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Frases de psrosseto

8 frases

⁠CERTAS VONTADES Tenho certas vontades Que ninguém acreditaria se as contasse
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⁠CERTAS VONTADES Tenho certas vontades Que ninguém acreditaria se as contasse Tão inimagináveis que certamente surpreenderia Mas o que seriam os anseios Senão se evidentes o viço para a imaginação fértil O alimento essencial da curiosidade alheia No entanto tudo deixa de ser desejo Quando calo as suas possibilidades Ao primeiro pasmo que sobeja Fervilha em mim qualquer coisa razoável Dessas que instigam e incendeiam Pelo simples fato de tornar-se exposta Ante ao que sonho e vivencio Há um abismo de considerações falhas E é por elas que vivo buscando respostas

⁠HUMANO No máximo te penso Nem mesmo te ouço
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⁠HUMANO No máximo te penso Nem mesmo te ouço Tampouco te chamo Arrependo por esse letárgico processo De abandono aos pedaços É que apesar de poeta ainda estou insano Insistindo mais do que minha idade é capaz Preciso deixar de ser razão Retornar-me humano sem utopia Morrer não é mau Se a vida não parasse Eu nem partia

⁠EU TOCO UM INSTRUMENTO Eu toco um instrumento belo Pela forma e pela corda
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⁠EU TOCO UM INSTRUMENTO Eu toco um instrumento belo Pela forma e pela corda De sopro ou fole que assopra Que tange rebomba reverbera Com a boca as mãos os pés O coração Meu corpo é esse instrumento único Uníssono Por vezes desafinado Mas que ainda produz boa musica Então todas as notas curvam-se a estes sons Que a minha alma orquestra

⁠VENTANIAS Tão fraca essa chuva desacompanhada de vento Proveio certamente de alguma nuvem dispersa
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⁠VENTANIAS Tão fraca essa chuva desacompanhada de vento Proveio certamente de alguma nuvem dispersa Fugidia da madrugada de alguma noite sem graça Estanque sobre o telhado acima da minha cabeça Não que não mereça que meu derredor se molhe Com essa calmaria própria dos bem-aventurados Porem estou acostumado a solavancos constantes Tanto que me estranha tamanha bonança repentina Sou eu afeito de trovões e ventanias da montanha Que sacolejam e soçobram insanos restolhos de asas Absurdamente inconstantes entre abas e serpentinas Por isso a minha casa é de pedra incólume e bruta Plantada sobre sólidos e poderosos alicerces da lida Mas despreparada à suave nudez de uma brisa

⁠PERDOO Perdoa-me Senhor Pela vergonha que passo ante aos recém-chegados
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⁠PERDOO Perdoa-me Senhor Pela vergonha que passo ante aos recém-chegados Àqueles que agora nascem em meio aos destroços Que se deparam com um circo desigual perverso Permeado de egoísmo poluído desarmado e em pedaços Perdoo-te porque me ensinastes o perdão De toda mácula de qualquer culpa da má ação Pois hás de admitir que nos perdestes por eterno Quando nos desvencilhamos afugentados ensimesmados E nada fizestes nem importastes com nossa fuga E nada fizestes nem preocupastes com nosso medo E nada fizestes nem revogastes nossos assombros Agora Senhor que nossos sonhos chegam frágeis tão meninos Desprotegidos como um dia aqui também chegamos Poderias antes ter banido das nossas casas Os embustes que é viver sem entender Do que é a lida para encontrar bela morada Sem o dolo das provações que nos assolam Longe e livres dos males que nos denigrem estrada afora Embora conheças nossas mazelas E nada fazes para que delas nos livremos Perdoa-me por ser minha alma tão pequena E ante as vossas leis não fazer nada

⁠TRÊS LAGOAS Era eu menino e moravam caudalosos rios à minha frente Tão longos, intermitentes, profusos, infindos e soltos
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⁠TRÊS LAGOAS Era eu menino e moravam caudalosos rios à minha frente Tão longos, intermitentes, profusos, infindos e soltos Em cujas margens verdes de silêncio ouvíamos absortos O passar das horas nos longos trens sobre os nossos brios Era eu crescido em meio às desertas largas ruas de areias Que de uma calçada à outra mal se ouviam os clamores do futuro Incompreendíamos os porquês de tanta luz e a tatearmos no escuro À procura dos sonhos que regessem as nossas jovens veias Agora longe, atrás do tempo que escoara por aqueles trilhos Ancorei meu barco num falso porto refestelado de saudades Onde tudo é pedra, pressa, asfalto, agito, instância sem volta Ainda existem rios porem não mais com as mesmas aguas Permanecem as ruas mas estas ignoram toscas verdades De que envelhecem os olhos mas as valsas ainda sonham-te

⁠DEPOIS DE EXTINTA A HUMANIDADE Depois de extinta por completo a humanidade A miséria e a riqueza reconheceram duas verdades
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⁠DEPOIS DE EXTINTA A HUMANIDADE Depois de extinta por completo a humanidade A miséria e a riqueza reconheceram duas verdades Que jamais houvera de ambas necessidade Que a necessidade extirpara pobres e fartos Agora que deixara de haver míseros e abastados Feneceram por terem impróprios se tornados O planeta retomara seus brios e do caos se livrara Como se refaz reconstroi e se renova o inabitado De todos os insetos fora ele o mais nocivo De todos os animais fora ele o mais perverso De todas as tormentas fora ele a mais devassa O mundo sim voltara a ser o centro do universo Não mais aquele protótipo de deus chamado homem Que sequer soube de si nem a origem da própria raça