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Frases de Nara Juscely Minervino de Carvalho Marcelino

302 frases

CAUTELA... É ir com calma, mesmo que os instintos nos inspirem a alma. Nara Minervino
TEORIA E PRÁTICA Teoria! Oh, teoria! Vós sois tão bela e tão perfeita!
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TEORIA E PRÁTICA Teoria! Oh, teoria! Vós sois tão bela e tão perfeita! Mas... Por que vives tão distante da prática? Por quê?! É muito de ti que estudo, Mas é tão pouco de ti que encontro! Prática! Oh, prática! Vós sois tão real e tão efetiva! Mas... Por que vives tão longe da teoria?! Por quê?! É muito de ti que eu vivo, Mas é tão pouco de ti que entendo! Nara Minervino

O QUE EU FAÇO DE MIM Eu me visto de mim mesma E uso as máscaras da minha própria imaginação,
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O QUE EU FAÇO DE MIM Eu me visto de mim mesma E uso as máscaras da minha própria imaginação, Porque sou exclusivamente responsável Pela minha felicidade e por minhas desilusões. Não posso, pois, despir-me do óbvio, Que é estar dentro de mim todos os dias. Ninguém responde pelo que eu sou, Além daquela que eu criei para mim: Eu mesma! Nara Minervino

ESPELHO, ESPELHO MEU Espelho, espelho meu, Responde aos meus devaneios:
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ESPELHO, ESPELHO MEU Espelho, espelho meu, Responde aos meus devaneios: Quem conduz a minha vida São meus desejos e anseios?! Espelho, espelho meu, Esclarece a mim meu destino: Os frutos das minhas conquistas Virão dos meus sonhos divinos?! Espelho, espelho meu, Tira de mim uma dúvida: Quem merece o meu amor É quem deu a mim mais calor?! Espelho, espelho meu, É verdade o que agora digo: O meu amor, meu amado, Já está vindo a caminho?! Oh, meu espelho! Oh, espelho, espelho meu! Tantas respostas me destes, Mas nenhuma me convenceu. Eu mesma, por mim somente, Resolvi seguir em frente. Vou levando a minha vida Tão sozinha e simplesmente, Que até o mais mágico espelho, Para mim se fez indiferente. Mesmo que queiras mostrar O destino dos planos meus, Não vais nem adivinhar O que a vida me prometeu: Me abrir portas e janelas Pra que eu possa contemplar As vilas e flores tão belas Por onde eu hei de passar. De ti não vou mais precisar, Mas de força e de coragem, Pra encarar essa vida Sem medo e com muita vontade, Porque só de mim que depende, Minha própria felicidade. Não pense que eu sou ingrata Nem dei a você seu valor, Mas, agora, meu nobre espelho, Está em mim descobrir quem eu sou. Agradeço todos os conselhos Que sempre esteve a me dar. Mas preciso te deixar livre, Pra minha fortaleza entrar E mostrar os novos caminhos Os quais só eu vou trilhar. Nara Minervino

A POESIA A poesia é um momento, É mesmo um sentimento
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A POESIA A poesia é um momento, É mesmo um sentimento Que brota de dentro da gente. Numa hora inesperada Transforma as nossas ideias Nas mais sublimes palavras. Ela instiga o pensamento A botar fora o que tem dentro: A visão peculiar De um mundo tão singular. A poesia é o desenho Da alma do seu autor. É um esboço, um retrato Do seu amor, do seu regaço, De tudo que ele enxerga E a todo o mundo revela. Ela transborda e alcança Almas de adulto e criança, Fazendo amanhecer O que estava a entardecer. A poesia é muito viva E é toda feita de luz. É a arte que conduz, Numa estrada escondida, Os sentimentos de quem Enxerga com os olhos da vida, Ela revela, com simplicidade, A beleza de tudo aquilo Que existe de verdade. A poesia é isso, Sem mais ou menos. Ela é o adormecer sereno De quem sonha acordado, De quem vive embriagado Com as coisas simples da vida: Amor, felicidade, Encantamento, cumplicidade. Poesia é ternura, É salvação, é candura. É o "ser enamorado" Que pela vida é inspirado A ver o que ninguém viu E mostrar que o viver é sutil. Nara Minervino

OH! TUAS PALAVRAS! (Em resposta à poesia “As palavras”, da poetisa potiguar Sílvia Passos) Tu cortaste tuas palavras
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OH! TUAS PALAVRAS! (Em resposta à poesia “As palavras”, da poetisa potiguar Sílvia Passos) Tu cortaste tuas palavras E insististe, tropeçando e trocando. Quanto mais tu cortavas, Mais tu coravas. Mudaste de cor, Mesmo sem saber que, de cor, Eram tuas palavras um esplendor! Não te engasgues! As palavras precisam de ti, E nós precisamos das palavras Que são tuas, que são nuas, Que simplesmente são Encanto e emoção! Não! Não serves às dores. Serves aos amores. E, no prato das delícias, Serves palavras aos teus leitores, Palavras vivas, palavras ativas, Que dão vida e humanizam Os seres e os objetos De valores tão incertos. Não te prives, senhora! Não te abandones de nós! Não te percas das palavras Que te fazem algoz Desse desejo feroz De limpar, de não manchar As palavras tão caladas Que no teu som ganham voz! De tudo que tu encontras Tu expressas em tuas falas, Porque entre ti e as palavras Há esse encontro sublime: Tu queres a elas dar asas E elas querem de ti, Feito fogo, feito brasas, A graça de se encontrarem E, do teu profundo fervor, Novas vidas ganharem, Mesmo que mudes de cor, Mil vezes, o quanto for! Nara Minervino

Luz do mundo (Homenagem à linda bebê Clarisse) Carinhosa como poucos, tens a
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Luz do mundo (Homenagem à linda bebê Clarisse) Carinhosa como poucos, tens a Leveza exclusiva de um ser já tão Amado desde os primeiros Resultados que a previram! Incrivelmente adorável, és Sensível a cada toque e tornas Suave qualquer coração, porque Encantas a todos com o teu meigo olhar. Hoje és não só metade de mim, como Espelhas todo o meu melhor, tornando Lúdica a minha vida e Livres os meus pensamentos. Estrela! Sim! Tu és minha estrela de luz! Naturalizas-me tão simplesmente e Dedicas-te tão intensamente à Encantadora magia de viver, que faz Admirável um simples bom dia ou um Natural boa noite! Tu és Dengosa e meiga e tens a Realeza de poucos nobres toda vez que Afagas aos que te amam com o teu Delicado olhar, o mesmo que só tem uma Encantadora criança, cheia de amor para dar. Jóia de maior valor da minha vida! Alegria de minha alegria! Teu aniversário é Luz nos nossos caminhos e tua vida é Esperança de vida plena, porque a tua Sincera ingenuidade é a verdadeira luz do mundo. Feliz Aniversário!!!

AGOSTO! QUE GOSTO! Agosto! Que gosto! De alegria, de euforia
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AGOSTO! QUE GOSTO! Agosto! Que gosto! De alegria, de euforia De saudades e de lembranças! Gosto do friozinho Que atravessa a espinha E nos joga ao cobertor Bem bem de tardezinha! Gosto do nevoeiro Que, no céu, em nuvem encerra O fim de um gélido inverno, Trazendo perfumes de primavera. Agosto! Que gosto! Também gosto de folclore De Curupira e afins Cucas, Botos, Sacis. Como é bom um mês assim!!! Nara Minervino.

HOMENAGEM À AVÓ Minha avó não tem conceito, Não tem limite nem definição.
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HOMENAGEM À AVÓ Minha avó não tem conceito, Não tem limite nem definição. Ela é só o alguém que viveu Bem dentro do meu coração, Mergulhou e aperfeiçoou O ser que havia em mim E, com sua suave doçura, Fez-me ser maior que o enfim. Minha avó teve seu nome, Sua letra e sua canção. Minha avó teve ternura, Teve alegria e muita paixão. Ela viu meus primeiros passos, Mesmo me puxando pros seus braços, E agarrava-me o quanto podia Com cada palavra nova que eu dizia, Porque maior que o amor por sua vida Dedicaca amor à vida que é minha. Minha avó era tão importante Que DEUS a chamou num instante, Para ela com alegria cobrir O céu que estava a nos redimir. Essa avó que eu tanto amei E que hoje comigo já não está Foi a pessoa mais nobre do mundo Que aos seus netos só sabia amar! Vó, nossa amada vozinha, Sua vida agora é finda, Mas nunca, em nenhum momento, Desde que nos deixou ao seu tempo, Sua vida deixou de existir No coração dos seus netos que aqui Sempre deliraram ao te ver sorrir. E eu, como uma das netas mais velhas, Queria dar à senhora um recado: Pra sempre a senhora será lembrada E nunca estará no passado. Os nove netos que aqui ficamos Queremos te dizer com alegria Recebemos suas bênçãos vindas do céu, Seja de noite ou de dia. Nara Minervino

SOBRE O AMOR, A RAZÃO E A PAIXÃO O amor brigou seriamente com a razão porque não tolerava mais os exageros da paixão. Magoada, a razão chorou e foi embora depressa, deixando a vida toda cheia de paixão.
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SOBRE O AMOR, A RAZÃO E A PAIXÃO O amor brigou seriamente com a razão porque não tolerava mais os exageros da paixão. Magoada, a razão chorou e foi embora depressa, deixando a vida toda cheia de paixão. Sabendo disso, a paixão sentiu-se absoluta e conduziu a vida como queria, enchendo-a de suas inesquecíveis extravagâncias. Acontece, porém, que já cansada de tanto inventar, de tanto criar, a paixão quis se acalmar e sossegar, mas percebeu o lugar vazio que a razão deixou na vida, ao partir. Concluiu, pois, que não é possível haver paixão sem razão nem razão sem paixão. E eis que a vida chamou a razão de volta. A razão e a paixão se entenderam, e somente estando entre eles foi que o amor sobreviveu. Nara Minervino

DIFÍCIL DIZER NO QUE PENSO É difícil dizer no que estou pensando, quando meus pensamentos são transições constantes de ideias e vontades novas que me surgem, sempre e em todo momento: Neste instante, por exemplo, penso em voar, para pousar nos braços de quem amo, mas penso, tam…
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DIFÍCIL DIZER NO QUE PENSO É difícil dizer no que estou pensando, quando meus pensamentos são transições constantes de ideias e vontades novas que me surgem, sempre e em todo momento: Neste instante, por exemplo, penso em voar, para pousar nos braços de quem amo, mas penso, também, em ficar aqui, quietinha, para dar a quem amo a liberdade de querer continuar ao meu lado; Neste instante penso em aumentar o número de amigos que tenho, só para concluir quão valiosos são os que estão ao meu lado, tanto quanto penso em manter apenas os meus muitos amigos, para que esses muitos tenham a certeza de que bastam eles apenas para que eu consiga ser mais e mais feliz; Neste instante penso em parar de trabalhar, só para confirmar quão maravilhosa é a atividade que faço, da mesma forma que penso em trabalhar incessantemente, só para concluir que jamais me cansarei da arte de "ensinar e aprender". Pensar é arte, e arte é criação, inovação, reinvenção. Não posso dizer o que penso neste momento, porque neste momento sou ave que voa à procura de inspirações inúmeras para construir mais novos ninhos, sabendo que, daqui a instantes, novas construções ei de querer fazer. Nara Minervino

CASA ESQUISITA E VIVA Lá em casa tem uma porta Que parece uma gaivota
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CASA ESQUISITA E VIVA Lá em casa tem uma porta Que parece uma gaivota E tem também uma janela Que parece uma panela. É uma casa engraçada, Toda, toda desengonçada. A mesa que é de vidro Tem cara de queixo caído, E a outra que é de plástico Parece um nariz de palhaço. Minha casa é muito estranha. Não tem nem jeito de casa, De dia parece uma aranha E de noite, árvore plantada. Mas dentro dela se acha O que toda a gente procura: Muito amor, muito carinho, Muita afeição, muita ternura, Porque o que as casas precisam Para ser casa da felicidade, Não é de linda mobília, Mas de vida e de verdade, De amor entre as pessoas Que nela se sentem à vontade. Nara Minervino.

MULHER À BRASILEIRA Sou verde, sou amarelo, Sou o Brasil que eu quero:
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MULHER À BRASILEIRA Sou verde, sou amarelo, Sou o Brasil que eu quero: De direitos e deveres, De ações e contribuições, De gritos e de guerras, De sonhos e de quimeras. De retardos ou de avanços, Sou o Brasil sem ter ranços. Sou a Bandeira Brasileira Que me representa inteira. Suas cores todas mistas Uma na outra não pisa. Sou o retângulo, o losângulo E o círculo bem "a paisano". Sou essa aqui que vos fala: Brasileira real que não pára. Sou representante da mulher Que sabe bem o que quer. Sou guerreira, sou brasileira, Sou, de verdade, altaneira. Sou o clarão da luz verdadeira Que ilumina a estrada inteira E, se encontro um breu passageiro, Da escuridão faço o meio, não o receio. Sou atrevida, sou aguerrida, Estou acordada para a vida. Eu luto pelos meus sonhos Ainda que sejam estranhos. Existe, batendo em meu peito, Uma força que me tira do leito De aceitar as coisas como estão, Aprendendo com elas uma nova lição. Estou sempre a mais de mil, Desbravando em mim o meu próprio Brasil. Nara Minervino

SEM CONCEITOS Eu sou guerreira, Sou faceira
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SEM CONCEITOS Eu sou guerreira, Sou faceira Sou brejeira. Tenho a fama de louca E me encanto com tanta coisa. Eu tenho os meus sonhos, Faço os meus planos Vivo os meus (des)enganos. Eu tenho fibra, Sou de aço Sou de brisa. Eu acredito no feitiço, No abismo e na tolice. Eu duvido de todos Que em mim não acreditem. Eu planejo um dia inteiro, Mas mudo tudo muito ligeiro. Eu me encanto e me fascino; Me reprogramo e me autorizo. Eu sou tudo e não sou nada, Mas sou uma mulher de asas. Asas firmes. Asas fortes. Asas que são o meu norte. Eu sou o chão, Sou a teia e o tubarão. Sou o meu corpo inteiro No meu segundo de furacão. Eu sou tudo O que de mim você disser, Mas eu sou, Sobretudo e essencialmente, Mulher! Nara Minervino.

LEONINOS SOMOS Leoninos somos Chama que queima
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LEONINOS SOMOS Leoninos somos Chama que queima Fogo que arde Amor que invade. Leoninos somos Mar em fúria Vulcão em tormenta Paixão que alimenta. Leoninos somos Flor com espinho, Abrigo e castigo Mão boba e sorriso. Leoninos somos Presente E corrente E enchente Que supera e alaga As mentes das gentes. Leoninos somos Assim e assado. O presente e o passado De um futuro que chega Por nós programado! Nara Minervino.

SOLTANDO PIPAS Pode ser pipa, papagaio ou gavião. Depende do vento, brando ou furacão.
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SOLTANDO PIPAS Pode ser pipa, papagaio ou gavião. Depende do vento, brando ou furacão. Com ela se encanta a criança crescida Que no meio da rua se prepara pra vida. Criança com pipa se cerca de encantos E através dela faz seus olhos brilhando. Não sabe que a vida nos cerca de dores E joga na pipa inexistentes temores. Quem solta pipa tem uma infância feliz, Faz do papagaio seu amigo aprendiz. Com ela a criança seus sonhos balança, No fio de linha que, com outras, ela trança.

NÃO ATIRE O PAU NO GATO Atirei o pau no gato, pois ele vivia miando, E, num só salto, muito rápido, o gato saiu pulando,
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NÃO ATIRE O PAU NO GATO Atirei o pau no gato, pois ele vivia miando, E, num só salto, muito rápido, o gato saiu pulando, Foi miar no meu telhado, o meu sono incomodando, Me fazendo repensar "porque eu dei no bichano". Toda noite, agora, acordo e chamo pelo bichinho: "Venha pra cá, lindo gato! Venha pra cá, seu gatinho!" Mas o gato, já escaldado, não quer cair na minha mão, Não sai mais do meu telhado e ainda me dá uma lição: Quem atira o pau no gato e o gato quer machucar Vai passar a noite em claro, sem poder nem cochilar. Nara Minervino

AGULHA, PONTA E LINHA Entre agulha, ponta e linha Vive o romance esquisito
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AGULHA, PONTA E LINHA Entre agulha, ponta e linha Vive o romance esquisito De um triângulo sem visco Que sempre finda aflito. A ponta é da agulha. E a linha? A linha, sempre sempre sozinha, Vive à procura do amor Que no outro amor se encontrou. A agulha, bem de metal, Segue os passos da sua ponta, A que lhe abre o caminho E vai tecendo suas estampas; A que lhe chega de mansinho E, com jeito, devagarzinho, Passa aqui e passa ali Sem lhe fechar o caminho. A agulha, "enrijizada", Sem precisar pensar em nada, Segue o caminho certinho Da ponta que lhe mostra a estrada. A linha, essa sorrateira, Vive atrás da agulha faceira Que segue seu lindo curso Sem se lhe envergar nem um pouco. A linha, sem se dar conta, Vai deixando de perceber Que o caminho em que ela se encontra A ponta já esteve a fazer. E ela, a linha malvada, Sem se sentir resignada, Segue tonta, feito cega, Seguindo o caminho somente Que a ponta da agulha carrega. Assim são as relações Que se estendem a três corações: A ponta conduz o caminho, Traçando sozinha o destino. A agulha segue a vida Despreocupada e destemida. A linha, que vem perdida, Só serve pra fechar saídas. Aceite ser uma agulha E não se curve facilmente. Aceite ser uma ponta Que da agulha está à frente, Mas não aceite ser linha Que, sempre sempre sozinha, Percorre, sem nem um adeus, Um caminho que não é seu, Porque a ponta e a agulha No mesmo caminho seguem E deixam sempre para trás A linha que, na roupa que faz, Sozinha em si se perdeu. Nara Minervino.