Conversar é como jogar bola, Passe pra direita, passe pra esquerda. Da surpresa ao previsível.
Continuar lendo
Conversar é como jogar bola, Passe pra direita, passe pra esquerda. Da surpresa ao previsível. Um arremesso fora de campo. Vem a bola pesada como chumbo. Esquiva-se enquanto há tempo. Ou intercepta ferozmente. Na multidão, são tantos passes São tão confusas as regras. Ouço risos trepidantes, palpita o coração Talvez eu devesse falar qualquer coisa de interessante Mas quero fugir. Para onde, meu Deus? Conversar é como jogar bola É um olhar que você lança Que conforta ou confronta. Eu fico decifrando os sinais. Se são estes meus oponentes, São quais meus aliados? Eu nunca aprendi a jogar bola Por isso me sento a um canto e imito Rio se riem, choro se choram. São sorrisos tristonhos e lágrimas irônicas. Sinto apagar-me na multidão. Eu deveria estar aqui, a cumprir papel de tola? Com você é diferente. A bola se arrasta até mim num percurso sem fim. Eu a abraço com ímpeto. Não, não se vá. Tenho uma imensa coleção Bolas de ping pong, de biloca, de neve... Mas não te mostro, não vejo eu mesma Coleções são muito perigosas. Se elas desmoronam sobre nós... Se rompem como um átomo de plutônio... Eu não sei jogar bola.