O erotismo é o grande triângulo entre o homem, a mulher e Deus.
Frases de Olga Savary
12 frases
Entre pernas guardas: casa de água e uma rajada de pássaros.
Minha paixão? Uma armadilha de água, rápida como peixes, lenta como medusas,
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Minha paixão? Uma armadilha de água, rápida como peixes, lenta como medusas, muda como ostras.
O poeta e o aviador Entre teu céu e o meu
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O poeta e o aviador Entre teu céu e o meu leve sussurro de asas.
Iraruca Destino é o nome que damos à nossa comodidade,
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Iraruca Destino é o nome que damos à nossa comodidade, à covardia do não-risco, do não-pegar-as-coisas-com-os-dentes. Quanto a mim, pátria é o que eu chamo poesia e todas as sensualidades: vida. Amor é o que eu chamo mar, é o que eu chamo água.
Não sendo bicho nem deus nem da raiz tendo a força ou a eternidade da pedra,
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Não sendo bicho nem deus nem da raiz tendo a força ou a eternidade da pedra, o poeta nas palavras põe essa força de nada: sua funda é o poema.
Construção Eles são donos do mundo e não sabem disso.
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Construção Eles são donos do mundo e não sabem disso. Daqui os vejo bem no alto contra o espaço, eles vem e vão pássaros sérios deslocando nuvens Daqui os vejo criando essa explosão precisa de ferro cimento e paciência — agora um bem pensado esqueleto de superpostas vigas. E a gente fica cismando como é belo o que eles criam e o simples permanecer de um operário no alto da sua construção. O pequeno quadrado (que será elevador) desce e sobe por ossos de madeira do poço por eles trabalhado. Eles constróem o mundo eles divididos mas tão fortes eles são o mundo e não se importam. Eles levantam os castelos de agora castelões provisórios no alto de suas torres.
Menina sublunar, afogada, que voz de prata te embala toda desfolhada?
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Menina sublunar, afogada, que voz de prata te embala toda desfolhada? Tendo como um só adorno o anel de seus vestidos, ela própria é quem se encanta numa canção de acalanto presa ainda na garganta.
Quando eu estiver mais triste mas triste de não ter jeito, quando atormentados morcegos
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Quando eu estiver mais triste mas triste de não ter jeito, quando atormentados morcegos — um no cérebro outro no peito — me apunhalarem de asas e me cobrirem de cinza, vem ensaiando de leve leve linguagem de flores. Traze-me a cor arroxeada daquela montanha — lembra? que cantaste num poema. Traze-me um pouco de mar ensaiando-se em acalanto na líquida ternura que tanto já me embalou. Meu velho poeta, canta um canto que me adormeça nem que seja de mentira.
Daqui dou o viver já por vivido. Quero estar quieta, sozinha agora, igual a uma cobra de cabeça chata,
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Daqui dou o viver já por vivido. Quero estar quieta, sozinha agora, igual a uma cobra de cabeça chata, ficar sentada sobre os meus joelhos como alguém coagulado em outra margem. Daqui dou o viver já por vivido.
Amor O que será: este labirinto de perguntas
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Amor O que será: este labirinto de perguntas e resposta alguma, este insistente rugir de pássaros, este abrir as jaulas, soltar o bicho novelo que há em nós, delicado/feroz morder (deixa sangrar) o outro bicho (deixa, deixa) e toda esta parafernália a parecer truque enquanto obsidiante você mente embora acreditando nas mentiras e eu use os piores estratagemas para cobrir-me a retirada desse vicioso campo de batalha.
Se fosses um buda eu seria a pedra de tua fronte.