Saindo de nós
é que desatamos nossos nós.
Não há espelho
que nos mostre nosso umbigo.
É preciso mandar aos diabos
nossa zona de conforto
pra podermos sentir
o que não podemos entender.
Não existem pessoas certas ou erradas.
Tudo é uma questão de sintonia:
É só girar o Dial e encontrar a freqüência certa
para ouvir música.
Caso contrário
restarão apenas ruídos
dissonantes.
A vida sempre é poesia.
A minha, a sua...
Às vezes melancolia, outras sorrisos..
Se você contar com fidelidade
tudo fica com contornos de beleza.
Assim eu acho,
assim deve ser..
O voto é um ato de poder.
Através dele você dá o direito
de outra pessoa decidir sua vida por você.
...
É como um cheque em branco: você assina
e seu candidato (bonitinho ou feio)
faz o que "ele" quiser.
Mas cada um é o rei de sua própria razão.
Ideias antagônicas não cabem num mesmo copo.
Ou você convence, ou é convencido.
Para tanto
é preciso atacar conceitos alheios,
argumentar, arrazoar...
Com isso você aprende
e também ensina.
É a vida.
E sem isso estaríamos fadados
à passividade tépida
de um amém eterno.
O homem criou seus deuses:
essa é a minha opinião.
Portanto a palavra de deus (desse deus)é a palavra do homem. Do homem de poder
que viveu a mais de dois mil anos.
Então nunca escolha esperar.
É necessário agir para alcançar
o que se pretende.
No coração apenas o destino manda.
E é preciso lutar pelo que se ama.
Rótulos nada importam.
Futuros e passados também não.
Apenas o presente
detém sopros de felicidade!!!
Soprou raivoso o minuano.
Atroaram roucos estampidos
anunciando a ira de Zeus,
o amontoador de nuvens.
E veio, enfim, a generosa chuva
para a exultação dos meus olhos.
Libações haverão de ser levantadas
e tenras prendas imoladas
aos deuses sempiternos.
E que ela molhe a terra
com seus penetrantes dedos.
Até que dela brotem infindáveis lágrimas
em forma de olhos d'água...
O SOL SE LEVANTOU SOB MEUS PÉS.
SEUS RAIOS SE MISTURARAM À VERMELHIDÃO DA TERRA
E AO PERFUME AMARELADO DOS IPÊS.
AMANHECEU O PIANCÓ COMIGO NO MEIO DA VACARIA.
.
Conheci Romã em baires.
Todos nós
vivíamos de bons ares,
naquele tempo:
Mamadeiras, café em pó, candidatos.
Pesquisas e periferias...
Eu a vi passar por vários infernos.
Depois fui embora.
Notícias
só as bidimensionais.
Mas sempre amei dela
aquele abraço de torniquete.
Dava pra sentir o coração
batendo...
Parecia uma fusão de desesperos.
Uma década, ou mais,
eu não a vejo mas é como se fosse
ontem.
Acho que somos eternos e lindos:
amigos.
Agora ela está de volta.
Baires...
O tempo nos escorre
e temos coisas
e coisas para dizer...
Espero vê-la logo.
.
.
Cidades pequenas,
vidas pequenas
- Se você dança com o diabo,
o diabo não muda:
Ele muda você! - De súbito olhamos no
espelho
e nos damos conta
que muito tempo passou enquanto
comentávamos o futebol,
a novela,
os problemas da vizinhança...
E o que realmente importava ficou
esquecido, adormecido.
Mas a vida é assim mesmo:
acabamos por viver no limite
do que nos é possível.
Acredito mesmo que devamos
ser assim para que
possamos conseguir alguma cousa de real
e de concreto nesses
tempos de isopor.
.
.
Eu continuo aqui. Cabelo branco da tinta
que escorre do teto.
Nunca fui um bom pintor.
Nem mesmo de paredes,
como agora.
Tento cobrir o amarelo do passado...
Duas, três demãos e ele insiste, recalcitrante,
no fundo...
Tenho até o feriado.
Depois da bagunça e dos retoques
eu irei embora.
Minhas mocinhas ruminam
à minha espera.
Elas engordam sob meus olhos.
Pena não viverem nas metrópoles,
como na Índia.
Pena...
Saudades de brincar
com crianças
que não nasceram,
saudades inatingíveis...