O fato é que nunca consegui entender porque a gente não supera certas coisas.
Frases de Nenê Altro
51 frases
"Você torna tão difícil tudo, porque se importa demais com o que os outros vão pensar, ninguém vai devolver sua vida quando perceber que deixou tudo pra trás"
Já me decepcionei o suficiente com as pessoas pra me importar com o que elas pensam ou não sobre o que sobra de minha vida.
Opniões , as pessoas estão cheias delas , eu estou cheia delas , delas e das pessoas !
Depois que aprendi que, nesta vida, não se morre apenas uma vez, perdi o medo da morte. Entendi que, da mesma forma que o corpo físico, quando morre e se deteriora, transforma-se em parte da terra e dá vida a outros organismos, a morte de ciclos, escolhas, verdades, personalidad…
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Depois que aprendi que, nesta vida, não se morre apenas uma vez, perdi o medo da morte. Entendi que, da mesma forma que o corpo físico, quando morre e se deteriora, transforma-se em parte da terra e dá vida a outros organismos, a morte de ciclos, escolhas, verdades, personalidades ou de posturas perante a própria vida, inevitavelmente faz nascer um novo capítulo e novas possibilidades. E também que, com a superação dos apegos emocionais, o fim de algo em nós que não mais nos serve amplia a gama de realidades possíveis dentro da breve passagem pela existência.
Verdade que o mundo é carro descontrolado. Porém, também verdade, escolhe-se quem viaja ao lado. A turbulência do mundo já exige atenção demais para optar por displicência a afastar-se de sua paz.
Na montanha russa da vida, quando árduo parecer o adiante, lembra que és carro, estrada infinita
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Na montanha russa da vida, quando árduo parecer o adiante, lembra que és carro, estrada infinita e a própria montanha gigante.
Palavras mais palavras Malditas, desgraçadas... Outra vez jogadas contra o vento
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Palavras mais palavras Malditas, desgraçadas... Outra vez jogadas contra o vento Tudo aquilo que senti Já não vale mais nada Agora que vejo o quão tolo foi acreditar Que o calor humano da revolução Jamais queimaria minhas mãos "Solidariedade proletária" escorrer Ver o sangue nas costas de meus irmãos... Agora que se contam corpos como grãos Com os mortos enterramos nossos ideais Como não alimentar O ódio em meu olhar Se a dor da traição aumenta cada vez Que lembro de teu discurso febril Escondendo a foice em teus olhos E me sinto tão usado, infantil E tão culpado, imundo, vazio, doente, imbecil Tudo por ter acreditado uma vez
Te prometo estar sempre por aqui E cruzar montanhas. Na alegria, na tristeza,
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Te prometo estar sempre por aqui E cruzar montanhas. Na alegria, na tristeza, E nos sorrisos das crianças. Te prometo estar sempre por aqui E cruzar montanhas. Que esse caminho é o que há de melhor... Eu e você, A lua e o sol, E nada mais importa.
Comece uma frase Sofia, qual aquelas que acendiam estrelas Me deixa uma vez mais
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Comece uma frase Sofia, qual aquelas que acendiam estrelas Me deixa uma vez mais encantado pela voz que vence madrugadas. Ah, sofrer em teus braços seria o meu prazer e viver em mil pedaços seria tudo pra mim..
...AH, SE EU FOSSE POETA SABERIA COMO ME DEFENDER, MAIS EU SOU SÓ MAIS UM GAROTO INBECIL A SE REPITIR!
As pessoas não deviam ter nojo das baratas, pq pelo menos elas são o que são !!!
Em toda a minha vida atiraram em minhas costas, e todas as vezes eu voltei, para tomar os tiros !
Eu posso estar esperando por algo que esteja morto e posso ser o mais tolo
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Eu posso estar esperando por algo que esteja morto e posso ser o mais tolo por fingir não saber que nada vai voltar a ser igual a quando eu te via inocente e tão frágil e queria te abraçar pra proteger e esconder do mundo o que era tão meu. Mas me faz bem fechar os olhos, acreditar ser um sonho e que vou acordar, vou te abraçar e ter mais uma chance de não te ver morrer em meus lábios.
Pecado é não viver a vida.
Hoje a tatuagem virou roupa, é só imagem, cor e figura, não tem mais identificação tribal ou sentido político, poético, artístico, acho que só pra galera do submundo mesmo. As pessoas comuns passaram a ser a própria estética. Estética pela estética, e pra elas as tatuagens são co…
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Hoje a tatuagem virou roupa, é só imagem, cor e figura, não tem mais identificação tribal ou sentido político, poético, artístico, acho que só pra galera do submundo mesmo. As pessoas comuns passaram a ser a própria estética. Estética pela estética, e pra elas as tatuagens são como um produto pra combinar com seu sapato. Meio triste. Perderam a melhor época.
Meu corpo é um casco vazio. Com um coração pendurado em um pêndulo. De cada lado uma adaga com a ponta bem rente.
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Meu corpo é um casco vazio. Com um coração pendurado em um pêndulo. De cada lado uma adaga com a ponta bem rente. E pra qualquer lado que eu me mova dói. (…) Meus olhos vivem pra dentro. Contemplando um universo escuro, infinito e silencioso. Para todas as direções horizontes que nunca chegam. E pra onde quer que olhe não acho meu caminho. (…) Minha alma tem gosto de mofo. Seca a língua, raspa a garganta, perturba o sono. Se debate feito louca por todo meu corpo. E sempre tenta fugir de mim. (…) Solidão é assim, a gente tenta dividir mas nunca consegue. Janeiro 2010 – “O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink”
Janeiro, tem que ser diferente, vai ser diferente. Janeiro. Eu estou aqui, brisa da chuva no rosto, gosto de tempestade na alma, correndo em passos curtos,
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Janeiro, tem que ser diferente, vai ser diferente. Janeiro. Eu estou aqui, brisa da chuva no rosto, gosto de tempestade na alma, correndo em passos curtos, tentando demonstrar calma. Mas não há. Não há nada calmo em mim. Tenho um terremoto de três anos para escavar e tentar encontrar coisas que deixei pra trás por baixo das pilhas de caixas de papelão. Porque foi assim Janeiro. Não sabia o que fazer com as coisas então colocava sempre numa caixa. Se eu não via, não estavam mais lá. Se eu não lembro eu não fiz. E a vida seguia. Carregando caixas fechadas de casa em casa, de mudança em mudança. Só que o sol me atravessa Janeiro, e minha sombra parece peneira. Não dá mais. Tem que ser diferente. Pensa assim, pode ser bom. Feito primeiro dia de aula na escola nova, assustador mas novo, passa uns dias e já tem gosto, passa uns meses e já tem saudade. E então como em uma casa toda branca e sem móveis levaria uma caixa por vez, abriria, tiraria as pilhas de vida, daria risadas, choraria, pensaria e guardaria uma ou outra coisa mas aprenderia a dizer adeus. Porque faz parte da vida. Não dá pra carregar tanto peso assim pra sempre. Não é Janeiro? Não é? Tem que ser diferente, vai ser diferente. Janeiro. Sei que vai… Sei que vou… Dezembro 2008 – “O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink”
Meu corpo é um casco vazio. Com um coração pendurado em um pêndulo. De cada lado uma adaga com a ponta bem rente.
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Meu corpo é um casco vazio. Com um coração pendurado em um pêndulo. De cada lado uma adaga com a ponta bem rente. E pra qualquer lado que eu me mova dói. (…) Meus olhos vivem pra dentro. Contemplando um universo escuro, infinito e silencioso. Para todas as direções horizontes que nunca chegam. E pra onde quer que olhe não acho meu caminho. (…) Minha alma tem gosto de mofo. Seca a língua, raspa a garganta, perturba o sono. Se debate feito louca por todo meu corpo. E sempre tenta fugir de mim. (…) Solidão é assim, a gente tenta dividir mas nunca consegue. Janeiro 2010 – “O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink”
E se eu disser que nunca sei mesmo a direção? E se eu disser que toda vez que eu achei que ia acertar eu na verdade só arrisquei? Você ainda ia me querer?
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E se eu disser que nunca sei mesmo a direção? E se eu disser que toda vez que eu achei que ia acertar eu na verdade só arrisquei? Você ainda ia me querer? Diz. Eu seria ainda o que sou para você? E se eu disser que eu nunca soube nada de minha vida, que eu sempre deixei tudo passar por mim e as vezes ia, as vezes não ia, dependendo do gosto do café. Você ia querer? Será que ia mesmo? Minha vida é correr contra os carrinhos na montanha russa esperando vencer o impossível e não ser levado outra vez para trás. Você entende? Ainda assim quer? Pensa… Eu não sei nada. Só sei ser assim. Eu sequer me entendo. Nunca consegui brincar de ter certeza. Nunca consegui 100% de não dúvida. Ainda? Ninguém esqueceu a sombra em meu quarto. Ainda assim eu fugi. Ninguém passou com pressa por mim. Ainda assim segui… e caí no buraco da árvore. Eu sempre fui… Sempre passei… Sempre acreditei em minhas próprias estórias. E nunca dormi. Sempre vi tudo chacoalhar meus cabelos e me deixei levar. É isso? Nunca morei em uma só casa. Nunca fiquei em um só plano. E é sempre o gosto do café. Nada concreto. Nenhuma teoria. Nenhum cálculo. Só correr contra a brisa pra sentir o gosto da chuva na boca. Nunca cresci. Agora perdi o trem. E ele não para mais pra mim. E se eu dissesse que eu também não quero que ele pare. Você ia querer? Será que ia mesmo? Eu mesmo nunca sei… 2004 – “Os Funerais Do Coelho Branco”
No meu sonho havia esse deserto. Deserto americano sabe. Como de filme.
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No meu sonho havia esse deserto. Deserto americano sabe. Como de filme. Não como o do Saara. Que também só vi nos filmes. Mas havia esse deserto, enfim, e eu caminhava, caminhava, e me sentia só. Passava a noite inteira caminhando nesse sonho e nunca chegava a lugar algum. Mas essa não era a pior parte. Toda vez que ventava eu precisava correr atrás de algo para me esconder. Uma placa, uma pedra, um esqueleto de vaca morta, uma tampinha de garrafa. Porque parecia que não só estava ali como também era feito de areia. Eu era o próprio deserto. E toda vez que ventava forte um pouco de mim ia embora. E eu era cada vez menos tudo que conhecia. Até que, numa parte do sonho, tanto de mim já tinha ido embora com o vento que começava a doer. O vento soprava e a pele já tinha ido embora faz tempo. Estava só nos nervos, espirrando sangue e sempre doía muito. Nessa parte eu sempre acordo e a dor fica. (2005)
A dor da alma não se compartilha. E não passa. É atemporal.
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A dor da alma não se compartilha. E não passa. É atemporal. Não diminui com a idade. Vem como a mão do demônio passando pelo peito e espremendo tudo lá dentro. Ela te vence. E sempre, sempre se supera. Você acha que se conhece. Acha que nunca mais. Mas ela te conhece mais ainda. Você fica velho. Ela fica sofisticada. Essa maldita dor da alma nunca vai me dar paz. Essa maldita dor da alma sempre quer me vencer. É como uma máquina de tatuagem persistente e sanguinária que a gente tenta ignorar mas sabe que está ali. Te rasgando. Descaralhando sua vida. Insistindo em te mostrar que você não é forte. Mas da mesma maneira que a dor da tatuagem te deixa uma marca bonita a dor da alma te faz saber que você tem alma. E isso já me faz erguer discretamente um pequeno sorriso no canto do lábio. Porque enquanto essa dor desgraçada me acompanhar pelo menos sei que estou vivo. Setembro 2010 – “O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink”
O cachorro late no portão e tenta desesperadamente passar algo além do focinho.
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O cachorro late no portão e tenta desesperadamente passar algo além do focinho. Ele quer sair e mijar nos postes com os outros cachorros. Mas ninguém entende. Ele pertence aos donos do portão. Então ele grita. Acham que ele é bravo. Ele grita mais. Acham que ele incomoda. Aí jogam água e além de puto ele sente frio. Pensam em adestrar no Método Ludovico mas sabem que no fundo ele será sempre o mesmo cachorro. Então, numa certa noite, cortam suas bolas. E o cachorro não late mais. Não quer mais gritar. Não quer mais sair do portão. Não quer mais ver os amigos nem mijar nos postes. Só quer ficar velho, doente e acabar logo com isso. Soa familiar? Você deve ter visto algum cachorro desses em algum espelho por aí ou em qualquer reflexo de vitrine. Pois é… Agora o portão fica aberto e o cachorro olha pra rua sem vontade de sair nem de latir. Setembro 2010 – “O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink”
Quarenta e tantos anos e ainda consigo pegar rodovias internas sem que ninguém perceba.
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Quarenta e tantos anos e ainda consigo pegar rodovias internas sem que ninguém perceba. Guiando no limite, vagando entre dois mundos, entre o lúdico e o tédio, entre a boca e os dentes, entre o chão e o amor. Às vezes fechando os olhos, às vezes dias sem dormir, às vezes o copiloto de lá vira o piloto de cá e eu tenho que mandar o de cá pra lá para assegurar não deixar perder a linha que faço de estrada e que me garante o caminho de volta à sanidade. Porque é isso que é uma linha muito, mas muito fina, e há quarenta e tantos anos eu tenho medo de me perder dela e me perder aqui dentro, porque sei que não teria volta e aqui fora seria um caos, minha casca acabaria jogada num beco qualquer, numa prisão ou num hospício, por ter me perdido abusando da mais perigosa das drogas, a droga de querer estar fora do alcance do mundo, das pessoas, dessa vida áspera e em um lugar seguro onde conheça tudo e nada possa me atingir. E é por isso que há quarenta e tantos anos enquanto me gritam ou mandam enumerar papéis, viver sem respirar, correr pra pagar as contas, acreditar nos homens, nos bancos e nos juros ou aprender fórmulas, ao invés de pegar uma estaca e enfiar entre seus olhos para que me façam sombra em um dia de sol, apenas sorrio e agradeço, pois enquanto minha boca estica até as orelhas meu piloto de fora é mais uma vez copiloto aqui dentro e estamos sumindo na estrada fazendo toda essa dor maldita virar poeira. 2017