Recebo as correspondências, mas nunca você na minha casa.
Frases de NaNa Caê
263 frases
Eles se despem ondulando desesperos por entre buracos na estrada, tapados com terra-sangue de crianças desnutridas de amor. Você desafortunada repousa em pianos, como se cada arpejo morresse depois dos toques terríveis de seus dedos. Eu ainda temo, porque o que passa é sempre l…
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Eles se despem ondulando desesperos por entre buracos na estrada, tapados com terra-sangue de crianças desnutridas de amor. Você desafortunada repousa em pianos, como se cada arpejo morresse depois dos toques terríveis de seus dedos. Eu ainda temo, porque o que passa é sempre literatura que não da pra vender, então as jogo a frente, pra ter onde pisar e não cair em abismos. Ela pergunta o que estou fazendo respirando, como se fosse tomar por charme o seu próprio ar.
Estou cultivando amor juntamente aos fios do meu cabelo, me disseram que assim seria mais fácil. Não me assustam as proporções exageradas quando paro na frente do espelho, estão crescendo, você vai ver, mesmo me cegando durante vários momentos, os deixo ali, quase me tapando a vi…
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Estou cultivando amor juntamente aos fios do meu cabelo, me disseram que assim seria mais fácil. Não me assustam as proporções exageradas quando paro na frente do espelho, estão crescendo, você vai ver, mesmo me cegando durante vários momentos, os deixo ali, quase me tapando a visão. E quando sinto as pontas batendo em meus olhos, jogo a cabeça para a direita, deixo a saudade espremidinha em um pequeno espaço, aquecida, envolvida nos tufos de cabelo. Não entendo sobre minhas caras, aquelas que você insiste em dizer que fiz. Não compreendo sequer sobre a distância da sua cama para o abajur, eu não estou aí. Deixe então que eu pratique diariamente com você meus dramas, o que mais, além disso, eu poderia fazer? Continuo lendo seu único email até conseguir dormir. E mesmo que o poema não seja seu, encarno o personagem, te coloco bem ao meu lado, como em todas as noites deveria ser.
Não sei se são rachaduras ou frestas que abri com os dentes, festas em que tentei sorrir. Para cada mandíbula um latejo. Não sei se é você que vai chegar ou eu que vou partir.
No teto você dança uma canção distraída, adormece pelas quatro pontas do quarto, faz das cortinas edredom. Tenho medo de entrar na sua casa, ficar tonta, não saber acompanhar seus passos, girar de cima até o chão. Te procuro então por aqui em tantos textos, rabisco diariamente…
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No teto você dança uma canção distraída, adormece pelas quatro pontas do quarto, faz das cortinas edredom. Tenho medo de entrar na sua casa, ficar tonta, não saber acompanhar seus passos, girar de cima até o chão. Te procuro então por aqui em tantos textos, rabisco diariamente umas quatrocentos imagens nossas através de palavras. Ainda me esforço para emendar o cansado órgão com versos pesados e retalhos do que restou da sua quase despedida.
No fim das pontas há pedaços de durex pra que elas passem com facilidade entre os pequenos buracos do tênis e mesmo assim continuo a pisar, no cadarço, em pessoas por aí. Esse parece ser o melhor modo de aquecer os pés, em vez do chão frio fico por cima delas, são quentinhas que…
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No fim das pontas há pedaços de durex pra que elas passem com facilidade entre os pequenos buracos do tênis e mesmo assim continuo a pisar, no cadarço, em pessoas por aí. Esse parece ser o melhor modo de aquecer os pés, em vez do chão frio fico por cima delas, são quentinhas que nem bauru feito na hora. No fim das honras, em ocasiões especiais, me arrisco a andar descalça sobre as costas de algumas pessoas, principalmente quando você diz que vai dormir comigo, como poderia subir na cama com pés gelados? Logo cedo eles derreteriam e com o lençol encharcado poderíamos morrer afogados. No fim das dobras ainda sou naife, quebro duas ou três costelas em que vou pisando enquanto esquento o calcanhar, elas emborcam para fora como farpas e me arranham. Tenho acordado sempre com vergões, amanhece, finjo que fui eu mesma e ainda penso ‘preciso cortar as unhas’, sendo que o ideal seria o corpo todo, acabar com essa aflição. No fim das contas não há números, e mesmo que houvesse, eu nunca fui boa em calcular. Só sei que você faz falta, não me pergunte por quanto tempo, são tantas horas seguidas a cada dia. Quando você não está por perto deslizo pelas ruas com meus pés de gelo fingindo ser um elegante patinador.
Minha boca dói porque você não soube trazer torneiras pra dentro desse quarto. Pedi por água, qualquer gota de cuspe seu. Continuo meio sedada, sentada, quase caída, melhor dizer descansada do que esgotada no canto em que você escolheu. Melhor dizer, do que sonegar, chorar pra vo…
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Minha boca dói porque você não soube trazer torneiras pra dentro desse quarto. Pedi por água, qualquer gota de cuspe seu. Continuo meio sedada, sentada, quase caída, melhor dizer descansada do que esgotada no canto em que você escolheu. Melhor dizer, do que sonegar, chorar pra você abrir minha boca selada com esse nada, cola de vazio, zíper de ódio, deixar parecer que está fazendo um grande favor. Espremo os lábios feito feridas infeccionadas, pra ver se abre algum espaço e dali sai minha língua feito pus. Mas só aparecem ratos, espasmos condizentes de horas a mais de horror, fragmentos esponjosos que confundo com pequenos poros, buchas que ponho sobre a pele, esfregando como se fizesse um som de isopor, rangendo qualquer superfície a ponto de esticar os pêlos, arregaço então mais as mangas, os puxo feito elástico como se esticassem a dor. Enquanto você inventa personagens e se espelha neles, sou apenas um reflexo dos meus. Não consigo criar mais nada assim calada, não sei imaginar algo sem ler em voz alta, o que acaba secando minha mente. Preciso de algum líquido mais forte, conhaque ou vodka, que preencha de vez os cômodos, infiltre as paredes até que elas se encharquem e me tussam para fora dessa casa.
Tingi de negro, entre as letras já escuras, como se fosse necessário as esconder, de mim, de você, do nós. Molhei com leite seus manuscritos feito bolacha maizena como se fosse mais fácil assim os digerir. Bati sua cabeça no tanque até todo sangue escorrer pelos olhos, enchendo…
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Tingi de negro, entre as letras já escuras, como se fosse necessário as esconder, de mim, de você, do nós. Molhei com leite seus manuscritos feito bolacha maizena como se fosse mais fácil assim os digerir. Bati sua cabeça no tanque até todo sangue escorrer pelos olhos, enchendo dois baldes azuis e um anil. Pintei as paredes de vermelho como pediu, pena que não está mais aqui para ver o esforço que fiz por você.
Como era complicado encerrar algumas ligações, brincar de contar até três pra dizer logo adeus.
O grande problema é que eu sempre sofri muito, por tudo, as vezes até mesmo por estar bastante feliz.
Arranco pedaços da minha pele como se eles não precisassem de mim, em poucas horas começarão a se decompor no chão. Arranco tanta gente, roupas, tecidos velhos costurados com linha de anzol, puxo com firmeza os braços que não me interessam mais, debaixo de sol, chuva ou tempestad…
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Arranco pedaços da minha pele como se eles não precisassem de mim, em poucas horas começarão a se decompor no chão. Arranco tanta gente, roupas, tecidos velhos costurados com linha de anzol, puxo com firmeza os braços que não me interessam mais, debaixo de sol, chuva ou tempestades em copo d’água. À noite finjo que durmo, fecho os olhos, deixo que escorram todas as lágrimas criadas durante o passar do dia. Quando acordo, torço meu travesseiro em um bule, das lágrimas faço meu café, não te ofereço, nunca, até nisso sou egoísta, mesmo tendo sido você quem me fez chorar. Compro amendoins e cocadas pra te suprir daqueles vários outros modos que não consigo, não sei, mas acho que oferecendo comida e dinheiro, eu possa melhorar no que sou. E eu me contentaria apenas em pensar, não conversar com ninguém, exceto com você, contar o que sempre fica girando na minha cabeça, me deixando tonta, fazendo vomitar naquelas ruas tão limpas, asfalto feito de azulejo de piscina, em que deito, brinco de me afogar, enquanto engulo alguns litros de piche, azul.
Colocando no bolso todas indiretas como se elas esquentassem os músculos, de cada perna, para caminhar até o local que você apontou.
Você pede, não espera que eu responda, logo concede, por mim, por deus e todos nós. Divide as posses e sentimentos como potinhos com algodão, água e feijão, esquece que mesmo se fossem assim cresceriam no máximo centímetros e nunca iríamos transplantar esse verde dali, não valeri…
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Você pede, não espera que eu responda, logo concede, por mim, por deus e todos nós. Divide as posses e sentimentos como potinhos com algodão, água e feijão, esquece que mesmo se fossem assim cresceriam no máximo centímetros e nunca iríamos transplantar esse verde dali, não valeria a pena amadurecer, trocar todo o tom. Eu tento dividir a saudade em partes, me sentir mal apenas durante as manhãs, dar desculpas como insônia, péssimo humor, mas não sei ser justa, não há igualdade em mim, só egoísmo e um pouquinho de rancor.
A pessoa tem a faca e o queijo na mão, ela escolhe cortar meu coração. A pessoa tem a faca, o queijo e a minha vida na mão, mas não me oferece nem uma artéria pulmonar podre pelo seu cigarro.
Sua graça não caminha pela casa Se move blindada em abstrações Irrelevantes são as coisas
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Sua graça não caminha pela casa Se move blindada em abstrações Irrelevantes são as coisas Da cabeça Estantes Livros esquecidos E todos os outros móveis que continuam no mesmo lugar Assim como eu Aqui Onde a cama ainda é cama E a TV televisão Na sua ausência digo seu nome baixo Não ao teto ou ao quebrado espelho Mas à porta Cristalizando ali sua presença Te vendo em cada prisma Refletindo Diagonalmente a múltipla esperança Numa perplexidade boba e infantil
Estreito compasso dessa desengonçada sinfonia Estreito desenredo dessa sintonia sem jeito Estreito espaço entre o fardo
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Estreito compasso dessa desengonçada sinfonia Estreito desenredo dessa sintonia sem jeito Estreito espaço entre o fardo E a métrica da constante Ausência Sua Estreito Apertado Coração só
Os signos apenas me cercam, não me favorecem, particularmente a casa em que o meu habita desmoronou, ali não importa a destreza ou o olho bom com medidas, as paredes ponteagudas se desequilibram e escorregam no chão.
Não sei se cresci, ou se foi a carne dura que aumentou aqui sobre mim. Não precisa me jogar dentro de uma das suas receitas, não há motivos pra tentar me cozinhar, amolecer as partes em tempero forte, melhorar o meu sabor, é sério, estou bem, sei que falando assim, sei que eu len…
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Não sei se cresci, ou se foi a carne dura que aumentou aqui sobre mim. Não precisa me jogar dentro de uma das suas receitas, não há motivos pra tentar me cozinhar, amolecer as partes em tempero forte, melhorar o meu sabor, é sério, estou bem, sei que falando assim, sei que eu lendo o que estou escrevendo aqui não me soaria tão bem assim, equilibrada, feliz, aqueles estados de espírito esperados pela nossa facha, mas me desculpe, infelizmente estou bem. Estou pedindo desculpas por que as vezes não me parece certo estar bem, não parece certo fugir daquilo que eu achava correto anos atrás, não me pareço com o que pensei.
Fico correndo pelos dois cantos, por dois becos extremos, encerrando discussões com vírgulas, sem saber como usar um maldito ponto final.
Eu finjo também que penso, quando na verdade eu bem mais que desejo, a sustentabilidade das palavras, não me refiro a estruturas espirituais, de ética ou moral. Preciso que cada palavra que escrevo se transforme em roupa, comida, o recibo do meu pagamento do aluguel de fim de mês…
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Eu finjo também que penso, quando na verdade eu bem mais que desejo, a sustentabilidade das palavras, não me refiro a estruturas espirituais, de ética ou moral. Preciso que cada palavra que escrevo se transforme em roupa, comida, o recibo do meu pagamento do aluguel de fim de mês.
Falamos de crianças como se não fossemos infantis, como se estivéssemos disputando quem voa mais alto no balanço, sendo que sabemos que desastrosamente sempre caímos de costas no chão. Empurramos o medo com a barriga, enchemos a barriga com qualquer besteira, nos enjoamos de des…
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Falamos de crianças como se não fossemos infantis, como se estivéssemos disputando quem voa mais alto no balanço, sendo que sabemos que desastrosamente sempre caímos de costas no chão. Empurramos o medo com a barriga, enchemos a barriga com qualquer besteira, nos enjoamos de desculpas para podermos vomitar com maior facilidade todo resto ressentido. Para os braços nunca marcamos hora na agenda, compromissos, estão sempre ocupados segurando o mundo junto com as mãos. Mas ainda somos minúsculos, quase ninguém, e as mãos, pequenas, não importa o tamanho do coração, da força, ou da rapidez, elas ainda não poderão segurar todo peso por alguém, e isso inclui você.
Deve ser a textura, não sei, das palavras, eu as sinto na boca, é verdade, não fica rindo assim das minhas metáforas, mas elas tocam minha língua, então os dentes se cerram, as serram ao meio, trituram as verdades e eu sem ter o que fazer mastigo suas mentiras também.
Inteligência é pré-disposição genética; depois das 3 da manhã, mero esforço para ir contra a burrice, empenho na aprendizagem de um conhecimento universal. E isso é base, básico, vestido preto no guarda-roupa.
As conversas foram tecidas em linho de cobre e você ainda jura que suas palavras atingem meu rosto como seda Todo instante você pensa em ser só, mas vindo de você soa tão pueril Talvez você ainda precise mesmo da infantilidade do seu passado
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As conversas foram tecidas em linho de cobre e você ainda jura que suas palavras atingem meu rosto como seda Todo instante você pensa em ser só, mas vindo de você soa tão pueril Talvez você ainda precise mesmo da infantilidade do seu passado Você ainda não cresceu