Se desvencilhe de tuas batalhas, João.
Olha pro lado, vê o azul? O nome disso é mar.
Tua dúvida é por quê não o via, não é?
Teu cinza tampava o mar, João.
Se lhe pedissem para não falar de amor, sobre o que tu falarias?
O Universo é um sentido em verso declamado por aqueles que o amam, mas não gamam. As belezas preciosas são aceitas, mas não veneradas. Sentir por pura honestidade é tão leve e brando quanto precisar definir o sentimento com algo que nos foi apresentado: o amor. Nunca coube a uma pessoa jogar todos os nossos sentidos em um buraco repleto de outros sentidos - a constância do uso do amor nos rouba os detalhes a serem contados.
Se lhe pedissem para não falar de amor, sobre o que tu falarias?
Somos mais livres ao sentir sem definir.
Dos princípios que você tem, nenhum lhe basta quando não há equilíbrio entre o Ser e o Fazer; cada parte dos seus dias (por melhores ou piores que sejam), carregam consigo uma semente de identidade, que influencia no que tu és hoje. Mas cada parte de você - do que é teu pensamento, tua essência ou tua forma de ver o mundo - não pode, jamais, se perder em cada um dos teus dias.
O timbre melodioso da voz. Fala como pássaro cantando no horário
do café. A leveza do riso, harmonioso, singelo. O cantarolar de anjo com suas canções celestiais. O branco espuma do véu que cobre a alma frágil, o arrepio do toque da pele clara. Olhos fechados, corpo estremecido. Teu timbre, teu falar. Teu riso doce com teu cantarolar. Teu véu.