O que põe o mundo em movimento é a interação das diferenças, suas atrações e repulsões; a vida é pluralidade, morte é uniformidade.
Frases de Octavio Paz
27 frases
Depois de ter cortado todos os braços que se estendiam para mim; depois de ter entaipado todas as janelas e todas as portas; depois de ter inundado os fossos com água envenenada; depois de ter edificado minha casa num rochedo inacessível aos afagos e ao medo; depois de ter lançad…
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Depois de ter cortado todos os braços que se estendiam para mim; depois de ter entaipado todas as janelas e todas as portas; depois de ter inundado os fossos com água envenenada; depois de ter edificado minha casa num rochedo inacessível aos afagos e ao medo; depois de ter lançado punhados de silêncio e monossílabos de desprezo a meus amores; depois de ter esquecido meu nome e o nome da minha terra natal; depois de me ter condenado a perpétua espera e a solidão perpétua, ouvi contra as pedras de meu calabouço de silogismos a investida húmida, terna, insistente, da Primavera.
o dia abre a mão três nuvens e estas poucas palavras
Cada leitor procura algo no poema. E não é insólito que o encontre; já o trazia dentro de si.
O amor é uma tentativa de penetrar no íntimo de outro ser humano, mas só pode ter sucesso se a rendição for mútua.
Se os líderes lessem poesia, seriam mais sábios.
A solidão é o fundo último da condição humana. O homem é o único ser que se sente só e que procura um outro.
O homem é um ser que se criou a si próprio ao criar uma linguagem. Pela palavra, o homem é uma metáfora de si próprio.
Coisas e palavras sangram pela mesma ferida
Teus Olhos Teus olhos são a pátria do relâmpago e da lágrima, silêncio que fala,
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Teus Olhos Teus olhos são a pátria do relâmpago e da lágrima, silêncio que fala, tempestades sem vento, mar sem ondas, pássaros presos, douradas feras adormecidas, topázios ímpios como a verdade, outono numa clareira de bosque onde a luz canta no ombro duma árvore e são pássaros todas as folhas, praia que a manhã encontra constelada de olhos, cesta de frutos de fogo, mentira que alimenta, espelhos deste mundo, portas do além, pulsação tranquila do mar ao meio-dia, universo que estremece, paisagem solitária.
Certeza Se é real a luz branca desta lâmpada, real
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Certeza Se é real a luz branca desta lâmpada, real a mão que escreve, são reais os olhos que olham o escrito? Duma palavra à outra o que digo desvanece-se. Sei que estou vivo entre dois parênteses.
Silêncio Assim como do fundo da música brota uma nota
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Silêncio Assim como do fundo da música brota uma nota que enquanto vibra cresce e se adelgaça até que noutra música emudece, brota do fundo do silêncio outro silêncio, aguda torre, espada, e sobe e cresce e nos suspende e enquanto sobe caem recordações, esperanças, as pequenas mentiras e as grandes, e queremos gritar e na garganta o grito se desvanece: desembocamos no silêncio onde os silêncios emudecem.
DESTINO DO POETA Palavras? Sim. De ar e perdidas no ar.
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DESTINO DO POETA Palavras? Sim. De ar e perdidas no ar. Deixa que eu me perca entre palavras, deixa que eu seja o ar entre esses lábios, um sopro erramundo sem contornos, breve aroma que no ar se desvanece. Também a luz em si mesma se perde.
IRMANDADE Sou homem: duro pouco e é enorme a noite.
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IRMANDADE Sou homem: duro pouco e é enorme a noite. Mas olho para cima: as estrelas escrevem. Sem entender compreendo: Também sou escritura e neste mesmo instante alguém me soletra.
A palavra é o próprio homem. Somos feitos de palavras. Elas são nossa única realidade ou, pelo menos, o único testemunho de nossa realidade".
Os corpos são hieróglifos sensíveis.
O mundo muda quando dois se olham e se reconhecem... Amar, é despir-se de nomes
Não há poema em si, mas em mim ou em ti.
A palavra quando é criação desnuda. A primeira virtude da poesia tanto para o poeta como para o leitor é a revelação do ser. A consciência das palavras leva à consciência de si: a conhecer-se e a reconhecer-se.
Vento, Água, Pedra A água perfura a pedra, o vento dispersa a água,
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Vento, Água, Pedra A água perfura a pedra, o vento dispersa a água, a pedra detém ao vento. Água, vento, pedra. O vento esculpe a pedra, a pedra é taça da água, a água escapa e é vento. Pedra, vento, água. O vento em seus giros canta, a água ao andar murmura, a pedra imóvel se cala. Vento, água, pedra. Um é outro e é nenhum: entre seus nomes vazios passam e se desvanecem. Água, pedra, vento.
A poesia é corporal
Sentir-se só possui um duplo significado: por um lado, consiste em ter consciência de si; por outro, um desejo de sair de si. A solidão, que é a própria condição de nossa vida, surge para nós como uma prova e uma purgação, no fim da qual a instabilidade e a angústia desaparecerão…
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Sentir-se só possui um duplo significado: por um lado, consiste em ter consciência de si; por outro, um desejo de sair de si. A solidão, que é a própria condição de nossa vida, surge para nós como uma prova e uma purgação, no fim da qual a instabilidade e a angústia desaparecerão. A plenitude, a reunião, que é repouso e felicidade, e a concordância com o mundo, nos esperam no fim do labirinto da solidão
Ao matar a morte, a religião nos tira a vida: vivemos morrendo. A eternidade despovoa o instante.
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Ao matar a morte, a religião nos tira a vida: vivemos morrendo. A eternidade despovoa o instante. Vida e morte são inseparáveis
Só erra quem produz. Mas, só produz quem não tem medo de errar. As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo. Do medo da mudança.