Em minha carne, crava-se o pecado, mil agulhas costuram o eterno tormento. Centenas de linhas percorrem minha pele flácida,
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Em minha carne, crava-se o pecado, mil agulhas costuram o eterno tormento. Centenas de linhas percorrem minha pele flácida, num último resplandecer de lágrimas tortuosas. Recorro à purificação pelo fogo, pelo rio sinuoso onde meu sangue se arrasta. Já não basta um milagre— é preciso uma liturgia profanada, o silêncio ambíguo de algo taciturno, mil preces mal proferidas, um milhão de tufões soprando ao alento, em busca do algoz. Jaz o mal, forjado por mil chibatadas e um milhão de brasas. Conhecerás o caminho, talvez no ontem, mas nunca no amanhã. Conhecerás o sacrilégio, não por vontade, mas pelo desejo da carne ao relento, sob mil luares infinitos, caindo ao desespero do próximo nascido. Você, filho do diabo-homem, renascerá. E ao abrir os olhos, sentirá o peso do primeiro suspiro, como se sempre houvesse sido assim. Como se jamais houvesse sido outro. Como se o fogo fosse apenas a lembrança de algo inalcançável.