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Frases de Nelson Rodrigues da Costa

148 frases

⁠Coroação Há quem pense que o poder nasce de cima, mas nunca houve cúpula que não tivesse sido erguida
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⁠Coroação Há quem pense que o poder nasce de cima, mas nunca houve cúpula que não tivesse sido erguida pelas mãos dos de baixo. Quem põe a coroa na cabeça de outro assina a própria servidão, mesmo que diga que o faz por justiça ou ordem. O homem que aceita governar sem ter pedido, já caiu. E o povo que o aclama, também. O medo não vem de quem manda, vem de quem obedece por hábito. E o hábito é o maior inimigo da alma. Não é preciso revolta, basta deixar de ajoelhar. Basta parar de apontar o dedo e de esperar que apontem por nós. Porque o verdadeiro governo é o de si próprio. E a única coroa que vale é a que não se vê — a que se acende dentro, quando se escolhe ser livre sem precisar de mandar.

Ser feliz não é possuir o mundo nas mãos, nem somar vitórias como quem coleciona medalhas enferrujadas. Ser feliz é mais silencioso. É reconhecer que o pouco que nos acompanha já carrega em si o inteiro da vida. Não se trata de ter tudo, porque o tudo é sempre uma miragem que s…
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Ser feliz não é possuir o mundo nas mãos, nem somar vitórias como quem coleciona medalhas enferrujadas. Ser feliz é mais silencioso. É reconhecer que o pouco que nos acompanha já carrega em si o inteiro da vida. Não se trata de ter tudo, porque o tudo é sempre uma miragem que se afasta quando pensamos alcançá-la. Trata-se de agradecer o instante, o gesto, o olhar que nos acolhe, o pão simples sobre a mesa, a respiração que insiste em continuar. A felicidade, afinal, não é abundância, mas presença. Não é conquista, mas gratidão. É o vazio que se ilumina quando aceitamos que nada nos falta, mesmo quando falta tanto. No fundo, ser feliz é aprender a olhar para o que temos e descobrir que aí já mora um universo inteiro.

Nasci em 1976, na Alemanha, mas sou lusitano e escrevo quando o silêncio já não chega. Penso sobre identidade, tempo, sombra, e sobre a estranha nobreza que persiste no imperfeito.
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Nasci em 1976, na Alemanha, mas sou lusitano e escrevo quando o silêncio já não chega. Penso sobre identidade, tempo, sombra, e sobre a estranha nobreza que persiste no imperfeito. Vejo-me como uma figura quixotesca, uma espécie de poeta da triste figura, não por heroísmo, mas por partilhar a teimosia dos valores, a lucidez da honra e a coragem de enfrentar os meus próprios gigantes… e ilusões. Não procuro glória. Escrevo para dar forma ao que, de outro modo, me consumiria.

Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar.
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Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar. Não sou o que mostro. Sou o que seguro para não cair. O que calei para não ferir. O que deixei por dizer quando me disseram que já não havia tempo. Aprendi a vestir sombras com a dignidade de quem sabe que até a noite tem camadas. Ergui castelos no ar com mapas rasgados. Com linhas tortas, sim, mas desenhadas com silêncio aceso. Procurei luz sem a pedir. Preferi arder por dentro a que me apontassem o fogo. E quando me disseram que o mundo era preto ou branco, guardei as cores no bolso. Não para esconder — mas para que alguém as quisesse ver. Sou feito de todas as coisas que não se veem à primeira. De silêncios que gritam. De memórias que ainda não aconteceram. De palavras que nasceram antes da boca. Não preciso de ser lido. Mas se me lerem, que não me distorçam. Procurem a cor, não as trevas. As que tremem. As que resistem. As que sou.