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Frases de Murilo Melo

442 frases

Ainda sinto meus cílios dormentes, porque forço meus olhos, para que eu não adormeça, para não deixar de pensar em você.
Demorou, mas os ventos de maio chegaram. Espero que levem o que for contrário, desde sonhos quebrados até o que já se foi, mas insiste ficar. É preciso escancarar portas e janelas, reaprender a viver, a amar, a se doar com cuidado, com fé, sem angústia. É preciso aproveitar os ve…
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Demorou, mas os ventos de maio chegaram. Espero que levem o que for contrário, desde sonhos quebrados até o que já se foi, mas insiste ficar. É preciso escancarar portas e janelas, reaprender a viver, a amar, a se doar com cuidado, com fé, sem angústia. É preciso aproveitar os ventos para se buscar, se renovar de alguma forma, ignorar quem não acrescenta. E, se não for pedir demais, é preciso comandar completamente a própria vida, começar esses dias se amando insaciavelmente.

Pensei numa festa bem bonita, cheia de gente nos desejando as mais belas felicitações. Planejei que fosse tudo num gramado, um lugar onde fosse possível mostrar nosso mundo repleto de cores. Pensei também em uns retratos que fossem além do simples desejo de guardar no álbum. Depo…
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Pensei numa festa bem bonita, cheia de gente nos desejando as mais belas felicitações. Planejei que fosse tudo num gramado, um lugar onde fosse possível mostrar nosso mundo repleto de cores. Pensei também em uns retratos que fossem além do simples desejo de guardar no álbum. Depois poderíamos ir para Paris, frequentar aquelas ruas apaixonantes, tomaríamos um café quentinho numa confeitaria, abraçados, ouvindo um jazz qualquer.

Ela que se dizia esperta, cheia de planos e conceitos, na verdade sentia um vazio enorme dentro de si. Então se olhou no espelho e viu a criança boba com laço amarelo na cabeça que nada sabia da vida e tanto queria explorar. Ela era tão pura quanto os olhos amendoados. Olhou-se n…
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Ela que se dizia esperta, cheia de planos e conceitos, na verdade sentia um vazio enorme dentro de si. Então se olhou no espelho e viu a criança boba com laço amarelo na cabeça que nada sabia da vida e tanto queria explorar. Ela era tão pura quanto os olhos amendoados. Olhou-se no espelho e enxergou exatamente o que queria ver: O começo. Ela queria ser aquela menina boba que desenhava balão no caderno da escola, que decalcava coração grande e o pintava de vermelho sem pensar nas cicatrizes.

Decorar as cores mais curiosas que estão escondidas sob tua retina. Dedilhar devagarzinho tua barba até encontrar aquilo que mais há de bonito em teu rosto. Eu enxergo beleza na parte mais triste e sofrida que puder existir em você e que ninguém vê. Há beleza na tristeza, tu me d…
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Decorar as cores mais curiosas que estão escondidas sob tua retina. Dedilhar devagarzinho tua barba até encontrar aquilo que mais há de bonito em teu rosto. Eu enxergo beleza na parte mais triste e sofrida que puder existir em você e que ninguém vê. Há beleza na tristeza, tu me dizia em meio a sussurros. Há beleza no amor, eu te disse entre os afagos confusos.

Bem ali, na frente de todo mundo, me puxou para perto e me beijou. Foi tudo muito rápido. Ainda que parecesse em desordem e sem resposta, ainda que eu não entendesse nada, naquele momento, tão perto e aparentemente obsceno, eu não podia negar o fato de que tudo também parecia cer…
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Bem ali, na frente de todo mundo, me puxou para perto e me beijou. Foi tudo muito rápido. Ainda que parecesse em desordem e sem resposta, ainda que eu não entendesse nada, naquele momento, tão perto e aparentemente obsceno, eu não podia negar o fato de que tudo também parecia certo.

A mulher mais linda da cidade Minha mãe não entende o porquê eu não mudo mesmo depois dela ter me dado tantas broncas, mesmo depois de ter crescido, mesmo depois de passar a bancar o garoto maduro. Não entende que, mesmo depois dos vinte, eu nunca vou conseguir tomar sorvete ou…
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A mulher mais linda da cidade Minha mãe não entende o porquê eu não mudo mesmo depois dela ter me dado tantas broncas, mesmo depois de ter crescido, mesmo depois de passar a bancar o garoto maduro. Não entende que, mesmo depois dos vinte, eu nunca vou conseguir tomar sorvete ou comer macarrão sem me lambuzar feito uma criança de quatro anos, e ela vai sempre como uma boba ter que tirar às pressas a mancha da camisa branca, porque eu sempre digo que aquela é a minha preferida. Não entende que eu nunca vou me acostumar em acordar cedo, que eu vou sempre estar atrasado, correndo, atropelando os horários das refeições. E vai passar a vida reclamando que eu como coxinha de padaria, e que logo pegarei uma fraqueza e vou parar num hospital. Acho que ela não vai entender que eu nunca vou aprender a colocar água na forminha de gelo sem derramar, nem conseguir soltar uma gargalhada um pouco mais baixa, seguindo os bons modos que ela sempre me ensinou. Ela vai continuar reclamando que eu meto a mão na panela, que eu abro o forno antes do bolo ficar pronto. Não entende que eu nunca vou conseguir deixar de bater o dedinho do pé na quina, muito menos parar de ralar meus joelhos. Que volta e meia vou aparecer com um corte, mas não vou conseguir explicar como foi. E ela vai sempre como uma boba, com a testa vincada, preocupada ao ver o ferimento. Ela nunca vai entender que, ainda que eu tenha crescido, eu nunca vou aprender a descascar laranja, como também nunca vou aprender a fazer um bom suco, arrumar as malas para uma viagem sem colocar todo o meu guarda roupa lá dentro. Nunca vou trocar as meias por vontade própria, nem parar de colocar besteira na lista de compras. Minha mãe nunca vai entender meu armário desarrumado, minha gritaria no chuveiro, minhas cenas no celular. Nem as batidas de porta pra chamar atenção. Não adianta, ela sempre vai achar que é imaturidade, que essas atitudes são coisas de filho que não cresceu, e ainda vai pedir a Deus que um dia eu aprenda. Minha mãe não sabe, mas eu tenho um medo absurdo de um dia deixar de ser filho.

Falta a voz ao pé d’ouvido causando-me arrepios na espinha e risos inesperados quando chega de surpresa com uma rosa vermelha recém-colhida no jardim. Falta o cheiro do perfume forte, marcante, preso no algodão da roupa que usa apenas para me agradar. A tristeza mal disfarçada, o…
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Falta a voz ao pé d’ouvido causando-me arrepios na espinha e risos inesperados quando chega de surpresa com uma rosa vermelha recém-colhida no jardim. Falta o cheiro do perfume forte, marcante, preso no algodão da roupa que usa apenas para me agradar. A tristeza mal disfarçada, os soluços fora de hora, a ansiedade causando frio no estômago. Falta a dor por amar demais e a confusão por não saber se abraça ou afugenta o sentir