Renúncia
Acabou-se a vocação para poeta
Não me chame Poesia! Estou ausente
O “volto já” à maçaneta é puro engano
E frustra os planos de quem só quer chegar
Pois eu tão fui como ainda sou dele
A tevê que me assiste bem sabe
e quem me espia da janela também sabe:
Há dias que não me encontro mais em mim.
A vida é um instante:
É aquele dia ameno com quem se ama
É aquele diálogo que pra sempre se recordou
É aquele riso inefável
É o apoio de quem ali esteve e por ali ficou
Um instante é o momento exato em que optamos pelo convicto eterno
Que se passa no tempo
Se estende na memória
E guarda, embaladinho, na gaveta mais utilizada do coração.
Que eu nunca me esqueça de que sei quem sou:
Que pisem,
Desdenhem,
Façam pouco caso por eu ser assim.
Já tentei retribuir a arrogância que transmitiram a mim
E descobri que não é preciso eu me tornar exatamente o que me fizeram
E dar razão para me tratarem assim
Se não gostei, direi
Se eu não disser, não odiarei mesmo assim
Se de graça ganhei o tapa que me deram
Retribuirei com o melhor que há em mim.
No caminho:
Ter apoio é tudo, porque mesmo que o esforço não valha, que você não alcance o alvo, não atinja a meta ou fique cara a cara com a derrota, você vai lembrar do caminho. E se nesse caminho você tiver a certeza que alguém (mesmo que um só) esteve ali por ti em todo o percurso, então você terá recompensa maior do que imaginou.
Previsão do tempo:
Dos dias em que senti saudade
Dois foram de ti
Sumiste feito nuvem
[que o vento carrega
Errando a previsão
De que o dia estava para amor.
A entrega da flor amarela:
Passei naquela floricultura
Que sempre tem um girassol
Paguei-o sorridente
Pensando somente
Na tua reação
Sempre é bom te ver sorrindo
Independentemente da estação.
Um dia ainda serei a paz
Que exala da presença
Aquela que todo mundo pensa
Estar bem perto a se tocar
Um dia serei eu a alegria
Um riso de amor nunca contido
A beleza de um ombro amigo
E palavra ao pé do ouvido
[mais doce de se dizer
Um dia serei feito ninho
Terei um azul do céu lisinho
Pra onde vão minhas orações
De onde vem os passarinhos
Ainda hei de ser o basta daquela saudade
Da perda doída
Da incoerente inimizade
Da doente partida
E serei somente a lembrança
[do que o outro tem de bom