QUANDO A GENTE SE ENAMORA
Quando a gente se enamora
Escuta, atentamente,
O que fala o coração,
Em tudo há encantamento,
De ouro se veste o sol
Para inundar de brilho
O percurso das manhãs,
Mais azul se faz o céu,
Tudo em volta é uma festa,
A tristeza não vigora...
Há sinfonia de poemas
Sob a regência da alma,
Quando a gente se enamora!...
TALVEZ
Inspiração talvez seja
Essa luz que se instala
No dulçor do teu olhar;
A magia que viceja
No esboço do sorriso
De onde brota o meu cantar!
E este sonho que me ilude,
E põe álcool na fogueira,
E incendeia e lampeja,
E me rouba a quietude,
E lateja em meu juízo -
Desatino talvez seja!..
TRILHAS DO VIVER
Tropeçando em pensamentos
Tal qual ébrio sem aprumo
Eu tento encontrar o rumo
Dos meus próprios sentimentos.
À espreita de bons ventos
Pouco a pouco me consumo
Embutido no resumo
De dúbios pressentimentos.
Nívea luz há de surgir-me,
Seguirei sereno e firme
Pelas trilhas do viver.
E do sonho mais fecundo
Brotará um novo mundo
Tingido de amanhecer!
SEGREDOS
Consumo
um
fardo
de horas
tentando
domar
teus
medos,
desatando
enigmas
e investigando
manhas,
no ardente
e doido
intuito
de romper
os teus
segredos.
LÂMINAS DO SILÊNCIO
Indiscerníveis conceitos,
Vagas, pálidas palavras
E inválidas ideias,
Tudo, tudo se dissolve
Na ressonância do nada...
Diante da irreverência,
O uivo do não consenso
E a exiguidade de senso,
Sanciono a indiferença
E exibo o desprezo
Nas lâminas do silêncio!
VERSOS D'ALMA
Se queres ouvir de alguém
O canto de amarga queixa,
Ouve em silêncio e deixa
Que a alma ouça também.
Se queres ouvir os ais,
Ouve em silêncio agora,
Que o sentimento vigora
Nos versos que a alma faz.
Por certo, no mesmo instante,
Verás que é angustiante
E incômodo o tormento!
E, pela primeira vez,
Hás de traduzir, talvez,
Um querer... um sentimento!...
AVENTURAS
Vão-se-me
pouco
a pouco
esmaecendo
as alegóricas
noites
de êxtase
e loucuras...
Eis
que me liberto
do cárcere
de supérfluas
e ilusórias
aventuras!...
INCÓGNITA
A remoer ressentimentos,
Subia, incerto e só,
Intermináveis ladeiras
De uma estrada sombria!
Encharcado de angústias,
Roendo as unhas do tempo,
Sentindo o bafo do vento,
Passo a passo, prosseguia.
Cantava mil queixas -
E quem para ouvi-las,
Senão velhas pedras,
Inertes, tranquilas?
Dentro da mente
(Ainda sã)
Levava a incógnita
Do amanhã.
CONVERSANDO COM AS PEDRAS
Pelos
caminhos
que trilho
tenho
o estranho
hábito
de conversar
com
as pedras
e - penso -
cada
uma
delas
me escuta
e me entende
no mistério
do seu
silêncio.
EXTASIADO
Muitas vezes não entendo
O querer extasiado
Que não deixa sossegado
Quem, ao certo, está sofrendo.
Quem, sonhando, vai vivendo
Em penumbras mergulhado,
Qual poeta alucinado
Versos loucos escrevendo.
Mas em ti não antevejo
Prosperar nenhum lampejo
Que ilumine a minha estrada.
A ansiedade tortura,
É tamanha esta loucura!
A esperança... quase nada!...
SONHAR CONTIGO
Sonhar contigo?
Hei sonhado
Qual nunca houvera!
Sou inverno
A buscar a primavera...
Ah!...
Este sonho oceano
Em que navega o meu viver!
Este sonho, afinal,
É o que há de real
No universo do meu ser.
POETA E SERESTEIRO
Há
um
etéreo
encanto
em
teu
olhar
de luar!
Deixa-me
ser
teu
poeta
ou
(quem
sabe)
seresteiro,
para
entoar
cantigas
que propaguem
o meu
sonhar!...