Porquê um querer
Tão grande
Se não pude ser
Algo possível
Porque fugiu
Se alguém
Com algo possível
Talvez no impossível
Me desse você
Ficou na incógnita
Um aconchego
Um chamego
No ar
Me deixaram
Num tempo perdido
Talvez incompreendido
Até te achar
Eu não tenho nada
Apenas uma escolha
Uma escada a pular
Um sol a escalar
E uma lua a imaginar
Imaginar um encontro desencontrado
Imaginar a lágrima que não rolou
Mas molhou um rosto
Queria te encontrar agora
Te dar aquele abraço
Teu pôr do sol
Mas vou ficar na vontade
Pois anoiteceu
A madrugada chegou
A vontade passou
E o que posso levar
E a vontade que ficou
Hoje o dia em sorriso maroto,
Me faz lembrar você;
O orvalho solta lágrima despretensioso;
O céu libera as nuvens como a não querer
Que nada ofuscasse aquele azul
Como a lembrar teus olhos buscando imensidão;
Hoje um canário bicou minha janela mais cedo como à dizer
"Ela espera mensagem já peculiar";
Cada bicada traz inspiração;
Mas hoje a rima pode esperar;
Hoje a sariema mais forte canta
Como a te anunciar;
Os demais passarinhos em espanto
Só a silenciar
Pois aquele horário hoje ė suave
E a sariema como em trompetes
A anunciar:
Tira a tristeza dos olhos
Pois o beijo ardente podes adiar.
O que é uma mágoa? Deságua na gente, amarga e fica plantado, nos torna amargo, nos faz de alguma forma inconsequente e pueril. Ainda ando em passos "curtos" , talvez para alguns sem direção. Ainda acredito em sonhos, nas flores, em acordar com a lua desnuda se escondendo do sol. Ainda em vôo solo frívolo busco em meus sonhos algo salutar.
O ermitão olhava o céu e na sua obscuridade imaginava a saudade, deitou sem maldade e chorou, se enroscou sem vaidade no que restou, restou olhar um campo um lago ali distante mas a machucar, machucar essa idade de insensatez que desfez tantas coisas. Vou vivendo entendendo que a procura é salutar, sabendo que um dia se concretizará o almejado e me direi aqui chequei.
Eu vejo, eu sinto, eu presinto. Eu preciso te dizer estou vivo, sinto o ar, o voar dos pássaros, o agasalho, o desprender, sinto o friozinho, o filho a alegrar, o filho a renegar. Sinto a tristeza. Sinto você que traz alegria, tristeza e harmonia, sinto tudo isso sem medo do dia a dia.
Vou tentar voltar a escrever, dizer o que sinto tentar desfazer histórias, as vezes irrisórias e tentar sorrir. Vou voar sem asas e com atraso borrifar sem medo o que em meu mundo se desfez, resgatar em qualquer lugar o que restou despedaçado. cada passo que foi dado se repetindo, sem atraso.
Hoje queria me dar vida, mesmo sem sentido talvez voltar no tempo repetindo momentos e sem estar a lamentar, pois o vivido ficou, ficou disperso algumas virgulas sem ponto final. Hoje queria me lançar sem medo não esconder segredos e como sempre nunca lamentar. O que foi vivido e o que se vive comemorar. Sempre antes do amanhã me pego na sanha insana de mudar o cotidiano. No amanhecer vou tentar mais uma vez e talvez o segredo seja essa insensatez.