O teu silêncio me transmitia...
Segredos do fundo do íntimo,
E o seu expressar eram os olhos.
Os olhos que gritavam com agonia e raiva
O que a boca mantia no sigilo
Com o dom de suportar,
O corpo terrivelmente sofria
Mesmo com voz,
Mas não se ouvia
No interior só podia gritar
Uma vida acorrentada,
Uma consciência perturbada,
Pedindo socorro
E sem sono para dormir as madrugadas.
Mas quem ajudará está alma indigente?
Ou quem quebrará as suas correntes?
A voz que nunca se ouviu
Uma voz linda
Que está no silêncio escondida
Uma boca que nunca beijou nem riu.
Histórias de vida que o trauma aprisiona
Ai...
Deixa-me ouvir a tua história escravo da existência.
Olhos lindos que a poeira estragou,
Futuro que a guerra matou,
É deprimente o teu semblante
E sei que o teu testemunho é frustrante.
Mas liberta-te e conta aos quatro vento.
Chora, canta, ou escreve,
Mas sai desta prisão que é o Silêncio.
GENTIL
Gentil são seus passos
Que caminham firmes sem manchar a terra
Habilidosos são seus braços
Braços gentis que enfrentam guerra
Gentil é seu andar
Que serpenteia suavemente
Suavidade sem par
Na tua oralidade eloqüente
Defeitos que fazem parte
Partes que compõe teu corpo
Cada parte importante
Que faz belo o seu sopro.
Gentil
Gentil é seu respirar
Que desasfixia minha vida
Vidas para procriar
Nas nossas diferenças vencidas