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Frases de Otocco

43 frases

Deixar de ser ⁠Hoje foi mais um dia daqueles Daqueles que você nunca sabe
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Deixar de ser ⁠Hoje foi mais um dia daqueles Daqueles que você nunca sabe Aqueles dias que você nem sabe Que realmente dia é. Hoje eu não consegui ver o sol Hoje talvez o sol nem tenha aparecido Hoje quem sabe nem tenha sido dia Quem sabe talvez eu nem tenha sido eu. Será possível não ser eu? Será realmente possível não se ser? Será possível desnascer? (existe?) Será que dá pra desviver? Hoje o sol não me visitou como faz de costume Hoje não houve fresta, não houve claridão pela manhã Não houve sequer uma olhada de canto Não se ouviu nenhum canto. Afinal, o que houve hoje? Ontem, o que haverá amanhã? Porquê não se sabe, não se dá pra saber? Como vou saber o hoje, o ontem e o amanhã? Se eu mesmo não sei de mim? Se eu saio de mim? Se não gosto de fins Se eu nunca estou afim? O que será de mim?

Momento ⁠O momento é duvidoso Não sei se feliz ou triste
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Momento ⁠O momento é duvidoso Não sei se feliz ou triste Não sei o que esperar Ou se devo aguardar. Por um lado tudo parece bem Doutro, uma incerteza Uma falta de precisão De saber se é sim ou não. Não sei se estou feliz Ou se não sinto nada Parece meio vago O que penso, o que falo. Descontentamento Meio contente Infelizmente Ou se é felizmente. Nada sei de nada Sei só que não sei Se souber não saberei Sabereis eu saber? Dito tudo isto Insisto em duvidar De tudo que duvido Ou que me deixa em dúvida. Há razão em ter razão? Há certeza no incerto? Sentir que não sente Já não é uma sensação? Outrora não há afirmação Dono não há de convicção O certo já foi incerto Até se tornar concreto. Tudo isso nada quer dizer Ou diz e eu não sei o quê? Cada um deve algo saber Ou tenta querer perceber.

⁠Des(gosto) Gosto de chorar andando na chuva Ninguém percebe minhas lágrimas
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⁠Des(gosto) Gosto de chorar andando na chuva Ninguém percebe minhas lágrimas Misturadas com a água E escondem minha mágoa. Gosto de olhar o cotidiano O ir e vir das pessoas Os carros nas ruas A troca do sol pela lua. Gosto do cheiro de chuva Que cai de tardezinha Lavando a alma E mantém a calma. Gosto de sentir angústia Daquela tristeza avulsa Do gosto amargo da loucura De desconhecer totalmente a doçura. Gosto do despreparo Dos sentimentos de desamparo Gosto de sentir o gosto De tudo que me dá desgosto.

⁠Se durante a vida Se durante a vida Encontraste o amor
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⁠Se durante a vida Se durante a vida Encontraste o amor Saiba que viveu A vida com clamor. Se bebeu da fonte A água da amizade Encontrou o caminho Que irá a qualquer parte. Contemplou a paternidade Deixarás muito mais Que lembranças Deixará continuidade. Vive com intensidade O que a vida te proporciona Acata cada dia E te direciona. A vida é um breve sopro Não te prendas em desgostos Se desprenda dos outros E viva ao teu gosto.

⁠Sufoco Tudo dói mais que o normal Sinto tudo com mais intensidade
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⁠Sufoco Tudo dói mais que o normal Sinto tudo com mais intensidade Sinto até as lágrimas escorrendo Por vezes quero sair correndo. Sinto o vazio ao meu redor Sinto o silêncio, a falta de luz Ouço meu sangue circular Tenho gostado tanto de chorar. A agonia maçante de pensar Provoca um aperto no peito Uma tristeza sem explicação Me deixa sem sentido e sem razão. O pior é a solidão Ela me abraça, sufoca Me bate e me derruba Parece não acabar nunca. Sem saber Sem querer Vou querendo apenas Viver. A tristeza tem sabor Um gosto de desgosto Um tempero insosso De querer se sentir morto.

Poça d'água ⁠Hoje eu admirava uma poça d'água O que há demais em uma poça?
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Poça d'água ⁠Hoje eu admirava uma poça d'água O que há demais em uma poça? O que há demais na água? Nada, apenas uma poça d'água. Era sim uma poça d'água, simples Mas que me mostrava algo maravilhoso Algo que realmente nunca antes havia percebido Algo que eu nunca havia compreendido. Por ela eu via o céu e suas imponentes nuvens Via pessoas que eu nunca tinha visto, e que moravam na minha rua Eu sentia junto com ela, o vento e seu sereno Por ela eu via o que meus olhos não podiam antes ver O que há demais em uma poça d'água? Uma menenice que retorna Uma fase esplendorosa Algo que que cheira como rosa Algo que te faz sorrir ao lembrar De chuvas de verão, abraços afagos Saudade de alguém, amor sem talvez É o que há demais em uma poça d'água "Basta ter um tempo para olhar para dentro de si mesmo"

⁠Milésimo ⁠Felicidade é baseada em fatos Às vezes incertos
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⁠Milésimo ⁠Felicidade é baseada em fatos Às vezes incertos Não imaginados Por vezes concretos. Felicidade é um lapso Momentos, acontecimentos Acasos, vem do nada Como pensamentos. Felicidade é um tiro Rápido, inesperado De qualquer lado Ou o contrário. Felicidade não tem forma Não se define por cor Não tem aroma Muito menos sabor. Felicidade se enquadra No momento proporcionado Uma breve fuga da rotina Se manifesta na surdina. Felicidade Chega e se vai Embriaga E nada mais.

⁠Flerte A bebida flertou comigo Estamos tendo um caso
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⁠Flerte A bebida flertou comigo Estamos tendo um caso Ela me faz esquecer Sentimentos do passado. Cada gole, como um beijo Quanto mais ela me embriaga Mais eu sinto desejo Só eu e ela, mais nada. A única conversa São meus pensamentos Os quais eu guardo intimamente Tristes sentimentos. A bebida, assim como uma dama Embaralha meus sentidos Aguça meus desejos Aflora meus instintos. Já que a bebida mata Eis aqui um oportunista Que se entrega aos copos E termina onanista.

Respostas ⁠Procurei resposta e afagos Em copos de bebidas
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Respostas ⁠Procurei resposta e afagos Em copos de bebidas Mesmo com gostos amargos Breves momentos de anestesia. Toda sobriedade perdida A fuga da rotina e da vida Parecia tudo resolvido Até a ressaca noutro dia. Não há resposta concreta Buscada na ilusão Quando se tem dúvidas A resposta é sim ou não.