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Frases de Natalicio Cardoso da Silva

9 frases

⁠A VIAJANTE Se acaso adiante volveres este caminho E não embateres este olhar jucundo
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⁠A VIAJANTE Se acaso adiante volveres este caminho E não embateres este olhar jucundo Que azo deleita vosso coração abundo, Saiba que de tristeza pereci sozinho. — E, à sombra deste robusto azinho Este vosso enternecido vagabundo, Estará soterrado em solo profundo Confiando a ti um credo baixinho! — Já não me rondas tempestiva amante No peito aquele estreito vigor atlante E na alma alguma sorte já me velas. — Se por ventura regressares, sepulto Eu estiver por piedade um breve culto Me preste com ladainhas singelas Natalicio Cardoso da Silva

⁠IMAGINANDO A MORTE Eu, imperturbável, e sereno de mãos arrumadas. — Os amigos vindos de distantes léguas.
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⁠IMAGINANDO A MORTE Eu, imperturbável, e sereno de mãos arrumadas. — Os amigos vindos de distantes léguas. — Abraços tristonhos, choros sem tréguas. — As senhoras de negros fatos bem trajadas, Trarão na memória, recordações vivenciadas. — Virão, eu creio, em carruagens puxadas por éguas Negras, visto que negro serão as regras. — Com meu terço enrolado nas mãos geladas. Rogarei a minh'alma, gratidão aos benfeitores: Pelas exéquias melodias entoadas com lisura. — Retirar-me-ei, pois dos anjos já ouço louvores. — A vida se foi a visão tornou-se escura O último suspiro coube a meus amores! A Alma à Deus, e o corpo à terra dura. Natalicio Cardoso da Silva

⁠MORRO DO BIM Minha terra é bem assim Tem vento envergando coqueiro
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⁠MORRO DO BIM Minha terra é bem assim Tem vento envergando coqueiro Céu azul de brigadeiro E noites de amor sem fim Tem o divino Morro do Bim Cujo povo de espírito romeiro Lá ergueu um belíssimo cruzeiro E teve até missa em latim Depois fizeram lá outro Jesus Alto, imponente... de longe fascina Mas não buliram na velha cruz Eis Santo Antônio da Platina Terra afável, que muito seduz Nascer de ti foi minha doce sina Natalicio Cardoso da Silva

⁠BOM VINHO Para brindarmos escolha um bom vinho Não necessariamente aquele sequioso,
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⁠BOM VINHO Para brindarmos escolha um bom vinho Não necessariamente aquele sequioso, Mas um que tu tenhas especial carinho Desarrolhe o vítreo e sirva o licoroso Nas ruidosas taças sobre branco linho. — Em que pese o romantismo prazeroso, Apanhei algumas flores pelo caminho E cada qual com um perfume deleitoso. — Em especial, colhi de surpresa esta rosa Por sua beleza aprazível, amena e majestosa. — Para acalentar os ideais de seus anseios Enquanto bebermos nesta noite de outono Se por ventura nos entregarmos a pesado sono, Quero despertar além da doçura dos seus seios. NATALICIO CARDOSO DA SILVA

⁠TERNURA DAS FLORES Venha! Queres ver a ternura das flores? Se tu quiseres, verás Pétalas, Rosas,
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⁠TERNURA DAS FLORES Venha! Queres ver a ternura das flores? Se tu quiseres, verás Pétalas, Rosas, Camélia, Verbena, Tulipas, babosas E borboletas de matizadas cores — Haverás de ver, por certo, Monsenhores, Flor-de-Lis, Perpétua, Íris, gloriosas, Gérbera, Azaleias, tomentosas, Alfazemas, Onze-Horas, Dois Amores, Verbena, Prímula, Nubilum, Peônia, Cravo, Violeta, Rosa Carolina, Crisântemo, Lisianto, Helicônia, Orquídeas, Bromélias, Moreia, Cravina, Corbélia, Girassol, Lírios, Begônia, Flox, Amor Perfeito e Leopoldina. Natalicio Cardoso da Silva

⁠DUAS ESMERALDAS Senhores, vedes aquela que passa peregrina? Dela vos falarei com extremo gosto
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⁠DUAS ESMERALDAS Senhores, vedes aquela que passa peregrina? Dela vos falarei com extremo gosto Desnecessário se fará falar do rosto Visto que tudo nela fascina Talvez presumam que gabarei divina, A qual velo, e que exagerarei no gosto Eu vos direi que não... sol-posto, Certo dia, no esplendor da lua albina Eu vi, senhores, seus olhos brilharem Na forma e na cor de duas esmeraldas E como que apaixonados me fitarem Dizei, vós, ó meus amigos em tela Deve a musa enfeitar-se em grinaldas E junto a mim rumar à capela? Natalicio Cardoso da Silva

⁠NETOS Netos? Tê-los? Não pretendo jamais A vida, me sugere andar sozinho
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⁠NETOS Netos? Tê-los? Não pretendo jamais A vida, me sugere andar sozinho Sentar na varanda ler uns jornais Ouvir um, ou outro passarinho Gorjeando suave, baixinho Nos intermináveis matinais. — Gosto dos pássaros, dos pardais Que cantam no mesmo cantinho Onde o velho hidrata as fadigas Causadas quando era rapaz — Que não falte na vida as cantigas E tão pouco me torne incapaz De espreitar o vai e vem das formigas Nesse âmago que tão bem me faz Natalicio Cardoso da Silva

⁠UMA VOZ QUE SE CALA Mais uma voz emudece — se cala Dorme sereno — entre uma e outra prece
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⁠UMA VOZ QUE SE CALA Mais uma voz emudece — se cala Dorme sereno — entre uma e outra prece Houve-se choro de alguém que padece Naquela sentenciosa e gélida sala Em breve parte... sequer leva mala Tudo o que criou se deixa — esquece Até o corpo belo — viril apodrece Numa assombrosa e profunda vala Descanse na sombra desse arbusto Frondoso tanto quanto odoroso ipe rosa Que logo ali ao lado talharei seu busto E o farei com precisão honrosa Penso, se ao lado um banco ajusto Para contigo ter meus momentos de prosa Natalicio Cardoso da Silva

⁠DEUS Deus! Com tão-somente quatro Letras, deu-se um nome tão bonito...
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⁠DEUS Deus! Com tão-somente quatro Letras, deu-se um nome tão bonito... Coube a Ele, arquitetar o infinito, E agrupar tantas belezas num só retrato. — Bordou cada estrela com refino tato, E num sopro suave, explícito Luziu todo o espaço a Ele restrito Até as fases da lua deu-se quatro. — Depois das belezas que nos consome, Descansou no sétimo dia! — Mas para que bem lembremos seu nome Sem pecado concebeu a Maria O filho que morreu de sede, dor, e fome Para rumar o homem à ortodoxia! Natalicio Cardoso da Silva