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Frases de Naianara Sant'Ana

24 frases

O branco sempre me trouxe calma, serenidade e até uma ponta de tranquilidade quando se diz respeito ao mundo barulhento e hostil que se vê do outro lado do quadrado de vidro na parede do quarto. Convenhamos que o branco é um tanto quanto vazio, como eu. Um eco, um vácuo. Mas há q…
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O branco sempre me trouxe calma, serenidade e até uma ponta de tranquilidade quando se diz respeito ao mundo barulhento e hostil que se vê do outro lado do quadrado de vidro na parede do quarto. Convenhamos que o branco é um tanto quanto vazio, como eu. Um eco, um vácuo. Mas há quem diga que o vazio tem seu lado bom. Deixa que da minha tristeza, tomo conta eu. Prefiro ser triste sozinha a ser triste acompanhada, é horrível que fazer outra pessoa ser triste ao seu lado.

1. Agosto. 1914. Quatro dias nessa guerra e parecem quatro séculos. A imagem daquelas pessoas correndo desesperadas se chocam em minha memória, mas por fora permaneço-me imóvel, sentado nesse banco de madeira, com a cabeça abaixada e o braço apoiado nos joelhos. Essa roupa pesad…
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1. Agosto. 1914. Quatro dias nessa guerra e parecem quatro séculos. A imagem daquelas pessoas correndo desesperadas se chocam em minha memória, mas por fora permaneço-me imóvel, sentado nesse banco de madeira, com a cabeça abaixada e o braço apoiado nos joelhos. Essa roupa pesada, essa arma já gasta, essa alma cansada. Hoje o capitão me procurou, a habilidade de um jovem como eu na invasão da (ainda) desconhecida cidade o deixou intrigado, mas ele não imagina que os nervos sobem à flor da pele mesmo quando se está numa situação de perigo. Ele me fez uma breve explicação de como serão os próximos dias: Longos e cansativos. A essa altura eu já me comprometera a estar frente a frente com a guerra, se ali eu estava, que me jogasse de cabeça então. O império alemão mandou um ultimato ao governo russo para que a mobilização do nosso exército cessasse em 12 horas. Não cessou. Pfuuu… As notícias chegavam rápido, nisso outros países já estavam declarando guerra uns aos outros, a Entente (tríplice em que a Rússia fazia parte) se matinha de olhos abertos, a qualquer momento poderíamos ter novos aliados ou inimigos. fuuuuuu… Quantas outras pessoas estavam tendo seus sangues derramados, quantas outras nações teriam sua estabilidade derrubada, as perguntas vinham e os tiros iam em quaisquer direções onde demonstrasse um pouco de perigo. Agora já estávamos dentro de trincheiras, a possibilidade de sermos pegos diminuiu. fuuuuuuuu.. Que outros países viriam para o nosso lado ou ficariam contra nós? Os outros soldados arriscavam ao longe “Qual dos lados o Império Otomano irá?" "Aposto que conosco." Mas ninguém sabia. Nunca sabia. E assim passavam-se minutos, horas, o sol desaparecia e nem sequer a lua brilhava, era a completa e monótona escuridão, excluindo o fato apenas de que… BUMMM Gritos de “abaixem-se!" ecoam de todos os lados, me agacho e fico a espreita. De onde veio? De quem teria sido? Olho para os lados, com o rifle em punho, outros fazem o mesmo. E então, finalmente ouvi o comandante gritar por trás de um rochedo: A Alemanha declarou guerra a nós.

29. Julho. 1924 “Soldado Anton, é hora de levantar!” Uma voz doce e trêmula me balançava cuidadosamente, ao abrir os olhos vejo aquela moça. Poderia ser um filme, se lá fora o caos não estivesse começado a tempos. Bombas inglesas entrecortavam nosso céu, o comandante ordenou mov…
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29. Julho. 1924 “Soldado Anton, é hora de levantar!” Uma voz doce e trêmula me balançava cuidadosamente, ao abrir os olhos vejo aquela moça. Poderia ser um filme, se lá fora o caos não estivesse começado a tempos. Bombas inglesas entrecortavam nosso céu, o comandante ordenou movimento das tropas. Ainda que em grande quantidade, estávamos despreparados, desarmados e cobertos de temor. O exército alemão comandava toda a guerra, entre nós os chiados baixos se referiam ao líder deles. E nos pusemos em movimento, para onde? Não se sabia. Ao menos eu não sabia, apenas acompanhava o movimento de milhões de jovens perdidos assim como eu, que se jogaram de cabeça numa guerra achando ser uma briga de rua. Meus pés já dormentes deixavam pegadas pesadas naquele chão desconhecido, como se marcassem território. Fui designado a estar aqui e aqui eu estou a armar e desarmar rifles, perdido em expectativas de voltar para casa, ao mesmo tempo em que aniquilo as minhas esperanças.

O telefone está lá na bancada, na porta não há quem bata, a brisa invade a janela e sorri, e baila, e dança, e se vai. A maresia traz calma, um silêncio reconfortante. Não existe mentira, enganação, falsidade, nada. É só você e você, sendo feliz uma vez na vida e imaginando ser f…
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O telefone está lá na bancada, na porta não há quem bata, a brisa invade a janela e sorri, e baila, e dança, e se vai. A maresia traz calma, um silêncio reconfortante. Não existe mentira, enganação, falsidade, nada. É só você e você, sendo feliz uma vez na vida e imaginando ser feliz pra sempre.

Bati a porta e o estrondo foi tão grande que o porta retrato caiu e espatifou no chão. Pisei entre os cacos e nem percebi que estava machucada. Me joguei na cama e fiquei ali inundada de silêncio, de vazio, de nada e respirei fundo. Depois de horas catei os cacos, meus e do vidro…
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Bati a porta e o estrondo foi tão grande que o porta retrato caiu e espatifou no chão. Pisei entre os cacos e nem percebi que estava machucada. Me joguei na cama e fiquei ali inundada de silêncio, de vazio, de nada e respirei fundo. Depois de horas catei os cacos, meus e do vidro, e joguei no lixo. Era hora de recomeçar.

Deixe-me brincar que te amo, deixe o dia passar como se fosse o meu último, em que o vazio me preenche mais que a tua presença inventada diante do espelho e do futuro que se escancara a minha frente. Deixe-me sorrir e não ser cruel com as poucas pessoas que me cercam, deixe que a…
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Deixe-me brincar que te amo, deixe o dia passar como se fosse o meu último, em que o vazio me preenche mais que a tua presença inventada diante do espelho e do futuro que se escancara a minha frente. Deixe-me sorrir e não ser cruel com as poucas pessoas que me cercam, deixe que a frieza eu guardo para a madrugada onde me encontro com os meus “eus” preexistentes e vagos em minha lembrança já torturada. Deixe que eu arranjo desculpas e palavras para poder ficar só, deixe que a música me transborde e me acalme. Deixe que as noites de angústia por si virem melancolia e que a mesma se desfrute da minha solidão e me chame para dançar. Deixe então que eu escolha o melhor terno azul celeste e a gravata mais branca que tenho guardada, branca como o fundo dos meus pobres olhos que ainda se emocionam com a melodia. Deixe que eu procuro os sapatos no guarda-roupa ou embaixo da cama, afinal, fui eu quem a solidão veio chamar para ser par de dança. Deixe-me. Deixe-nos a sós.

Não estou lamentando sua ausência, não estou te gritando aos quatro mundos. Estou apenas aqui, quieta, calada, nem feliz, nem triste. Estou aqui. Não estou atrás de você, mas também não desisti. É que correr atrás nunca foi um dos meus dilemas. Não é bom estar sem você, assim com…
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Não estou lamentando sua ausência, não estou te gritando aos quatro mundos. Estou apenas aqui, quieta, calada, nem feliz, nem triste. Estou aqui. Não estou atrás de você, mas também não desisti. É que correr atrás nunca foi um dos meus dilemas. Não é bom estar sem você, assim como não é ruim estar só.

Uma das minhas maiores vontades é morar sozinha, não pelo incomodo diariamente causado, mas é que o silêncio sempre me caiu bem. Gosto de deixar o rádio baixinho ligado, enquanto tomo um banho demorado e deixo minh’alma sentir cada gota que escorre. Sem bagunças, sem chiados, sem…
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Uma das minhas maiores vontades é morar sozinha, não pelo incomodo diariamente causado, mas é que o silêncio sempre me caiu bem. Gosto de deixar o rádio baixinho ligado, enquanto tomo um banho demorado e deixo minh’alma sentir cada gota que escorre. Sem bagunças, sem chiados, sem reclamações. Não é bom se sentir sozinho, mas também não é ruim. Conto também com o fato de não saber lidar com relacionamentos, porque, convenhamos que não há nada pior que se sentir sozinho estando ao lado de outro alguém.

28. Julho. 1914 Chegamos no acampamento. Os guardas correm para acomodar suas armas em algum canto da tenda, a Europa nunca me pareceu tão vaga. A meses atrás fui selecionando junto com outros combatentes para ser soldado do Império Russo, eu não sabia o que estava por vir. “Rur…
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28. Julho. 1914 Chegamos no acampamento. Os guardas correm para acomodar suas armas em algum canto da tenda, a Europa nunca me pareceu tão vaga. A meses atrás fui selecionando junto com outros combatentes para ser soldado do Império Russo, eu não sabia o que estava por vir. “Rurik Anton!”, o capitão gritou e por um momento me senti lisonjeado em prestar serviço para o meu país. Minha inocência se foi desde que entrei naquele caminhão. Já ouço sons de espingardas, canhões e urros de dor ao longe, me recosto no canto da lona preto-esverdeada e peço clemência a alguém soberano que esteja a escutar meus sussurros opacos e já sem vida. Eu não sei até quando vou agüentar.

Meu coração está aos pulos, ouço suas batidas fortes e convictas a cada segundo(Tum tum, tum tum), por sua causa? Sim. Ou não. Aliás, sim! Você me fez matar um inseto, mas eu sempre desacreditei daquelas propagandas que dizem que mata na hora. Não mata! Não mata e aí eu entro em…
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Meu coração está aos pulos, ouço suas batidas fortes e convictas a cada segundo(Tum tum, tum tum), por sua causa? Sim. Ou não. Aliás, sim! Você me fez matar um inseto, mas eu sempre desacreditei daquelas propagandas que dizem que mata na hora. Não mata! Não mata e aí eu entro em pânico e meu coração pula, acelera, parece que vai sair no momento em que eu soltar a respiração. A culpa foi sua, não foi?! Você me fez ir até lá e matar. Então o motivo do meu coração estar palpitando desesperado até agora é você. Minhas pernas tremem, seguro numa mão o spray mata insetos e no rosto um sorriso estampado da vitória, a princesa está a salvo e o herói merece um beijo. Um beijo e um sorriso. Da cama você apenas ri e reclama do mal jeito do seu herói criança, do seu pequeno tesouro. E então desmonto a armadura e deito ao seu lado, afirmando que esse é o melhor lugar que se possa estar, ainda mais depois de uma guerra tão cruel que acabara de ser travada. Mereço outro beijo só de lembrar. E assim se criou o para sempre, por causa de insetos extremamente perigosos e recompensas deliciosamente apaixonadas. E então completamos mais um dia, sem estarmos nem um pouco exaustos um do outro, sendo felizes da maneira mais fácil e apaixonada. E se quer saber, eu acho que o príncipe não lutou contra uma fera enorme e depois salvou a princesa, como está nos contos de fadas. Em segredo, eu acho que ela estava com medo de um inseto também.

Olha a moça que baila Olha como ela gira volta e meia
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Olha a moça que baila Olha como ela gira volta e meia meia volta no salão Sorri feito criança gira que nem peão ela tem o mundo na mão Faz estardalhaço quando vê o rapaz na roda do samba na roda da vida na barra da sua saia, oh morena Êh êh êh morena baila no salão com a mão na cintura e brilho no olhar Êh êh êh morena na roda do samba bem disse Ana ela é bamba, ela é bamba!

Não sou poeta ao pé da letra Sou a contemplação dos planetas Dos redemoinhos de constelações
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Não sou poeta ao pé da letra Sou a contemplação dos planetas Dos redemoinhos de constelações A entidade frívola e agoniante que perambula as noites através De um caos do meu caos do eu-caos Sou a participação efervescente dos seus pensamentos a parte que põe lágrimas em teus olhos essas mesmas que jaz em tua alma Sou a concupiscência e o abstracionismo a caricatura mais bem elaborada Do nada do oco do vazio de mim Sou o borrão mal delineado trabalhado, pontilhado desastrado, remendado arregaçado e dolorido Que um dia já foi frase inteira

Pálpebras cansadas de dormir agonizam-se na minha face diante do espelho, lábios se ressecam ao passar das horas e a língua trêmula solta palavras desconexas. Ombros arqueados sem fardo algum para carregar, pés cansados sem trilha para andar, joelhos dobrados - pausa pra respirar…
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Pálpebras cansadas de dormir agonizam-se na minha face diante do espelho, lábios se ressecam ao passar das horas e a língua trêmula solta palavras desconexas. Ombros arqueados sem fardo algum para carregar, pés cansados sem trilha para andar, joelhos dobrados - pausa pra respirar. Estou repleto de ausências.