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Frases de Oldney Lopes

16 frases

CANTIGA DE BEMQUERER (TRATADO DE ACORDAR) Quero fazer com você
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CANTIGA DE BEMQUERER (TRATADO DE ACORDAR) Quero fazer com você Um tratado de bem-querer Negócio de amor e êxtase Contrato de ser feliz Eu te dou meu sentimento Participo com sorrisos Entro com afagos e beijos Com minha alma apaixonada O corpo pleno de anseios E o coração de esperança Entro com toda bondade O tempo da eternidade A suavidade das nuvens O brilho de ouro do sol Assim, se eu merecer Você vai me amanhecer Fazer da vida cinzenta Tratado de a cor dar Basta você me querer: Levo todo o meu amor Ofereço o meu licor O vinho do meu prazer Você participa de graça Traz apenas sua taça Pois tudo o que quero é você!

A VOZ DO TEU OLHAR Sou um sagaz leitor dos olhos teus Se usas das palavras como escudo
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A VOZ DO TEU OLHAR Sou um sagaz leitor dos olhos teus Se usas das palavras como escudo Trazes na fala a pez de densos breus E pondo-te calada diz-me tudo Sei ler o que não dizes, quando falas Ouço o que calas, pelo teu olhar Não derrames a voz então nas valas Das tentativas vãs de te explicar Entre teu doce olhar e a voz aguda Enxergo em tua fala uma alma muda Escuto em teu olhar a voz da fada Na voz improdutiva, o olhar é lavra: Dizes no olhar bem mais que mil palavras Com mil palavras não me dizes nada! Oldney Lopes©

INDIZÍVEL Pobre incapaz, nosso vocabulário Que tenta definir o que é o amor
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INDIZÍVEL Pobre incapaz, nosso vocabulário Que tenta definir o que é o amor Jamais o encontrará no dicionário Quem nunca houver provado o seu sabor Amor nunca se explica com palavras É mais do que a maçã, mais que a serpente Amor é amo e faz de almas escravas Amor é servo e serve a quem o sente Amor é assim: princípio, meio e fim Raiz e solo, orvalho e flor, jardim É dupla eternidade em todo agora Vida de dois em um, da carne ao pó Dois corações pulsando como um só Uma só alma, que em dois corpos mora! Oldney Lopes©

IPÊ AMARELO É fim de agosto, o solo está sedento Pedindo a volta das águas ausentes
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IPÊ AMARELO É fim de agosto, o solo está sedento Pedindo a volta das águas ausentes As folhas secas, ao sabor dos ventos, Descem ao chão forrando a terra quente Mas chega o tempo dos encantamentos De exultar-se em cortinas amarelas: Revela-se o ipê em opulentos Quadros de flores, fulgurantes telas Vem colorir então qual áurea tocha No ápice da sua majestade Ao desdobrar-se em fúlgida beleza Embevendo olhares, desabrocha Dando leveza aos campos e cidades Pintando de amarelo a natureza! Oldney Lopes©

ELA Ela me afoga, ela me traz à tona Ela me me mata e traz de volta a vida
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ELA Ela me afoga, ela me traz à tona Ela me me mata e traz de volta a vida Ela me acolhe e cuida e me abandona Prende, encurrala e mostra-me a saída É ela quem acende a luz nas noites E apaga a escuridão no amanhecer E acaricia-me com seus açoites E me maltrata com seu bem-querer É ela a minha musa mais dileta Ela é meu rio: curso, leito e borda É ela o meu trajeto, a curva, a reta Que guia-me nos sonhos e me acorda Que quando estou vazio me completa E que quando estou pleno me transborda! Oldney Lopes©

TOLICES "Todas as cartas de amor são ridículas" Pessoa bem o disse, com razão
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TOLICES "Todas as cartas de amor são ridículas" Pessoa bem o disse, com razão Uma fala de amor é uma gotícula No mar revolto e turvo da paixão Pior quando há palavras de ironia Camuflando os agrores do ciúme Instigando o torpor de uma agonia Que surge, imotivada, num queixume Prefiro então ridículas tolices Declarações, ainda que mesmices, Palavras ternas de doce sabor Então desejo pois de minha amada: Se para me dizer não tem mais nada Diga-me ao menos tolices de amor!

ESSÊNCIA O tempo - essa indomável roda viva É responsável por dizer quem somos:
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ESSÊNCIA O tempo - essa indomável roda viva É responsável por dizer quem somos: Somos bem mais do que essa expositiva Forma entalhada pelos cromossomos O tempo - esse mordaz devorador De orgânicas matérias de carbono É do destino implacável senhor Das conseqüência é juiz e dono Mas temos o poder das atitudes Temos nas mãos o leme das virtudes E em nossa mente a luz da experiência O tempo assim nos faz desde a infância Tal qual perfume de sutil fragrância: Corrói o invólucro e ressalta a essência! Oldney Lopes©

CRIVO Não meça a vida pela duração Em anos, meses, dias ou em horas
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CRIVO Não meça a vida pela duração Em anos, meses, dias ou em horas Mas pela intensidade em cada ação Que faz do seu viver soma de "agoras" Pois resta após as voltas dos ponteiros Da ampulheta esgotada toda a areia O que se produziu pelos canteiros Plantios, sementeiras e colheitas Perceba que em essência amor é vida E o tempo cronológico é um crivo Que faz a vida em vão se esvaecer Então abane o pó, sopre a ferida Tente viver bem mais do que estar vivo Cuide de amar bem mais do que viver Oldney Lopes ©

SAUDADE Saudade, é só você que me acompanha Persegue, alcança e fica e me atormenta
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SAUDADE Saudade, é só você que me acompanha Persegue, alcança e fica e me atormenta Parece ardil, ou sutil artimanha Chegar febril, permanecer cruenta Saudade, a dor que queima na memória Impinge ardor, aflige e ensandece Maltrata e açoita como palmatória Golpe após golpe, o peito em pranto e prece Saudade, o corpo sente e a alma chora Cheia de ausência, plena de vazio Tormenta que transborda até o mar Saudade inunde o tempo, afogue o agora Pois tudo passa, um dia vem o estio E então você também irá passar! Oldney Lopes ©

NA MADRUGADA É madrugada, sei que estás dormindo Talvez sorrindo, alegre, no teu sonho
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NA MADRUGADA É madrugada, sei que estás dormindo Talvez sorrindo, alegre, no teu sonho E me ponho a pensar se choro ou brindo Se é lindo o teu sonhar ou se é tristonho Queria estar morando em tua mente No que sentes ou pensas, no que sonhas Mas nas tristonhas horas, num repente A serpente do ciúme me abocanha Sonha comigo, amor, pois me apavora Pensar que no teu sonho um outro mora Sonha sonhos de amor, não te envergonha Mas como não pedir, neste queixume, Se até dos sonhos teus sinto ciúme Sonha comigo, amor, ou nada sonha! Oldney Lopes ©

A TERCEIRA LÁGRIMA Se o homem destemido jamais chora Eu digo que até Deus pode chorar
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A TERCEIRA LÁGRIMA Se o homem destemido jamais chora Eu digo que até Deus pode chorar Pois já que tudo pode, a qualquer hora Pode também, sentido, lacrimar. Pois vi, num rosto, a fome da criança Carente, solitária, numa praça Todo amargor, toda desesperança Daquela vida só, fria, sem jaça. Seus olhos eram vozes a implorar Era um espelho, a angústia em seu olhar A refletir, dolente, os olhos meus. Sem entender o senso do destino Vi merejar nos olhos do menino Plácida e triste a lágrima de Deus! Oldney Lopes©

DESDÉM Já não espero mais pelos carinhos E muito menos peço por amor
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DESDÉM Já não espero mais pelos carinhos E muito menos peço por amor Já percebo, nas flores, mais espinhos E vejo sombra onde foi esplendor Tudo o que peço agora é atenção Um "bom dia", um "boa noite", um "tudo ok" Presença que me extirpe a solidão Uma resposta, um gesto ou um "não sei"... Prefiro um rude não ao cruel desdém Quando só peço um doce querer bem Rogo atenção e espero, paciente Mas eis que essa alma, fria como um gelo, Ignora e menospreza o meu apelo Nem se cala, nem nega e nem consente!

ESPADA E FLOR As palavras, ditosas e benditas, São também como espadas ou navalhas
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ESPADA E FLOR As palavras, ditosas e benditas, São também como espadas ou navalhas Podem ser as derrotas nas batalhas Ou grande trunfo quando não são ditas Cultivar o silêncio como flor E cuidar de calar mais que dizer Resulta triunfar mais que sofrer Confere mais alívio do que dor O silêncio é uma jóia preciosa Sutil como uma pétala de rosa Mas firme nas contendas mais renhidas Assim se escolhe entre ter gáudio ou dor: Ser do silêncio seu amo e senhor Ou servo das palavras proferidas! Oldney Lopes©

CONSTELAÇÃO Sem ti sou um epíteto do nada Refuljo toda vez que te aproximas
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CONSTELAÇÃO Sem ti sou um epíteto do nada Refuljo toda vez que te aproximas Olhando o céu na noite enluarada A tua imagem doce me sublima Quando acordo sem ti fico tristonho Se te busco no início estás no fim Se me ponho a dormir estás no sonho Como fujo de ti, se estás em mim? Olhar-te como estrela é minha sina És como o sol que brilha e me ilumina Como uma lua em todo o seu clarão Mas não podes, se a noite se insinua, Ser sequer o meu sol ou minha lua Pois que já és minha constelação!

MANIA Mania, sentimento tresloucado Capricho, teimosia, fixação
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MANIA Mania, sentimento tresloucado Capricho, teimosia, fixação É loucura ou desejo imoderado Apego obsessivo, ardor, paixão Mania, sentimento atroz e intruso Por dominar a luz da sensatez É um insistente ser de rude abuso Que instiga a alma e afoga a lucidez Provei em ti do gosto de um amor E de pequena gota este sabor Virou mania: a gota agora é mar! Depois de tal amor alienado Não quero nunca mais deixar de lado Essa mania louca de te amar! Oldney Lopes©

FUGAZ Amor de sonho e vida e de esperança Que por ventura e gáudio logrei tê-lo
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FUGAZ Amor de sonho e vida e de esperança Que por ventura e gáudio logrei tê-lo Foi sonho e vida que curtí com zelo Com esperança firme e confiança Mas triste é amor que morre em tenra idade Que é de um sonho, quando cessa o lume? Que é da vida, evolado o perfume? E da esperança, cessada a vontade? Percebo deste amor o esvoaçar Enevoar, perder-se na distância, E dissipar-se em prantos eternais É sonho - esvaído ao despertar É vida - envelhecida já na infância Esperança - chamada nunca mais! Oldney Lopes©