Teste de Geografia Dizias que o mundo era pequeno demais, traçavas fronteiras no mapa do lençol, medias a distância entre o nunca e o jamais, buscando o caminho pra um resto de sol. Pediste que eu fosse o teu norte fiel, a rosa-dos-ventos de um cais sem navio, mas perdi o senti…
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Teste de Geografia Dizias que o mundo era pequeno demais, traçavas fronteiras no mapa do lençol, medias a distância entre o nunca e o jamais, buscando o caminho pra um resto de sol. Pediste que eu fosse o teu norte fiel, a rosa-dos-ventos de um cais sem navio, mas perdi o sentido, rasguei o papel, e o nosso Equador tornou-se vazio. I Onde fica o relevo do teu abraço? Em que latitude se esconde o teu riso? Pois sinto um abismo em cada passo, nesse hemisfério que não é o paraíso. II Qual a demografia da tua saudade? Quantas ausências habitam o teu peito? Se o amor é um solo de pouca fertilidade, onde o silêncio se torna direito. No fim, a prova não teve nota ou glória, apenas a erosão de um tempo que passou. Ficou a geologia de uma velha história: Onde havia um vulcão, hoje a cinza restou. O mapa dobrou-se, a bússola quebrou, e a conclusão do teste é um tanto amarga: Quem muito se isola, continente virou, levando o oceano como única carga. © *Paulino Florda*, No labirinto dos açoites, 2026