na cortina grená que impede a luz do sol de entrar no meu dia..
Rezar, rezar... Palavras perdidas no meio das costelas.
Do pequeno templo entre montanhas escorrem os seus olhares.
Obediente, sigo o caminho.
Nas pontas dos meus olhos reina sua estepe enegrecida.
Rubor aparente no meio da escuridão mouca.
Sinfonias de aromas me penetram as narinas.
A viscosidade não tarda.
Também não tardam os uivos descontrolados da loucura.
E a noite navega o mundo enquanto eu soçobro na laca vulcânica do seu prazer.
E meu riso meneia fundido às lágrimas salgadas da sua pele.
E meus lábios dançam naufragados na imensidão vermelha. ..