Era uma vez um Mundo.
Frases de Oswald de Andrade
29 frases
Amor Humor
Tupi or not tupi, that is the question.
Contra a memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.
A vida é uma calamidade a prestações.
A alegria é a verdadeira prova dos nove.
Vício da fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió
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Vício da fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados.
Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática
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Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro.
Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio
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Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português.
O Capoeira - Qué apanhá sordado? - O quê?
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O Capoeira - Qué apanhá sordado? - O quê? - Qué apanhá? Pernas e cabeças na calçada.
Noturno Lá fora o luar continua E o trem divide o Brasil
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Noturno Lá fora o luar continua E o trem divide o Brasil Como um meridiano
o mar urrava como um fauno após o coito
Como poucos, eu conheci as lutas e as tempestades. Como poucos, eu amei a palavra liberdade e por ela briguei.
Senhor Que eu não fique nunca Como esse velho inglês
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Senhor Que eu não fique nunca Como esse velho inglês Aí do lado Que dorme numa cadeira À espera de visitas que não vêm
Dedos no gatilho POW! Explodi meu coração
Canto de regresso à pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar
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Canto de regresso à pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que veja a Rua 15 E o progresso de São Paulo.
A descoberta Seguimos nosso caminho por este mar de longo Até a oitava da Páscoa
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A descoberta Seguimos nosso caminho por este mar de longo Até a oitava da Páscoa Topamos aves E houvemos vista de terra os selvagens Mostraram-lhes uma galinha Quase haviam medo dela E não queriam por a mão E depois a tomaram como espantados primeiro chá Depois de dançarem Diogo Dias Fez o salto real as meninas da gare Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas Que de nós as muito bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha.
O Amor – Poesia futurista A Dona Branca Clara Tome-se duas dúzias de beijocas
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O Amor – Poesia futurista A Dona Branca Clara Tome-se duas dúzias de beijocas Acrescente-se uma dose de manteiga do Desejo Adicione-se três gramas de polvilho de Ciúme Deite-se quatro colheres de açucar da Melancolia Coloque-se dois ovos Agite-se com o braço da Fatalidade E dê de duas em duas horas marcadas No relógio de um ponteiro só!
Escapulário No Pão de Açúcar De Cada Dia
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Escapulário No Pão de Açúcar De Cada Dia Dai-nos Senhor A Poesia De Cada Dia.
Balada do Esplanada Ontem à noite Eu procurei
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Balada do Esplanada Ontem à noite Eu procurei Ver se aprendia Como é que se fazia Uma balada Antes de ir Pro meu hotel. É que este Coração Já se cansou De viver só E quer então Morar contigo No Esplanada. Eu qu'ria Poder Encher Este papel De versos lindos É tão distinto Ser menestrel No futuro As gerações Que passariam Diriam É o hotel Do menestrel Pra m'inspirar Abro a janela Como um jornal Vou fazer A balada Do Esplanada E ficar sendo O menestrel De meu hotel Mas não há poesia Num hotel Mesmo sendo 'Splanada Ou Grand-Hotel Há poesia Na dor Na flor No beija-flor No elevador
Oferta Quem sabe Se algum dia
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Oferta Quem sabe Se algum dia Traria O elevador Até aqui O teu amor
Ditirambo Meu amor me ensinou a ser simples Como um largo de igreja
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Ditirambo Meu amor me ensinou a ser simples Como um largo de igreja Onde não há nem um sino Nem um lápis Nem uma sensualidade...
Alerta Lá vem o lança-chamas Pega a garrafa de gasolina
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Alerta Lá vem o lança-chamas Pega a garrafa de gasolina Atira Eles querem matar todo amor Corromper o pólo Estancar a sede que eu tenho doutro ser Vem do flanco, de lado Por cima, por trás Atira Atira Resiste Defende De pé De pé De pé O futuro será de toda a humanidade.
Digestão A couve mineira tem gosto de bife inglês Depois do café e da pinga
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Digestão A couve mineira tem gosto de bife inglês Depois do café e da pinga O gozo de acender a palha Enrolando o fumo De Barbacena ou de Goiás Cigarro cavado Conversa sentada