Pular para o conteúdo

Frases de Pedro Aquino Cunha

25 frases

Sozinho. Na vitrola toca um jazz. O rítimo descompassado comeca. Acendo um cigarro. Mallboro, eu acho. Dou uma tragada. Mallboro, com certeza. Sento na minha poltrona. Reclino o encosto. Mais uma tragada. Acabou o Fantástico. Céus, amanha é segunda . E eu estou acordado.
Continuar lendo

Sozinho. Na vitrola toca um jazz. O rítimo descompassado comeca. Acendo um cigarro. Mallboro, eu acho. Dou uma tragada. Mallboro, com certeza. Sento na minha poltrona. Reclino o encosto. Mais uma tragada. Acabou o Fantástico. Céus, amanha é segunda . E eu estou acordado. Estamos acordados. Eu. O Porteiro. A Viuva do 208. Aquele pequeno meliante no aguardo do próximo transeunte. A mulher da janela do prédio da frente. A música acabou. Só escuto o chiado da vitrola. Vou virar o LP. Ou devo trocar? Vou trocar. Billie Holiday comeca a tocar. Todos devem ouvir ao menos uma vez essa mulher cantando. Vou pegar outro maço de cigarros. Não! Charuto é melhor, combina mais com Billie Holiday. Ah! Charutos sao como vinhos. Sao feitos para serem apreciados. E tudo que é apreciado não deve ser usado até o final. Deixarei a bituca pro Santo . Ou pras formigas e baratas . Nunca vi formiga indo atras de Charutos. As de Cuba devem ir. Sozinhos. Estou sozinho e começa a tocar Gloomy Sunday. Comeca a me tocar. O tempo voa, ou para, não sei ao certo. Ja é de manha e acordo com gritos na sala de casa! "morreu?". "Uma fatalidade". "Deixou alguma carta?". "Não". "A vitrola tava ligada, o vinho estava pela metade, o maço no chão e o charuto junto com a pistola".A viuva só lamentava. O Porteiro estava preocupado com toda aquela bagunça. A morte de um vizinho é algo trágico e satisfatório. A dor do fígado alheio é sempre agradável, convenhamos. Impossivel encontrar nas pessoas a pureza de um bom vinho, charuto e Jazz. Nao pense voce que pensei em família e amigos. Não é por mal. É que essa trindade é a base do meu ide. Do meu ego. Não existe ser que foi capaz de suprir o meu intimo . Somos apenas carne e osso. Não precisamos de mais carne e mais osso pra alcançar o Nirvana . Fui ter um encontro comigo mesmo.

Nao lhe desejo um bom ano Nao lhe desejo felicidade Muito menos saúde.
Continuar lendo

Nao lhe desejo um bom ano Nao lhe desejo felicidade Muito menos saúde. Nao sou eu quem distribuo as cartas Nao sou eu quem as embaralho Eu lhe desejo sorte para derrotar seu oponente. Entre voce e sua mente, quem vence? Acho q nesse jogo não existe um vencedor ou um perdedor. É um jogo de cartas marcadas, de dados viciados. Corpos encarnados a tropecos no meio do caminho fazem logo suas apostas. Corpos adestrados a procura de um prêmio vago em vao: Liberdade. É algo mesmo tao ilusorio. Mas creio que é ai que a suprema felicidade repousa: Em um parapeito de uma janela recém amanhecida. Mas, Cuidado, Felicidade! A queda é longa, feia e fatal.

ODE AO OUTONO Como quem quisesse cantar um segredo Pulastes e Voastes em sossego
Continuar lendo

ODE AO OUTONO Como quem quisesse cantar um segredo Pulastes e Voastes em sossego Do alto de um galho Saudades de Brumário O vento que nina as árvores E que carrega rios É o mesmo que varre o chao. Colore de amarelo a estrada da solidao O Lírio que decora velório, Tu é o mais fiel expectador da expectativa da dor da vida do que foi e dos que tentarao em vao ser saos. O que tu és se nao um torpor de verao? O que tu és ingrata agonia? Se nao a curva que a estrada rasga o chao? És a sintonia da ironia A insonia devida de vida da Vida.

a morte nao e o suficiente eis o problema de quem pensa que sente. é preciso sentir a vida saindo das veias
Continuar lendo

a morte nao e o suficiente eis o problema de quem pensa que sente. é preciso sentir a vida saindo das veias arrastando-nos por uma sutil corredeira como um rio sereno, Pequeno tormento poco profundo no fundo eu o gosto do azedo a imitacao do medo a explosao do sessego A autopsia de um corpo Maculoso Odiado Raivoso Torturado O corpo O eco O poco O nao posso O pouco O Grito Rouco Do eco Do poco Ainda Pulsa. - O Poco

Nao é por nada que o primeiro som da vida é o choro e que o último seja o silencio. Nascemos desesperados num mundo débil.
Continuar lendo

Nao é por nada que o primeiro som da vida é o choro e que o último seja o silencio. Nascemos desesperados num mundo débil. Morremos perplexos ao ratificar a imprecisao da alma. Nascemos sós Morremos sós Somos apenas um par de almas a travar linhas imaginarias Um par a descrever todos os detalhes, a resolver todas as incógnitas, a seduzir as palavras. Somos apenas um par de lembrancas, gravadas em um pedaço de jornal, ou mesmo em memoriais recém esquecidos. Somos apenas um par de corpos, misturados a uma multidão de transeuntes apressados pelo badalar do tic tac, envolvidos pela perpetuação, pelo desejo. Somos apenas um par. Eu, e minha mente. O Par mais solitario e mais completo que ja vi. Nascemos sós e morremos sós. Mas como o fizemos de forma tao fiel!

Acalme-se minha rainha de 13 olhos Cegos observadores nos cortam de forma analítia, precisa, parapléitica Nao estamos sós aqui, querida. Os cegos também palpitam.
Continuar lendo

Acalme-se minha rainha de 13 olhos Cegos observadores nos cortam de forma analítia, precisa, parapléitica Nao estamos sós aqui, querida. Os cegos também palpitam. Fixos, presos, imaculados. Nós somos santos de mal gosto. Há quem compre aquela simples e fiel ideial do mundo fora da caixa

Cai outra vez Gotas que o céu derramou no meu quintal Vem carregando bem um pouco de mim
Continuar lendo

Cai outra vez Gotas que o céu derramou no meu quintal Vem carregando bem um pouco de mim e vem voando feito num vendaval Regando as flores mortas do meu jardin Que agora dançam nas bodas de cristal Que os meus vizinhos fazem pra declarar velho amor e a paz de um velho altar Fico daqui me perguntando o que foi Que eu fiz pra ficar nesse lugar De folhas mortas e a cidade a aflorar Tudo aquilo que o homem destrói Cai entre nós Nao vai pra lá eu tenho cá meu valor Deixa pra lá, agora eu tenho que ir eu vou partir e não pretendo voltar Chuva lavou levou consigo meu velho saravá que cai do céu em choro de sabiá bem no quintal de um velho a ouvir O seu passado feito num recital Cai outra vez

Ainda posso sentir o cheiro quente de cravo da índia, canela e gengibre. Da vitrola só se escuta o surdo chiado fora do ar que toma conta de todo o quarto, como se o universo fizesse um motim para derrubar as paredes de gesso desse ambar. Da janela entre aberta amanhecem alguns…
Continuar lendo

Ainda posso sentir o cheiro quente de cravo da índia, canela e gengibre. Da vitrola só se escuta o surdo chiado fora do ar que toma conta de todo o quarto, como se o universo fizesse um motim para derrubar as paredes de gesso desse ambar. Da janela entre aberta amanhecem alguns poucos raios de luz que a tudo observam minuciosamente. As manhas são verdadeiras fofoqueiras que adoram evidenciar a tudo e a todos o que a noite insiste em esconder: Nossos vícios, nossas lágrimas, nossos gritos, nossos sonhos.. "Entre sem bater". Eis o que está escrito na porta do meu recanto, onde todos ouvem esses chiados mudos que gritam pela quebra das paredes, pela fronteira sem fim. Aos meus verdadeiros amigos, que entraram sem bater ou perguntar o por que, eu sou o homem na caixa. Carreguem com cuidado

nao entendo pq as pessoas vestem e vivem seus falsos avatares, fingindo ser algo que não são. Acho que é por isso que vejo tantos dizeres de auto afirmação. Entendo não . Tem gente que prefere viver de ilusão. O labor nao tem lá todo esse gosto doce que voce diz com palavras con…
Continuar lendo

nao entendo pq as pessoas vestem e vivem seus falsos avatares, fingindo ser algo que não são. Acho que é por isso que vejo tantos dizeres de auto afirmação. Entendo não . Tem gente que prefere viver de ilusão. O labor nao tem lá todo esse gosto doce que voce diz com palavras confucianas, eistenanas. Tenho pena de quem acha a labuta doce. Esses não conseguem perceber os pequenos prazeres quando aparecem. A verdadeira felicidade está no meio de um lago turvo e triste onde muitos tentam e nao conseguem ver. Mentem para si mesmos. Mentem pra mente. As pessoas querem a todo custo a felicidade Eu apenas existo

No quarto ao lado morava uma velha...tinha lá seus 90 e tantos anos... Trocamos poucas palavras....um "oi, bom dia!" e ela respondia como um eco... Todos os dias eu saindo apressado, via essa senhora na cozinha preparando seu almoco. Velhos comem tarde. Comico.
Continuar lendo

No quarto ao lado morava uma velha...tinha lá seus 90 e tantos anos... Trocamos poucas palavras....um "oi, bom dia!" e ela respondia como um eco... Todos os dias eu saindo apressado, via essa senhora na cozinha preparando seu almoco. Velhos comem tarde. Comico. "Oi, bom almoço! Desculpe não poder conversar, tenho que estudar" - Oi, bom dia - Oi, bom dia Da velha eu quase não ouvia nada. Ouvia sim a sua televisão em altíssimos decibéis. Não sei se era pra afastar a solidão ou por causa da audição. Acho que era um pouco dos dois. Nao importa. Ja estava acostumado com essa situação. Mas ontem foi diferente - Oi, bom dia! -Tchau! "Tchau?". Achei comico. "Estamos progredindo!". Ao voltar da minha rotina e entrar no meu apartamento, o quarto da velha ao lado estava vazio. Sem cama, sem móveis, sem ela. Ela havia deixado apenas a sua televisão. Em cima dessa TV, um bilhete: "Para Pedro". É.... Chega uma hora na vida que as nossas televisões falam mais alto. Chega uma hora que as palavras falham E so resta esperar E dizer Tchau.

Ainda sinto aquele cheiro quente do café. A tábua ainda range quando alguém lhe repousa os pés, como se suplicasse redenção a gigantes imaginários. A cortina de bordado mal cobre os primeiros raios da primavera. A noite e o dia são penetras nesse quarto que agora não possui don…
Continuar lendo

Ainda sinto aquele cheiro quente do café. A tábua ainda range quando alguém lhe repousa os pés, como se suplicasse redenção a gigantes imaginários. A cortina de bordado mal cobre os primeiros raios da primavera. A noite e o dia são penetras nesse quarto que agora não possui dono. Pensando bem, talvez não sejam lá tao penetras assim. Do cabideiro só restaram cabides sem roupas, sem cabideiro, sem nada. Nao conheco quase ninguem. Sou convidado aos que me conhecem, um estranho conhecido ou mesmo um conhecido estranho. Talvez aqui seja mesmo o intermediário entre isso e aquilo. Sou a ultima planta do inverno.

Há, por certo, qualquer ar de santidade em toda esperança de rapaz trabalhador O torpor da fé é, de fato, muito acolhedor Mais vale um suspiro de desejo ou um cansado bocejo?
Continuar lendo

Há, por certo, qualquer ar de santidade em toda esperança de rapaz trabalhador O torpor da fé é, de fato, muito acolhedor Mais vale um suspiro de desejo ou um cansado bocejo? Jogo-lhe essa questao em forma de despejo... Melancolia, à seu dispor... Nao me venha com riso frouxo Sou de todo temor prezado trouxo Sua alma vou expor Alegria, alegria o que será de mim? Se no fim dos meus dias o que sobrou de mim foram asas quebradas de serafim? Vida, Deixo-te como quem colhe flores Idas e vindas das tuas dores Cores, senhores. Cores! Se as tenho, nao as vejo

arrancou me do corpo como quem despedaça flores Tirou-me um beijo
Continuar lendo

arrancou me do corpo como quem despedaça flores Tirou-me um beijo como se quisesse me sugar todo o desejo de rapaz trabalhador Fez de rimas, prosa. Fez de mim, moleque, rapaz Faz de todos, a cidade a cantar Era Clarice, era Lispector Era toda malandrice de seus olhos a ninar O rapaz trabalhador Em suas curvas cair Em seus versos, declinar Prosas euforicas de bafos etílicos Feito homem Feito rapaz Morre o dia Desperta Clarice A noite é uma criança A alegria é fugaz

Ah, minha poetisa Tua palavra me paralisa Tua rima profetisa
Continuar lendo

Ah, minha poetisa Tua palavra me paralisa Tua rima profetisa uma pa de coisa Decisa ou indecisa Canonisa minhalma Feito eucaristia entrego te corpo e palma Hostia que vivia No coração dos puros doidos em apuros seguros e obscuros sem no entanto notar Que tua palavra Profetisa coisa indecisa de minhalma sem no entanto deixar de notar tua palavra minha poetisa