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Frase de Olavo Bilac

Jardins Proibidos Quando amanheces, logo no ar, Se agita a luz sem querer, E mesmo o dia, vem devagar, Para te ver. E já rendido, ver-te chegar, Desse outro mundo só teu, Onde eu queria, entrar um dia, P'ra me perder. P'ra me perder, nesses recantos Onde tu andas, sozinha sem mim, Ardo em ciúme, desse jardim, Onde só vai quem tu quiseres, Onde és senhora do tempo sem fim, Por minha cruz, jóia de luz, Entre as mulheres. Quebra-se o tempo, em teu olhar, Nesse gesto sem pudor, Rasga-se o céu, e lá vou eu, P'ra me perder. P'ra me perder, nesses recantos Onde tu andas, sozinha sem mim, Ardo em ciúme, desse jardim, Onde só vai quem tu quiseres, Onde és senhora do tempo sem fim, Por minha cruz, jóia de luz P'ra me perder, nesses recantos Onde tu andas, sozinha sem mim, Ardo em ciúme, desse jardim, Onde só vai quem tu quiseres, Onde és senhora do tempo sem fim, Por minha cruz, jóia de luz Entre as mulheres

Olavo Bilac

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Pensador.com

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Hoje, segues de novo... Na partida Nem o pranto os teus olhos umedece, Nem te comove a dor da despedida.
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Hoje, segues de novo... Na partida Nem o pranto os teus olhos umedece, Nem te comove a dor da despedida. E eu, solitário, volto a face, e tremo, vendo o teu vulto que desaparece Na extrema curva do caminho extremo.

Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava, O que a boca não diz, o que a mão não escreve? — Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,
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Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava, O que a boca não diz, o que a mão não escreve? — Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve, Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava... O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava; A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve... E a Palavra pesada abafa a Idéia leve, Que, perfume e clarão, refulgia e voava. Quem o molde achará para a expressão de tudo? Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta? E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo? E as palavras de fé que nunca foram ditas? E as confissões de amor que morrem na garganta?

Por que me vens, com o mesmo riso, Por que me vens, com a mesma voz, Lembrar aquele Paraíso,
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Por que me vens, com o mesmo riso, Por que me vens, com a mesma voz, Lembrar aquele Paraíso, Extinto para nós? Por que levantas esta lousa? Por que, entre as sombras funerais, Vens acordar o que repousa, O que não vive mais? Ah! esqueçamos, esqueçamos Que foste minha e que fui teu: Não lembres mais que nos amamos, Que o nosso amor morreu! O amor é uma árvore ampla, e rica De frutos de ouro, e de embriaguez: Infelizmente, frutifica Apenas uma vez... Sob essas ramas perfumadas, Teus beijos todos eram meus: E as nossas almas abraçadas Fugiam para Deus. Mas os teus beijos esfriaram. Lembra-te bem! lembra-te bem! E as folhas pálidas murcharam, E o nosso amor também. Ah! frutos de ouro, que colhemos, Frutos da cálida estação, Com que delícia vos mordemos, Com que sofreguidão! Lembras-te? os frutos eram doces... Se ainda os pudéssemos provar! Se eu fosse teu... se minha fosses, E eu te pudesse amar... Em vão, porém, me beijas, louca! Teu beijo, a palpitar e a arder, Não achará, na minha boca, Outro para o acolher. Não há mais beijos, nem mais pranto! Lembras-te? quando te perdi Beijei-te tanto, chorei tanto, Com tanto amor por ti, Que os olhos, vês? já tenho enxutos, E a minha boca se cansou: A árvore já não tem mais frutos! Adeus! tudo acabou! Outras paixões, outras idades! Sejam os nossos corações Dois relicários de saudades E de recordações. Ah! esqueçamos, esqueçamos! Durma tranqüilo o nosso amor Na cova rasa onde o enterramos Entre os rosais em flor...