Não aceito a ideia de destino predeterminado. Nada existe que não possa ser mudado ou atenuado por nossa vontade, a não ser a morte. Mas a morte não é predeterminismo, é condição da própria vida; continuísmo dela. Nelson de Medeiros
Frases de Nelson Medeiros
4 frases
ENTRE O SONO E O DESEJO No limiar da noite, ela surgia, e vinha envolta em véus de claridade;
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ENTRE O SONO E O DESEJO No limiar da noite, ela surgia, e vinha envolta em véus de claridade; seus olhos, dois abismos de saudade, tinham a cor da dor que não se esfria! Jamais tocada, sempre se esvaía, na dança lenta da minha ansiedade; mas sumia, ao toque da verdade, como a bruma que o sol desfaz ao dia! Então, já no fim da madrugada, volta e me sussurra um verso derradeiro: “— O amor é sonho imortal e constante”! Então desperto só, mas sem revolta, com seu perfume preso ao travesseiro, cheio de esperança daquele instante! Nelson de Medeiros 08/03/2023, no auge da pandemia.
NUM CAFÉ, O TEMPO PAROU... Trago comigo um amor em segredo, que tem morada na minha ilusão;
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NUM CAFÉ, O TEMPO PAROU... Trago comigo um amor em segredo, que tem morada na minha ilusão; amor sem nome, sem culpa, sem medo, que veio do fundo da solidão! Pintei seu rosto na tela da mente, onde o amor, em silêncio, florescia; a cor do afeto — sutil e envolvente — tingiu de ternura a melancolia. Vaguei nas ruas da perseverança, em busca de algo que nunca se achou; no rastro fugaz de parca esperança, o amor calado mais fundo ecoou! Um dia o vi — por acaso ou bruxedo —, num café, e então minha alma se avia; surgiu qual fosse um feitiço de enredo, e pensei: “Será ela? Quem diria!” O tempo parou — tremi de surpresa — não era a mesma, mas lembrava tanto, que meu olhar se perdeu na incerteza, e até busquei conservar o encanto! Mas, sem defesa, rendido à realidade, voltei à vida, ao mundo real! E então, sentindo uma estranha saudade, amei — de novo — um amor sem final! Nelson de Medeiros.
HORA TRISTE O momento transcende a fim de mundo; o bardo se aconchega à solidão,
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HORA TRISTE O momento transcende a fim de mundo; o bardo se aconchega à solidão, e, prenhe de um pesar cruel, profundo, chora a angústia de atroz desilusão! Na penumbra da alma, o céu é profundo, e o pranto inunda toda a escuridão; então um verso nasce, e num segundo, canta a mágoa que habita o coração! Mas mesmo em meio à sombra que consome, o bardo insiste em seu cantar dolente, buscando luz no abismo da saudade! O tempo passa, lento e indiferente, e cria, então, a estrofe com seu nome, na rima rica da felicidade! Nelson de Medeiros