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Frases de Paulo Ricardo Zargolin

655 frases

ENTRE O VERBO E O VÉU ⁠Creio que entre o verbo e o véu há mais vãos do que filosofia e região são capazes de preencher com crenças acolhedoras ou duras racionalidades. É comum que recorramos a livros, símbolos sagrados de dogmas ou de conjecturas adornadas pelas ciências para r…
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ENTRE O VERBO E O VÉU ⁠Creio que entre o verbo e o véu há mais vãos do que filosofia e região são capazes de preencher com crenças acolhedoras ou duras racionalidades. É comum que recorramos a livros, símbolos sagrados de dogmas ou de conjecturas adornadas pelas ciências para resguardar nossas próprias ideologias. Esquecemo-nos de que há apenas um saber, uma dádiva primordial: a dúvida. Essa velha companheira, que atiçou o fogo e dominou os céus. O elo entre a efemeridade do saber e a alegria dos talvezes. Dessarte, o mundo é um convite maravilhosamente cruel à reflexão. Uma festa da qual não pudemos — por razões improváveis e explicações arbitrárias — negar a participação. Cá estamos, mesa posta. Resta servir-se do banquete antes das luzes se apagarem.

⁠A reflexão paralisa. Tanto um pássaro cansado que pousa num lago, quanto a humanidade absorta em seus bilhões de espelhos negros. Os reflexos iludem e hipnotizam. Os sonhos e voos perdem os sentidos. A ave percebe a si mesma, suas penas coloridas, seus encantos. Voar é inútil,…
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⁠A reflexão paralisa. Tanto um pássaro cansado que pousa num lago, quanto a humanidade absorta em seus bilhões de espelhos negros. Os reflexos iludem e hipnotizam. Os sonhos e voos perdem os sentidos. A ave percebe a si mesma, suas penas coloridas, seus encantos. Voar é inútil, quando o desejo é a autocontemplação. Os homens têm feito o mesmo com seus celulares, repletos de sonhos alheios refletidos. São voos inalcançáveis, inúteis, quando se contempla os outros, projetando a si mesmos.

⁠O erro é um amigo imaginário que, às vezes, expõe suas peripécias. Geralmente o faz, quando menos esperamos. Ele entra na brincadeira, a qual denominamos vida, e permite com que aprendamos a seguir por caminhos ou descaminhos. É comum que queiramos evitá-lo, mas suas travessuras…
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⁠O erro é um amigo imaginário que, às vezes, expõe suas peripécias. Geralmente o faz, quando menos esperamos. Ele entra na brincadeira, a qual denominamos vida, e permite com que aprendamos a seguir por caminhos ou descaminhos. É comum que queiramos evitá-lo, mas suas travessuras não nos abandonam. Para esquivar-se do drama, basta convidá-lo para uma dança, numa valsa em que, conduzindo-o, amadurecemos.