Fazendo pose pra registrar as trancinhas africanas, e pensando nos altos e baixos da vida que muda o tempo todo. Muitas vezes eu fiquei paralizada, com medo de mudar o cabelo, cortar, pintar, trançar, cachear, escovar, perdida fora de mim, ouvindo preferências alheias, eu mantive o básico, mediano, e simples. Mas isso não é sobre cabelo!
Só pra lembrar de olhar as coisas por outro ângulo:
Fomos descolados, vestidos, escravizados, esbranquiçados, catequizados, manipulados e castrados. Há muito o que estudar, esclarecer e libertar. Somos todos um, na individualidade, na coletividade, na dor e na fé.
Eu honro, e agradeço por tudo e todos.
Deixo um pouco de mim, levo muito de vocês em meu coração.
Conversar com Deus verbalizando e gesticulando o peditório, tirar as sandálias de pó do caminho terrestre, ajoelhar (e até mesmo deitar no chão) e se sentir nos braços de São José do Calumbo...
É triste, porque a situação sócio-economica precisa melhorar muito pra chegar a precariedade.
Mas, principalmente, é emocionante, é inspirador, e é lindo ver a prática espiritual. A ligação direta da prece.
A fé quase palpável me abraçou hoje de tal maneira que (como fruta suculenta, e caudalosa) meus olhos escorreram e eu senti uma luz tão intensa que passei a enxergar de olhos fechados...
Eram anjos que eu ainda não tinha avistado, meu coração foi tocado por Deus e mais uma vez ele me pegou no colo, me fez cafuné e me amou.
Ele me ama.
Depois, meus olhos contemplaram as acácias-rubras, a espada de Santa Bar e o maior Baobá daqui me deu a honra de abraça-lo e sentir a energia e a força da CONEXÃO entre o céu e a terra, entre as pessoas que se reunem (como podem) aos seus pés. Minha fé foi renovada, de novo, eu agradeço.
Eu tenho sonhos,
Eu tenho dormido pouco e sonhado muito.
Tenho acordado cedo, e colocado a mão na massa.
E tenho agradecido a Deus, pois meus dias rendem o dobro de horas previstas, e o amor supera o cansaço pois os sonhos me fazem mais forte.