Convivi com o tempo
E ele aprendeu minhas manias
Decifrou minhas vontades
E em troca disso me revelou um segredo
"Não é o tempo que passa, mas a vida que exige tempo"
Sou uma andarilha na escuridão
Procuro o calor do teu corpo
A alma do verbo amar
E me deparo com o escuro de novo
Pra quem vive no inferno
O escuro é o céu!
É um tal de muda que muda
Estradas, rodovias, destinos indefinidos
Não sei mais meu lugar
Onde eu devo ficar e pertencer
Minha cabeça tenta escutar meu coração, mas ela é surda
Meu coração tenta conversar com minha cabeça, mas ele é mudo
A discórdia não é uma maldição
Mas uma variável que facilita a complexidade
Meu lugar é perdido no espaço
Achado com o tempo.
Desconto minhas aflições do meu dia a dia aqui
Desconto meus desejos não realizados
Paro
Respiro
Escrevo
Posso parecer uma poeta e tanto por trás das folhas
Ou até mesmo uma grande idiota
Mas eu sou como você, acredite
Eu paro
Eu respiro
E volto a escrever
Se esse caderno tivesse vida
Meus segredos seriam como a água:
Estariam em todo lugar, mas um dia acabariam.
Por saber que o Sol é azul
Por saber que a chuva é roxa
Por saber que o vento é preto
Por saber que vivo em um país verde e amarelo
É que sei que Olívia de Jesus
Nada mais é que mais uma.
Posso passar mil anos procurando-te
Mais mil anos numa eterna virtude
Vivendo o inferno na Terra
Me arrependendo ou não
Ás vezes a vida é só uma ilusão
E como as estrelas no céu
Como as ondas e o mar
Quero achar, também, o meu lugar.
O meu lugar é ao lado do Sol.
Eterno,
Um momento e
Nada mais que um momento
Ao ser sempre o ser
O meu interior se irrita com o
Mau e o bem
E não deixo de pensar:
"Ridículo é a ideia de que
Estamos acordados.
Contando os sete sóis no horizonte laranja
Ouvindo a canção triste do morto,
Não há nada de errado na frase
'Há uma vida que eu não vivo'
É, na verdade, a realidade"
Coloco minha fé no lugar errado, sabendo que
O Sol é meu único confidente
porque
Eu não me reconheço