É um ardor. Sinto-o em todo o corpo Como algo que queima
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É um ardor. Sinto-o em todo o corpo Como algo que queima Tão devagar que não faz chama. É uma dor constante Uma dor oculta Envergonhada Com medo de se manifestar. Não tento pô-la em palavras Para ouvidos mudos. Guardo-a para mim Até a solidão voltar Até nada restar para além do silêncio Aí, expresso-a pelos meus olhos abaixo. Escorre com sabor a mar Tão inocente... O ardor deixa de o ser. Torna-se incêndio. Espalha-se pelo corpo, Que passa a ser nada mais que combustível. Talvez um dia lhe ponha um fim. Talvez um dia acabe. Talvez um dia apague. Talvez.