A mente começa no corpo
Frases de Paulo Leminski
197 frases
O mundo não quer que eu me distraia. Distraído estou salvo.
vazio agudo ando meio cheio de tudo
A LUA FOI AO CINEMA A lua foi ao cinema, passava um filme engraçado,
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A LUA FOI AO CINEMA A lua foi ao cinema, passava um filme engraçado, a história de uma estrela que não tinha namorado. Não tinha porque era apenas uma estrela bem pequena, dessas que, quando apagam, ninguém vai dizer, que pena! Era uma estrela sozinha, ninguém olhava para ela, e toda a luz que ela tinha cabia numa janela. A lua ficou tão triste com aquela história de amor, que até hoje a lua insiste: - Amanheça, por favor!
Contranarciso em mim eu vejo o outro
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Contranarciso em mim eu vejo o outro e outro e outro enfim dezenas trens passando vagões cheios de gente centenas o outro que há em mim é você você e você assim como eu estou em você eu estou nele em nós e só quando estamos em nós estamos em paz mesmo que estejamos a sós
Tem horas que é caco de vidro Meses que é feito um grito Tem horas que eu nem duvido
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Tem horas que é caco de vidro Meses que é feito um grito Tem horas que eu nem duvido Tem dias que eu acredito.
Repara bem no que não digo.
acordei e me olhei no espelho ainda a tempo de ver meu sonho virar pesadelo
nascemos em poemas diversos destino quis que a gente se achasse na mesma estrofe e na mesma classe
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nascemos em poemas diversos destino quis que a gente se achasse na mesma estrofe e na mesma classe no mesmo verso e na mesma frase rima à primeira vista nos vimos trocamos nossos sinônimos olhares não mais anônimos nesta altura da leitura nas mesmas pistas mistas a minha a tua a nossa linha
Poesia não se faz com palavrinhas, mas com palavrões
pelos caminhos que ando um dia vai ser só não sei quando
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pelos caminhos que ando um dia vai ser só não sei quando Pergunte ao pó Cresce a vida Cresce o tempo Cresce tudo E vira sempre Esse momento Cresce o ponto Bem no meio Do amor seu centro Assim como O que a gente sente E não diz Cresce dentro Razão de Ser Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso, Preciso porque estou tonto. Ninguém tem nada com isso. Escrevo porque amanhece, E as estrelas lá no céu Lembram letras no papel, Quando o poema me anoitece. A aranha tece teias. O peixe beija e morde o que vê. Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê? Retrato de lado retrato de frente de mim me faça ficar diferente Segundo consta O mundo acabando, Podem ficar tranquilos. Acaba voltando Tudo aquilo. Reconstruam tudo Segundo a planta dos meus versos. Vento, eu disse como. Nuvem, eu disse quando. Sol, casa, rua, Reinos, ruínas, anos, Disse como éramos. Amor, eu disse como. E como era mesmo? Sem Budismo Poema que é bom acaba zero a zero. Acaba com. Não como eu quero. Começa sem. Com, digamos, certo verso, veneno de letra, bolero, Ou menos. Tira daqui, bota dali, um lugar, não caminho. Prossegue de si. Seguro morreu de velho, e sozinho.
Ali ali só
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Ali ali só ali se se alice ali se visse quanto alice viu e não disse se ali ali se dissesse quanta palavra veio e não desce ali bem ali dentro da alice só alice com alice ali se parece
acordei bemol tudo estava sustenido sol fazia
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acordei bemol tudo estava sustenido sol fazia só não fazia sentido
um homem com uma dor é muito mais elegante caminha assim de lado
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um homem com uma dor é muito mais elegante caminha assim de lado como se chegasse atrasado andasse mais adiante
HAI Eis que nasce completo e, ao morrer, morre germe,
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HAI Eis que nasce completo e, ao morrer, morre germe, o desejo, analfabeto, de saber como reger-me ah, saber como me ajeito para que eu seja quem fui, eis o que nasce perfeito e, ao crescer, diminui. KAI Mínimo templo para um deus pequeno, aqui vos guarda, em vez da dor que peno, meu extremo anjo de vanguarda. De que máscara se gaba sua lástima, de que vaga se vangloria sua história, saiba quem saiba. A mim me basta a sombra que se deixa, o corpo que se afasta. Meu coração lá longe Faz sinal que quer voltar. Já no peito trago em bronze:
PROFISSÃO DE FEBRE quando chove, eu chovo,
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PROFISSÃO DE FEBRE quando chove, eu chovo, faz sol, eu faço, de noite, anoiteço, tem deus, eu rezo, não tem, esqueço, chove de novo, de novo, chovo, assobio no vento, daqui me vejo, lá vou eu, gesto no movimento
Apagar-me Apagar-me diluir-me
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Apagar-me Apagar-me diluir-me desmanchar-me até que depois de mim de nós de tudo não reste mais que o charme.
Salve-se quem quiser, perca-se quem puder!
Você nunca vai saber o que vem depois de sábado, quem sabe um século muito mais lindo e mais sábio, quem sabe apenas mais um domingo.
Nada se leva. A não ser a vida levada que a gente leva.
ÓPERA FANTASMA Nada tenho. Nada me pode ser tirado.
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ÓPERA FANTASMA Nada tenho. Nada me pode ser tirado. Eu sou o ex-estranho, o que veio sem ser chamado e, gato se foi sem fazer nenhum ruído
Aguento mas não garanto.
Lugar onde todos têm razão, melhor não ter nenhuma.
Pergunta tão rica precisava andar por aí mendigando respostas?