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Frases de Olavo Bilac

68 frases

Criação Há no amor um momento de grandeza, que é de inconsciência e de êxtase bendito:
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Criação Há no amor um momento de grandeza, que é de inconsciência e de êxtase bendito: os dois corpos são toda a Natureza, as duas almas são todo o Infinito. Um mistério de força e de surpresa! Estala o coração da terra, aflito; rasgá-se em luz fecunda a esfera acesa, e de todos os astros rompe um grito. Deus transmite o seu hálito aos amantes; cada beijo é a sanção dos Sete Dias, e a Gênese fulgura em cada abraço; porque, entre as duas bocas soluçantes, rola todo o Universo, em harmonias e em glorificações, enchendo o espaço!

Ouvir Estrelas Ora (direis) ouvir estrelas! Certo, Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
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Ouvir Estrelas Ora (direis) ouvir estrelas! Certo, Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda a noite, enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?" E eu vos direi: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e e de entender estrelas.

Respostas na Sombra "Sofro... Vejo envasado em desespero e lama Todo o antigo fulgor, que tive na alma boa;
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Respostas na Sombra "Sofro... Vejo envasado em desespero e lama Todo o antigo fulgor, que tive na alma boa; Abandona-me a glória; a ambição me atraiçoa; Que fazer, para ser como os felizes?" - Ama! "Amei... Mas tive a cruz, os cravos, a coroa De espinhos, e o desdém que humilha, e o dó que infama; Calcinou-me a irrisão na destruidora chama; Padeço! Que fazer, para ser bom?" - Perdoa! "Perdoei... Mas outra vez, sobre o perdão e a prece, Tive o opróbrio; e outra vez, sobre a piedade, a injúria; Desvairo! Que fazer, para o consolo?" - Esquece! "Mas lembro... Em sangue e fel, o coração me escorre: Ranjo os dentes, remordo os punhos, rujo em fúria... Odeio! Que fazer, para a vingança?" - Morre!

O Sonho Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade Solto para onde estás, e fico de ti perto!
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O Sonho Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade Solto para onde estás, e fico de ti perto! Como, depois do sonho, é triste a realidade! Como tudo, sem ti, fica depois deserto! Sonho... Minha alma voa. O ar gorjeia e soluça. Noite... A amplidão se estende, iluminada e calma: De cada estrela de ouro um anjo se debruça, E abre o olhar espantado, ao ver passar minha alma. Há por tudo a alegria e o rumor de um noivado. Em torno a cada ninho anda bailando uma asa. E, como sobre um leito um alvo cortinado, Alva, a luz do luar cai sobre a tua casa. Porém, subitamente, um relâmpago corta Todo o espaço... O rumor de um salmo se levanta E, sorrindo, serena, apareces à porta, Como numa moldura a imagem de uma Santa...

Velhas árvores Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores moças, mais amigas,
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Velhas árvores Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores moças, mais amigas, Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas... O homem, a fera e o inseto, à sombra delas Vivem, livres da fome e de fadigas: E em seus galhos abrigam-se as cantigas E os amores das aves tagarelas. Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo. Envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem, Na glória de alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos, Dando sombra e consolo aos que padecem!

Um beijo Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...Glória e tormento,
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Um beijo Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida! Morreste, e o meu desejo não te olvida: queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, e do teu gosto amargo me alimento, e rolo-te na boca malferida. Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, batismo e extrema-unção, naquele instante por que, feliz, eu não morri contigo? Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, beijo divino! e anseio delirante, na perpétua saudade de um minuto...

(A função do poeta) O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o certa vez na rua: - Sr. Bilac, estou a precisar vender a minha propriedade, que o Senhor tão bem conhece. Poderia, por gentileza, redigir o anúncio para a venda no jornal?
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(A função do poeta) O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o certa vez na rua: - Sr. Bilac, estou a precisar vender a minha propriedade, que o Senhor tão bem conhece. Poderia, por gentileza, redigir o anúncio para a venda no jornal? Olavo Bilac apanhou o papel que o amigo lhe estendia e escreveu: VENDE-SE ENCANTADORA PROPRIEDADE "Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo. Cortada por cristalinas e marejantes água de um ribeiro. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda". “Meses depois, o poeta reencontrou o comerciante e perguntou-lhe se havia conseguido vender a propriedade”. - Nem pense mais nisso Sr. Bilac! Quando li o anúncio que o senhor escreveu é que percebi a maravilha que tinha nas mãos. Às vezes não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás de Miragens e falsos tesouros. Valorize o que você tem. A pessoa que está a seu lado, os amigos que estão junto a você, o emprego que Deus lhe proporcionou, o conhecimento adquirido, a sua saúde, o sorriso... Enfim, tudo aquilo que Nosso Senhor nos oferece diariamente para o nosso crescimento espiritual.

NÃO PERCAS TEMPO !!! Sou o Tempo que passa, que passa, Sem princípio, sem fim, sem medida!
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NÃO PERCAS TEMPO !!! Sou o Tempo que passa, que passa, Sem princípio, sem fim, sem medida! Vou levando a Ventura e a Desgraça, Vou levando as vaidades da Vida! A correr, de segundo em segundo, Vou formando os minutos que correm . . . Formo as horas que passam no mundo, Formo os anos que nascem e morrem. Ninguém pode evitar os meus danos . . . Vou correndo sereno e constante: Desse modo, de cem em cem anos Formo um século, e passo adiante. Trabalhai, porque a vida é pequena, E não há para o Tempo demoras! Não gasteis os minutos sem pena! Não façais pouco caso das horas! Olavo Bilac

Jardins Proibidos Quando amanheces, logo no ar, Se agita a luz sem querer,
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Jardins Proibidos Quando amanheces, logo no ar, Se agita a luz sem querer, E mesmo o dia, vem devagar, Para te ver. E já rendido, ver-te chegar, Desse outro mundo só teu, Onde eu queria, entrar um dia, P'ra me perder. P'ra me perder, nesses recantos Onde tu andas, sozinha sem mim, Ardo em ciúme, desse jardim, Onde só vai quem tu quiseres, Onde és senhora do tempo sem fim, Por minha cruz, jóia de luz, Entre as mulheres. Quebra-se o tempo, em teu olhar, Nesse gesto sem pudor, Rasga-se o céu, e lá vou eu, P'ra me perder. P'ra me perder, nesses recantos Onde tu andas, sozinha sem mim, Ardo em ciúme, desse jardim, Onde só vai quem tu quiseres, Onde és senhora do tempo sem fim, Por minha cruz, jóia de luz P'ra me perder, nesses recantos Onde tu andas, sozinha sem mim, Ardo em ciúme, desse jardim, Onde só vai quem tu quiseres, Onde és senhora do tempo sem fim, Por minha cruz, jóia de luz Entre as mulheres

Magoados ao crepúsculo dormente, Ora em rebojos galopantes, ora Em desmaios de pena e de demora,
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Magoados ao crepúsculo dormente, Ora em rebojos galopantes, ora Em desmaios de pena e de demora, Rios, chorais amarguradamente. Desejais regressar... Mas, leito em fora, Correis... E misturais pela corrente Um desejo e uma angústia, entre a nascente De onde vindes, e a foz que vos devora. Sofreis da pressa, e, a um tempo, da lembrança... Pois no vosso clamor, que a sombra invade, No vosso pranto, que no mar se lança, Rios tristes! agita-se a ansiedade De todos os que vivem de esperança, De todos os que morrem de saudade...

[NO MEIO DO CAMINHO] Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada E triste, e triste e fatigado eu vinha.
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[NO MEIO DO CAMINHO] Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada E triste, e triste e fatigado eu vinha. Tinhas a alma de sonhos povoada, E a alma de sonhos povoada eu tinha... E paramos de súbito na estrada Da vida: longos anos, presa à minha A tua mão, a vista deslumbrada Tive da luz que teu olhar continha. Hoje, segues de novo... Na partida Nem o pranto os teus olhos umedece, Nem te comove a dor da despedida. E eu, solitário, volto a face, e tremo, Vendo o teu vulto que desaparece Na extrema curva do caminho extremo.

O cavaleiro pobre (Pouchkine) Ninguém soube quem era o Cavaleiro Pobre,
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O cavaleiro pobre (Pouchkine) Ninguém soube quem era o Cavaleiro Pobre, Que viveu solitário, e morreu sem falar: Era simples e sóbrio, era valente e nobre, E pálido como o luar. Antes de se entregar às fadigas da guerra, Dizem que um dia viu qualquer cousa do céu: E achou tudo vazio... e pareceu-lhe a terra Um vasto e inútil mausoléu. Desde então, uma atroz devoradora chama Calcinou-lhe o desejo, e o reduziu a pó. E nunca mais o Pobre olhou uma só dama, - Nem uma só! nem uma só! Conservou, desde então, a viseira abaixada: E, fiel à Visão, e ao seu amor fiel, Trazia uma inscrição de três letras, gravada A fogo e sangue no broquel. Foi aos prélios da Fé. Na Palestina, quando, No ardor do seu guerreiro e piedoso mister, Cada filho da Cruz se batia, invocando Um nome caro de mulher, Ela rouco, brandindo o pique no ar, clamava: “Lumen coeli Regina!” e, ao clamor dessa voz, Nas hostes dos incréus como uma tromba entrava, Irresistível e feroz. Mil vezes sem morrer viu a morte de perto, E negou-lhe o destino outra vida melhor: Foi viver no deserto... E era imenso o deserto! Mas o seu Sonho era maior! E um dia, a se estorcer, aos saltos, desgrenhado, Louco, velho, feroz, - naquela solidão Morreu: - mudo, rilhando os dentes, devorado Pelo seu próprio coração.

CANÇÃO Dá-me as pétalas de rosa Dessa boca pequenina:
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CANÇÃO Dá-me as pétalas de rosa Dessa boca pequenina: Vem com teu riso, formosa! Vem com teu beijo, divina! Transforma num paraíso O inferno do meu desejo... Formosa, vem com teu riso! Divina, vem com teu beijo! Oh! tu, que tornas radiosa Minh’alma, que a dor domina, Só com teu riso, formosa, Só com teu beijo, divina! Tenho frio, e não diviso Luz na treva em que me vejo: Dá-me o clarão do teu riso! Dá-me fogo do teu beijo!

Beijo eterno Quero um beijo sem fim, Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
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Beijo eterno Quero um beijo sem fim, Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo! Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo, Beija-me assim! O ouvido fecha ao rumor Do mundo, e beija-me, querida! Vive só para mim, só para a minha vida, Só para o meu amor! Fora, repouse em paz Dormida em calmo sono a calma natureza, Ou se debata, das tormentas presa, - Beija inda mais! E, enquanto o brando calor Sinto em meu peito de teu seio, Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio, Com o mesmo ardente amor! De arrebol a arrebol, Vão-se os dias sem conto! E as noites, como os dias, Sem conto vão-se, cálidas ou frias! Rutile o sol Esplêndido e abrasador! No alto as estrelas coruscantes, Tauxiando os largos céus, brilhem como diamantes! Brilhe aqui dentro o amor! Suceda a treva à luz! Vele a noite de crepe a curva do horizonte; Em véus de opala a madrugada aponte Nos céus azuis, E Vênus, como uma flor, Brilhe, a sorrir, do ocaso à porta, Brilhe à porta do Oriente! A treva e a luz – que importa? Só nos importa o amor! Raive o sol no Verão! Venha o Outono! do Inverno os frígidos vapores Toldem o céu! das aves e das flores Venha a estação! Que nos importa o esplendor Da primavera, e o firmamento Limpo, e o sol cintilante, e a neve, e a chuva, e o vento? Beijemo-nos, amor! Beijemo-nos! que o mar Nossos beijos ouvindo, em pasmo a voz levante! E cante o sol! a ave desperte e cante! Cante o luar, Cheio de um novo fulgor! Cante a amplidão! cante a floresta! E a natureza toda, em delirante festa, Cante, cante este amor! Rasgue-se, à noite, o véu Das neblinas, e o vento inquira o monte e o vale: “Quem canta assim?” E uma áurea estrela fale Do alto do céu Ao mar, presa de pavor: “Que agitação estranha é aquela?” E o mar adoce a voz, e à curiosa estrela Responda que é o amor! E a ave, ao sol da manhã, Também,. a asa vibrando, à estrela que palpita Responda, ao vê-la desmaiada e aflita: “Que beijo, irmã! Pudesses ver com que ardor Eles se beijam loucamente!” E inveje-nos a estrela... e apague o olhar dormente, Morta, morta de amor!... Diz tua boca: “Vem!” “Inda mais!”, diz a minha, a soluçar... Exclama Todo o meu corpo que o teu corpo chama: “Morde também!” Ai! morde! que doce é a dor Que me entra as carnes, e as tortura! Beija mais! Morde mais! Que eu morra de ventura, Morto por teu amor! Quero um beijo sem fim, Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo! Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo! Beija-me assim! O ouvido fecha ao rumor Do mundo, e beija-me, querida! Vive só para mim, só para minha vida, Só para o meu amor!

A Boneca Deixando a bola e a peteca, Com que inda há pouco brincavam,
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A Boneca Deixando a bola e a peteca, Com que inda há pouco brincavam, Por causa de uma boneca, Duas meninas brigavam. Dizia a primeira : “É minha!” — “É minha!” a outra gritava; E nenhuma se continha, Nem a boneca largava. Quem mais sofria (coitada!) Era a boneca. Já tinha Toda a roupa estraçalhada, E amarrotada a carinha. Tanto puxavam por ela, Que a pobre rasgou-se ao meio, Perdendo a estopa amarela Que lhe formava o recheio. E, ao fim de tanta fadiga, Voltando a bola e a peteca, Ambas, por causa da briga, Ficaram sem a boneca ...

Pátria, latejo em ti, no teu lenho, por onde Circulo! e sou perfume, e sombra, e sol, e orvalho! E, em seiva, ao teu clamor a minha voz responde,
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Pátria, latejo em ti, no teu lenho, por onde Circulo! e sou perfume, e sombra, e sol, e orvalho! E, em seiva, ao teu clamor a minha voz responde, E subo do teu cerne ao céu de galho em galho! Dos teus liquens, dos teus cipós, da tua fronde, Do ninho que gorjeia em teu doce agasalho, Do fruto a amadurar que em teu seio se esconde, De ti, - rebento em luz e em cânticos me espalho! Vivo, choro em teu pranto; e, em teus dias felizes, No alto, como uma flor, em ti, pompeio e exulto! E eu, morto, - sendo tu cheia de cicatrizes, Tu golpeada e insultada, - eu tremerei sepulto: E os meus ossos no chão, como as tuas raízes, Se estorcerão de dor, sofrendo o golpe e o insulto!