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Frases de Neiva Chemite

104 frases

⁠A falta de humildade para aprender nos faz enxergar a própria arrogância no próximo, mesmo que ele tenha apenas a intenção de compartilhar para aproveitamento alheio o que já experienciou. Vivemos a era da arrogância muito bem disfarçada sob rótulos. Qualquer opinião vira julga…
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⁠A falta de humildade para aprender nos faz enxergar a própria arrogância no próximo, mesmo que ele tenha apenas a intenção de compartilhar para aproveitamento alheio o que já experienciou. Vivemos a era da arrogância muito bem disfarçada sob rótulos. Qualquer opinião vira julgamento, qualquer ensinamento bem-intencionado vira "caga-regra", e tudo o que é antigo virou inaproveitável. Estariam as palavras sendo reféns da nossa falta de sabedoria coletiva?

⁠ARREDIA No armagedon digital o cliché cospe na sabedoria.
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⁠ARREDIA No armagedon digital o cliché cospe na sabedoria. Proliferam-se escritas sem alma, métricas perfeitas sem poesia. Frases de efeito simulando profundidade. Moralismo decadente sob a aura de verdade. Romantismo velhaco retirando das mulheres seu valor na conversa fiada do que se supõe amor. A produção literária continua patriarcal. Overdose de postagens cômicas disfarçando nossa decadência cultural. O exibicionismo corporal fazendo das palavras escadaria. A miserabilidade educacional de um povo disfarçada de alegria.

A PARTIDA DA MENINAZINHA A menina só caminha pela cidade bela.
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A PARTIDA DA MENINAZINHA A menina só caminha pela cidade bela. E a cidade ri e zomba da menina velha. Os olhos tristes da meninazinha têm vida. Romperão ciclos sistêmicos de desamor sobrevivendo à presença esquecida. A perspicácia do olhar, camuflada em azul do céu noturno, vai furar o cerco que a aprisiona ali. A menina não sonha apenas cria outras realidades para existir. Ignora príncipe encantado. Prefere se armar com palavras para fugir. Levará consigo uma bomba de melancolia que, quem sabe um dia, explodirá em poesia.⁠

⁠SOM E SILÊNCIO A voz que ressoa pelo canal da tua garganta pode ser a chave que abre a cela em que um
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⁠SOM E SILÊNCIO A voz que ressoa pelo canal da tua garganta pode ser a chave que abre a cela em que um ou milhares estão aprisionados. Ou o som da tua própria alforria. A quebra da mudez torturante que asfixia. A força do teu silêncio pode ser o estardalhaço da tua serenidade sobre a ignorância ruidosa que se vangloria. Mas o som da tua fala pode ser também o cadeado que tranca a boca das minorias. A manifestação do autoritarismo que se sobrepõe aos gritos dos desvalidos. A mudez da tua indiferença pode perpetuar por séculos a servidão e a manifestação multiforme da violência. Se por medo, o calar da tua fala produzirá também feridas na tua essência. Há silêncio profundo e fala revolucionária. Há fala excessiva e silêncio covarde. Há escuta que salva e palavra que arde. A voz que soa pelo canal da tua consciência pode parar o bumbo do marchar da tirania ou o mutismo que a sustenta. O bom uso do som ou do silêncio reside no exercício da tua sabedoria.

⁠POESIA QUE ME ESPANTA Do momento em que a razão não consegue comportar, a poesia nasce.
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⁠POESIA QUE ME ESPANTA Do momento em que a razão não consegue comportar, a poesia nasce. Do esquivar das algemas da mente a espreitar. Do olhar além do além que a sutileza capta. Do que não se expressa pela oralidade chula e gasta. A poesia condensa os sentidos. Mimetiza-se na escrita de um livro em qualquer estilo literário. Entrega-se a um pedinte. Não se rende a um mercenário. Desconstrói a narrativa fática. É música que vibra no espectro da sonoridade. E por ser ritmo e compasso, também é matemática. Torna a pequena palavra vasta. Guerreira de um só ou de exércitos de Ghandi, conquista sem armas. A poesia basta!

⁠ANDARILHOS Somos andarilhos no tempo trocando de roupa a cada nova jornada.
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⁠ANDARILHOS Somos andarilhos no tempo trocando de roupa a cada nova jornada. Vestes masculinas e femininas em predominância ou mescladas. As cores se alternam entre branca, preta, amarela e todas as cores da aquarela. Levando conosco, das escolhas, as pegadas. Evoluindo a largos passos ou refazendo trajetos na busca de uma nova estrada. O tempo infindo corre conosco e se amalgama em nós. Paralisa quando nos detemos nos nós, até desatarmos os apegos, vencermos os medos, qualificados para uma nova morada. Há que se caminhar com o livre-arbítrio que nos valida a vida, podendo ser andarilhos de trilho ou de trilha.

⁠DOMINGO Inundação de pausa. Incômoda calma
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⁠DOMINGO Inundação de pausa. Incômoda calma lembrando a mente insone que ela tem alma. Domingo, em que o segundo se alarga para suportar a segunda que nos aguarda, escancara, sarcasticamente, que nosso tempo se vai, ao pôr a vida em modo stand by.

QUANTAS VEZES JÁ MORREMOS NESTA VIDA? Morremos e renascemos de rupturas e desfazimentos,
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QUANTAS VEZES JÁ MORREMOS NESTA VIDA? Morremos e renascemos de rupturas e desfazimentos, em ciclos encadeados por morte e renascimento. Partimos por vontade própria de histórias vividas com validade vencida, ou expulsos do paraíso mesmo agarrados feito carrapicho. Coisas, pessoas, status indispensáveis são tirados de cena à nossa revelia, substituídos por novos, que serão depostos por outros, e outros… O eu que fomos, se recompõe em novos prumos mesmo arrastado contra a vontade para outros rumos. Assim seguimos vivendo, no mesmo corpo, morrendo e renascendo.⁠

⁠ESTOU EM OBRAS, DESCULPE O TRANSTORNO! Meu alicerce é forte, embora a edificação
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⁠ESTOU EM OBRAS, DESCULPE O TRANSTORNO! Meu alicerce é forte, embora a edificação seja vulnerável às intempéries. Sucumbo, às vezes, aos ataques dos que me ferem, mas me recomponho sempre, rebocando ocos com aprendizados nos golpes que me desferem. Entre, mas atento para não se ferir com a oralidade das minhas cruas verdades, pois meu piso ainda é rústico e há entulhos por toda parte.

META UM VERSO: quando a realidade dura te inquietar; quando tudo o que parecia sólido desmoronar;
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META UM VERSO: quando a realidade dura te inquietar; quando tudo o que parecia sólido desmoronar; quando tiver que se recompor, remendando teus esforços chutados por quem não soube valorizar. Já há dentro de ti um metaverso, uma consciência capaz de alterar o ambiente coletivo a partir do teu próprio universo. Para cada dor existe uma cura. A cada lágrima, meta um verso.⁠

MÃES MARIANAS Lá vai a incansável mãezinha, carregando as dores dos seus filhinhos.
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MÃES MARIANAS Lá vai a incansável mãezinha, carregando as dores dos seus filhinhos. Abrigando-nos sem julgamento, em seu amoroso ninho. Relevando nossos tropeços em desesperos. Embalando nossas esperanças em recomeços. Energia da Mãe Maior que consagra todas as formas de vida. Transfigurando-se em muitas Marias, Lourdes, Fátimas, Aparecidas…⁠

⁠O VULTO QUE VOCÊ VÊ Uma pena que não note a profundidade do meu riso. Como ainda trago a menina na alegria que improviso
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⁠O VULTO QUE VOCÊ VÊ Uma pena que não note a profundidade do meu riso. Como ainda trago a menina na alegria que improviso sobre uma trajetória intensa, em que recriei com arte a tristeza, sob disfarces. Lamento que não veja a beleza que tenho, e que não é pouca. Que não morre na extensão da minha idade. Que rebenta nas ondas da inquietude e nos despertares repentinos, extrapolando o que expresso pela boca. O que você enxerga é ilusão de ótica. Minha imagem recriada pelos tolos e reduzida a um vulto, porque os meus verdadeiros versos estarão sempre ocultos.

⁠SOLTE AS RÉDEAS DA TUA POESIA Tua poesia não se restringe às letras encadeadas do poema,
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⁠SOLTE AS RÉDEAS DA TUA POESIA Tua poesia não se restringe às letras encadeadas do poema, que escreveste ou não. Tua poesia sorri na gratidão da tua paciência aos esquecimentos do pai. No humor ao olhar de tua mãe, que te eterniza na infância. Na amorosa tolerância aos defeitos dos teus amigos. E na tua resignação ao ninho vazio pelo voo justo dos teus filhos. A poesia, que te é inerente, mora em ti quase anônima e exala na tua humanidade manifesta em meio ao caos e o improvável, feito florada fora de época.

DESPEDIDA Despedir-se é dar adeus a uma parte de si. É amando ainda a presença, deixar partir.
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DESPEDIDA Despedir-se é dar adeus a uma parte de si. É amando ainda a presença, deixar partir. É alimentar-se da constância da ausência. Emoldurar cacos de vivências, irrelevantes, na memória. Mantendo, em desespero, a força contínua de uma história. É aquecer-se solitário no frio. É deixar voar, entulhando com retalhos de afetos o ninho vazio. É disparar-se numa via em sentido contrário. Despedida é a nobreza calada do amor libertário.⁠

ESTADO DE FOME Há fome de fama e dinheiro. Há fome de ascensão.
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ESTADO DE FOME Há fome de fama e dinheiro. Há fome de ascensão. Há fome de domínio e revanche. Há fome de ostentação. Todas insaciáveis, disfarçadas de saudável ambição, ao tempo em que cresce a fome do estômago, curável com alimentos em justa distribuição. Nesse desequilíbrio, parte da humanidade padece por enfermidades da alma e compulsão, enquanto a outra parte morre indigente pela ausência de pão. * Estado de fome é um conceito budista que caracteriza o baixo estado de vida em que pessoas são controladas por seus desejos insaciáveis, vivendo em estado de contínua insatisfação.⁠

⁠LETRAS MORTAS NO PORÃO Houve um tempo em que letras eram soterradas a sete palmos do chão.
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⁠LETRAS MORTAS NO PORÃO Houve um tempo em que letras eram soterradas a sete palmos do chão. Junto a corpos dizimados pela ignorância de fuzil na mão. Letras sem fala, sem grafia. Esmagadas por coturnos em um país soturno. Nas ruas, o carnaval passava enquanto a vida sem plenitude agonizava. Mas ninguém notou. Ninguém viu. E uns ainda clamam, renunciando à própria palavra, por esse carnaval sombrio.